22 maio, 2018

Que jornalismo queremos?



Resultado de imagem para corporativismo jornalista



Não há regimes bons, nem próximos da perfeição sem hábitos de integridade, que mais não são que o respeito pela verdade, em tudo o que acontece nas relações humanas. Liberdade, sem Democracia, ou vice-versa, são parcerias sem as quais nenhuma funciona como deve funcionar. Sendo esta mistura o principal pilar das democracias evoluídas, deixa de ser democracia se ambas não fôrem levadas a sério. É isto que acontece com Portugal, e que adultera a génese do regime.

Em Portugal, debate-se muita coisa, mas debate-se com muito sectarismo e pouca profundidade. Os jornalistas não são os principais responsáveis, porque isso cabe aos governantes, mas estão logo a seguir na escala. Insinuam-se sempre como bastiões da Liberdade, mas mistério dos mistérios, são incapazes de debater democraticamente os problemas da classe.

É partindo desta convicção que me coíbo de sugerir algo que não sendo utópico, até parece. Era ver o Porto Canal realizar um programa entre jornalistas (independentes), onde o objectivo final fosse saber porque é que entre a classe há tanta gente com tabus.

A oportunidade é esta. Saber porque há tanto silêncio com o pantanal de corrupção do Benfica, e tanto paleio com outros clubes. Suspeito que a ideia seja bem atendida pela classe e pelo próprio Porto Canal, porque a ser acolhida seria necessário livrarem-se do corporativismo que lhes mina a reputação. 



21 maio, 2018

Um enigma chamado jornalismo


Calculo que os nortenhos habituados a ler o Jornal de Notícias já se tenham apercebido da alteração editorial do histórico matutino portuense nos últimos anos. Foi uma alteração aparentemente subtil no conteúdo, mas muito perceptível em colaboradores, jornalistas, e articulistas. Pode dizer-se sem exagero que para a maioria dos portuenses o pessoal que integra agora o JN é constituído por autênticos estranhos. Alguns dos jornalistas são de outras paragens, incluindo a região de Lisboa...

Sendo um jornal criado por portuenses, e sediado no Porto, caracterizou-se durante muitos anos por se dedicar preferencialmente à vasta região do Norte, sempre com grande sucesso e popularidade. Tal como outros jornais da cidade (já desaparecidos), foram concebidos para dar à região a informação que faltava, dado que os de Lisboa, tal como hoje, dominavam  o mercado e marimbavam-se para o que passava no Norte. Fundamentados num cosmopolitismo espúrio, e numa amplitude territorial oportunista, os resultados  do "novo" JN resumem-se a isto: muito mais Sul que Norte. Precisamente o inverso do que faz a imprensa lisboeta, muita Lisboa, muito sul, e pouco norte, só quando lhes dá jeito.  Eis a razão pela qual não vejo com bons olhos a inclinação centralista de Júlio Magalhães para dar mais palco a Lisboa, quando Lisboa nos rouba o pouco que temos. Não consigo digerir a argumentação que a sustenta, porque é quase como dar pérolas a porcos... 

Por que havemos então de nos espantar, que até o Jornal de Notícias se tenha aliado ao grupo imenso e silencioso de jornalistas, no que à corrupção do Benfica respeita, e agora já fazem artigos sobre o tema "Sporting" nas primeiras páginas do jornal com a maior descontração? Dir-me-ão que o JN foi dos poucos jornais a divulgar o que se ia passando sobre o caso dos emails baseando-se na fonte através do Universo Porto da Bancada, no Porto Canal, mas fizeram-no por razões estratégicas, não espontâneas. Eles sabem que não devem imitar o silêncio dos media de Lisboa, porque daria muito nas vistas, que talvez fosse correr um risco elevado sabendo que a maioria dos leitores é do Porto e do Norte . A verdade é que os jornalistas de 1ª-página sempre se furtaram a falar do Benfica e agora já não lhes falta a "coragem" com o que se passa com o Sporting (ler aqui, e aqui) ! Mas que medos são estes? Que tipo de ameaças receia esta gente toda que a faz falar às vezes até à exaustão com uns, e as remete a um silêncio enigmático com outros?  Que valores éticos explicam comportamentos tão aberrantemente antagónicos? Que descaramento lhes dá o direito de criticar terceiros? Por que não escrevem sobre eles próprios?

A sociedade está minada pela hipocrisia e pelo medo, e quem manda é tudo aquilo que está próximo do vil metal (o eterno Grande Irmão).   

18 maio, 2018

A política precisa de um banho de decência

Resultado de imagem para AntónioCosta na Luz
A dignidade terá imagem?
Há males que vêm por bem. É um facto que os portugueses são pouco dados à intervenção política. Para se unirem, ou mobilizarem em torno de uma causa, é preciso quase arrastá-los à força, porque continuam a pensar que tudo depende dos outros, ou então ficam na expectativa que apareça algum D. Sebastião numa manhã de nevoeiro a pôr ordem no país. Só que isso, é uma fábula, não funciona e até pode ser perigoso.

Enquanto alguns intelectuais, narcisistas, passaram anos a diabolizar o futebol, associando-o às classes mais indigentes da sociedade, tentando passar a ideia que só eles merecem crédito, eu sempre entendi que o caminho mais curto para o povo se defender da má política era precisamente através do futebol. Por quê? Porque o futebol confere uma paixão,um sentimento gregário que os políticos são incapazes de compreender e ainda menos administrar. Pelo contrário, em Portugal, os políticos são incapazes de perceber esse fenómeno, e em vez de o gerir com a imparcialidade devida, não, preferem baixar ao nível do povo, e optar pelo clube teoricamente maioritário, que é exactamente o que está a acontecer.

O centralismo, por exemplo, era palavra a que poucos nortenhos ligavam, mas agora começam a valorizar através do futebol onde o sentimento de discriminação é mais forte, como é o caso  do FCPorto. Pior ainda, se falarmos de regionalização, reforma estrutural que até consta da Constituição e que seria extremamente benéfica para todas as regiões do país, não tem sido tão reivindicado quanto devia.

Sem pretender insinuar qualquer crítica, acho que não devemos ser tão complacentes com os governantes. Ao fazê-lo estamos a relativizar a gravidade dos seus actos sectários, da sua condescendência com a alta criminalidade, civil e desportiva. Estamos a contribuir para a fomentação da marginalidade, baixando o grau de exigência para a classe política do futuro.

Portugal tornou-se num país ingovernável, qualquer badameco pode chegar ao poder e aventurar-se em novas golpadas até enriquecer.  Nestes casos, a justiça quando actua, em vez de os dissuadir com punições severas, estimula-lhes o apetite para as vigarices, permitindo recursos atrás de recursos, até à prescrição dos processos. É esta mentalidade que predomina em grande parte deles. Alguns, saem da política ricos sem se saber exactamente como o conseguiram. Não vejo grande diferença entre certos políticos e os dirigentes do Benfica. Na própria Justiça existem elementos nefastos à classe (Rui Rangel é apenas um).

Politicamente falando, considero que a raiz dos nossos males estriba-se no desprezo pela Lei. Ela existe no papel, como garante da paz social, mas nem sempre é levada à letra.  Isto explica porque é que os governantes, para disfarçarem estes maus hábitos onde a preguiça se inclui, em vez de fazerem cumprir a Lei preferem criar outras, assim à laia de quem baralha e dá de novo. Basicamente, é isso que  o habilidoso, mas pouco inteligente António Costa, decidiu fazer precisamente agora, impelido pelo escândalo do Sporting, quando já há leis que bastam, mas não se usam, a não ser para alguns (sempre a eterna discriminação). Já com o escândalo do Benfica parece ter decretado um pacto de silêncio entre os partidos da oposição e a comunicação social. Critérios diferentes para ilegalidades semelhantes, ou mesmo mais graves. Tal, como certos árbitros. Coincidências...

Se isto não é gozar com a inteligência das pessoas, então é pura vigarice, ou cegueira parcial... 




16 maio, 2018

E os políticos, estão inocentes?


Não, não estão! Se a violência, e a corrupção, chegaram ao futebol, foi porque os governos sucessivos se  revelaram incapazes para acabar com elas. 

Não sei, como é possível virem agora todos a terreiro com os escândalos do Sporting, e se mantiveram tanto tempo indiferentes, num silêncio cúmplice, com os do Benfica. Imagine-se se isto fosse com o FCPorto!Esta mania discriminatória, esta incompetência doentia, confirma a profunda falta de nível da classe política. 

Naturalmente que reprovo tudo o que tem vindo a público sobre o Sporting, e repudio energicamente o que as claques fizeram aos atletas, mas a minha  maior repulsa vai toda direitinha para a porcaria dos nossos políticos, incluindo os da oposição. São um nojo!

A este grupo de inúteis, junto a comunicação social de Lisboa, como é inevitável.

15 maio, 2018

As promiscuidades têm côr, umas são boas, outras não

Alberto Santos, mais um melro lisbonário?
Inebriados pela euforia da conquista deste campeonato, é natural que se instale algum excesso de confiança e se esqueça os nossos próprios desacertos, mas é preciso descer à terra e ponderar bem o futuro. 

Tal como em muitas outras áreas da sociedade, o futebol português está dominado por uma concorrência corrupta, e mesmo assim Sérgio Conceição  soube levar o barco a bom porto, vencer o campeonato categoricamente, e desta forma evitar mais uma época de frustrações. Não foi nada fácil, como sabemos, e nunca será, enquanto imperar a lei da bagunça no país. Já as épocas precedentes ficaram manchadas pelas habilidades extra-futebol do Benfica, mas também não tivemos treinadores à altura de aproveitar as oportunidades em momentos decisivos. Por outro lado, ainda não eram do conhecimento público as vigarices dos emails, nem as denúncias de envolvimento com a Justiça, não obstante as suspeitas. E, diga-se o que se disser, as denúncias de FJMarques foram muito importantes para moderar um pouco o trabalho sujo de alguns árbitros que até então não se poupavam a mimar o clube do regime nem que tivessem de ser eles a marcar os golos. Era por demais descarado. Mas cuidado, eles ainda lá estão, não podemos confiar demais na Justiça. Dizem que ela tarda mas não falta, mas isso nem sempre corresponde à realidade...

Suponho que os leitores regulares do Renovar o Porto já me conhecem um pouco, já sabem o que penso de certas modernices. Portanto, não será nenhuma surpresa para esses leitores dizer outra vez o que penso da promiscuidade entre o futebol e a política, promiscuidade essa em nada comparável com a que Rui Rio criticava. A promiscuidade de Rui Rio é sectária, arrivista e politiqueira. A que eu censuro é global.

Se fosse líder de um partido político proibia estatutariamente a participação de políticos em programas de futebol, exactamente para separar as águas entre uma actividade e  outra, totalmente antagónicas, objectivamente para dignificar a péssima imagem que os políticos deixaram na opinião pública.

Rui Rio não tem coragem para tanto, porque é mais um hipócrita, incapaz de se pronunciar com promiscuidades de vómito, como é a do Benfica com tudo o que lhe dá poder, incluindo políticos, muitos deles do seu próprio partido, mas "teve-a" para apunhalar os próprios portuenses, os ingénuos que acreditaram nos seus dotes de homem sério e lhe deram o voto. Para mim, Rui Rio não é um homem sério pelas razões aqui explícitas, acho não precisar de mais.

Daqui a uns tempos talvez o Porto Canal venha a replicar o que aqui digo agora. Muito do que ali é dito actualmente sobre o centralismo, e até sobre estes fenómenos lúgubres do futebol, já eu ando a propagar há uns anitos no Renovar o Porto. Vale isto para dizer que, admitindo que as ideias que defendo estão erradas, deixo ao critério dos leitores o seguinte: imaginem que em vez de Rui Rio, era o seu "nobre" colega de partido, Rui Gomes da Silva, a candidatar-se à Câmara do Porto. Acham que algum portuense de gema, daqueles que gostam inteiramente do Porto (e do FCPorto por ser um clube portuense sem raízes salazarentas,) iam votar num energúmeno como Rui Gomes da Silva? É claro que não. Mas os "portuenses" benfiquistas, se calhar, até votavam num verme daqueles, e iam a correr às urnas.

Agora, digam lá se esta pouca vergonha, esta mistura aberrante de político/comentador de futebol/e representante de clube, contribui nalguma coisa para a regeneração da classe? Então pergunto: quem nos diz a nós que Rui Rio não é benfiquista? E quem nos garante que a paixão clubista (se é que ele a tem) não se sobrepõe aos interesses das cidades e das suas instituições culturais e desportivas? Vamos lá ver, não será isso que os autarcas de Lisboa fazem com o Benfica?

A este propósito, passo já a prevenir a malta que há para aí um tipo, um tal Alberto Santos (na foto), amigo de Rui Rio e putativo candidato à liderança da distrital do PSD/Porto, ex-autarca de Penafiel, que pretende tirar a Câmara a Rui Moreira... Como tal, há que procurar saber bem quem ele é, de onde veio, como apareceu aqui, e de que clube padece (importa conhecer também quais são as suas cores clubistas) uma vez que, segundo a opinião dos próprios políticos, é "normal" misturar funções tão distintas...

E já agora, aconselho aos portuenses que lêem o JN, a estarem atentos não só ao perfil dos jornalistas que agora lá trabalham, como para a tendência cada vez mais acentuada de centralizar o jornal. O Joaquim Oliveira agora pouco manda no JN, e mesmo quando mandava em nada contribuiu para o descentralizar. É bom estarmos atentos a estas coisas, porque se não estivermos, teremos cada vez mais gente vermelha a minar aquilo que é nosso. E não admito a ninguém que me venha impingir a treta do costume, que não devemos ser bairristas, e balelas do género, porque foi por causa disso que muitos portuenses portistas se deixaram levar no canto da sereia centralista.

Se fôr preciso tirar a prova dos nove, basta pegar num qualquer jornal de Lisboa para verificar que do Porto pouco dizem, só há notícias para denegrir a nossa cidade, e poucas para louvar. Portanto, futebol sim, mas não é só através do Benfica que o "Polvo" vai engordando, há outras vias, outras estratégias, todas diferentes, mas com um só objectivo, que é roubar ao Porto tudo o que fôr possível, até a alma. 

PS-Agora, é Sporting que foi apanhado a subornar os árbitros de Andebol. Só podia, aquilo era demasiado óbvio para ser apenas incompetência. 

14 maio, 2018

UMA FESTA TOP!

Grande roubo da arbitragem! Uns incompetentes.
Estão gastas, as palavras para exprimir toda a alegria patenteada este fim de semana nos festejos do FCPorto. Nem a conquista da Champions e da Liga Europa arrastaram tanta multidão! Foi uma festa de arromba, daquelas genuínas, em que a alma e o sentido de revolta superaram todas as convenções. 

A única coisa que veio destoar, foi a derrota da final europeia de hóquei em patins no Dragãozinho, com o Barcelona. Temos um grupo de jogadores excepcionais, tão ou mais competentes que o próprio Barcelona. Só nos faltou a experiência da maturidade, porque técnica e talento estão lá todos. Paciência! Talvez para o ano tenhamos mais sorte, inclusivamente com a arbitragem, porque a de ontem, esteve muito mal ao anular o 3º. golo (do empate) que podia ter mudado o rumo dos acontecimentos. É lastimável que uma equipa fique a dever a erros de árbitros incompetentes a perda de troféus tão importante. Os árbitros deviam ter direito a cartões amarelos e vermelhos, exactamente como os jogadores, porque os de ontem mereceram vários amarelos e no mínimo um vermelho. Isto não significa que o Barcelona não tenha uma grande equipa também, porque tem, mas triunfar desta maneira, é que não está bem.

De qualquer modo, a conquista do campeonato de futebol não foi beliscada pelo hóquei, até porque ocorreu  uns dias antes. A cerimónia da Câmara, com a entrega da medalha de honra  da cidade a Pinto da Costa, por Rui Moreira, foi mais que merecida, porque, apesar da gestão dos últimos anos de Pinto da Costa não ter sido brilhante, fez muito de positivo pelo FCPorto, anteriormente. Foi uma decisão que só enobrece Rui Moreira, e a própria Câmara! Por falar nisto, onde páram os escrúpulos de Rui Rio que o tornam incapaz de se pronunciar sobre a promiscuidade da Camara de Lisboa  e o clube mais corrupto do mundo?  Rui Moreira, nesse aspecto, tem actuado com uma correcção que os políticos partidários não possuem, salvo raras excepções. A propósito, incluo neste pequeno grupo o socialista Eduardo Victor Rodrigues (da Câmara de Gaia do PS), e Ricardo Rio (da Câmara de Braga do PSD), que sendo de partidos diferentes, têm mostrado um nível e uma elevação ética raríssima na classe político-partidária. 

Voltando à festa, não me lembro de ver tanta alegria, tanta espontaneidade, tanta união! Foi uma revolução simbólica, um grito de revolta de luva azul e branca, onde não faltaram umas carvalhadas merecidas, e cânticos satíricos ao clube da vergonha, rosto perfeito da corrupção nacional! A dignidade  destes, começa e resume-se  a uma palavra: FRAUDE!

Viva o FCPorto, C#"@ho, sem papas na língua!  No contexto actual, é assim mesmo!
  

09 maio, 2018

Regresso ao passado nem sempre é regredir


Terminou a contento a época 2017/2018. Para a sempre crescente comunidade portista foi um alívio a conquista deste campeonato. Pelas razões conhecidas, tínhamos consciência que não ia ser fácil atingirmos os nossos objectivos e duvidava-mos que os árbitros tivessem coragem suficiente para moderar as suas tendências anti-portistas até ao fim do campeonato. Tínhamos razão, os árbitros não desistiram do sectarismo, sempre a tentar prejudicar o FCPorto e a ajudar o Benfica. Notou-se em alguns deles, nesta última fase, um certo abrandamento, digamos que não foram tão descarados, tão repugnantemente acintosos, mas não deixaram sempre de fazer as asneiras da praxe. 

Enfim, o FCPorto lá conseguiu arrecadar mais uma taça para o museu do Dragão com o universo portista extraordinariamente unido numa rara simbiose consensual que só um forte sentimento de justiça podia proporcionar.  Neste caso, uma Justiça muito particular, porque nos obrigou a superar com valentia e persuasão as vulnerabilidades da justiça convencional. Uma façanha para nós, uma imensa vergonha para o regime. A condição de clube discriminado pode dar-nos força, mas é uma traição repugnante que fere de morte a coesão nacional, fundamentalmente por não termos sido nós a dividir o país.  

Neste momento de suprema euforia a tendência é esquecer o que esteve mal. Nem por isso sou capaz de atribuir louros a quem não os merece como já mereceu. Gratidão não casa sempre com Justiça. Podemos admitir os erros, ninguém acerta sempre, mas quem erra também deve admitir que errou a quem de direito. Se o presidente Pinto da Costa tem um histórico de sucessos invejável e merecido, não tem o direito de usá-lo no presente remetendo-se ao silêncio sem dar qualquer explicação aos sócios e adeptos quando elas se justificam e as coisas correm mal. Como portista sinto-me ofendido. Se não pensa assim, também não pode queixar-se se outros pensarem de outra maneira. Pinto da Costa tem um grande defeito: não tem humildade para reconhecer quando erra. Tenho sentimentos, por isso não fui insensível à alegria que esta fabulosa Taça de Campeão Nacional me proporcionou. Fiquei eufórico, mas continuo racional. Por momentos quis esquecer as asneiras dos últimos anos, cheguei a olhar para Pinto da Costa com condescendência, no meio daquela multidão de portistas felizes. Lembrei-me da forma aguerrida e ao mesmo tempo cerebral como geriu o FCPorto e dei comigo a perguntar-me por que é que não delegou em alguém poderes que ele próprio já não pode exercer (pela idade ou saúde) mas que podia controlar, sem ter de se retirar. É isto que custa perceber, é isto que podia ter sido evitado.

Como "tudo" acabou em bem, agora toda a gente volta a elogiar Pinto da Costa. Sérgio Conceição passou a ser a prova mestra do génio do Presidente. De súbito, tudo voltou ao passado, o presidente mantém todas as qualidades intactas. Esquecemos Lopetegui, Paulo Fonseca, Nuno E. Santo e José Peseiro. Não foram bem sucedidos porque sim, ou talvez por motivos estranhos à competência, foram casualidades, casualidades que em nada podem ser apontadas a certos facilitismos, certas contratações imponderadas, certos corpos estranhos ao clube... Enfim, ao que parece (agora), tudo não passou de um equívoco, de momentos infelizes (4 anos), aos quais o senhor presidente é alheio. As emoções fortes fazem milagres destes.

Asim mesmo, estou como todos vós, portistas, extremamente feliz com esta victória, se calhar mais feliz até que o próprio Pinto da Costa, mas não sei como seria se acaso os heróis principais - que para mim continuam a ser os jogadores e Sérgio Conceição - não tivessem ganho o jogo na Luz ,e com o Marítimo. Se isto era uma reflexão ocasional, que agora se tornou pecado fazer, foi porque conseguimos realizar os nossos objectivos (e ainda bem). Vamos lá ver se estes 4 anos de jejum fizeram recuperar o bom senso à SAD portista e não vão  cometer os mesmos erros.

Há jogadores da formação com muito potencial  que estão a ser cobiçados por clubes estrangeiros, o que é bom sinal. Resta saber se os vamos vender à pressa para realizar capital, ou se vamos equacionar a possibilidade de ficar com os mais promissores e de vender outros. Sem entrar em loucuras, seria óptimo reestruturar o plantel ficando com os melhores e reforçá-lo com outros, evitando desequilíbrios. A entrada directa na Champions tem de ser muito bem explorada garantindo-nos as melhores prestações possíveis. Os prémios aumentaram consideravelmente, por isso temos de aproveitar a oportunidade para reforçar a qualidade do plantel de maneira a mantermos intactas as nossas aspirações, interna e externamente.

A oportunidade tem de ser bem aproveitada, assim pense Pinto da Costa          

   

07 maio, 2018

O Polvo - 1º. prémio para a foto do ano

O FCPorto tem de consolidar já o futuro!



Termina no próximo fim de semana a época 2017/2018, com o FCPorto a deslocar-se a Guimarães com mais uma taça de Campeão Nacional no seu garboso currículo. Foi uma época sui generis, uma época onde a revolta se cruzou com a paixão clubista e uma invulgar solidariedade dos adeptos. 

Se em tempos idos era Pinto da Costa o timoneiro infalível, o líder, e principal responsável, esta época foram os adeptos, a par de Sérgio Conceição e jogadores, os genuínos heróis desta brilhante campanha.

Sim, foi Pinto da Costa quem escolheu Sérgio Conceição, e há que lhe dar esse mérito, mas também foi ele quem escolheu os treinadores das quatro épocas precedentes e não ganhamos nada. 

Essencialmente, o maior defeito de Pinto da Costa foi não ter mostrado a capacidade de outros tempos para se opôr aos abusos de certas "autoridades" contra o FCPorto. Foi ter deixado crescer o monstro benfiquista, obrigando treinador e jogadores a um desgaste colossal para ultrapassarem as adversidades externas ao futebol. Não tem de ser assim, sempre. Nem deve! Não devemos exigir aos jogadores competências de outrem, sejam elas jurídicas, federativas, ou muito menos políticas. Todas estas existem, todas têm os seus próprios protagonistas, pagos para o efeito. E, tal como se dispensam e punem, os maus jogadores, quando  não cumprem os seus deveres, o mesmo tem de ser aplicado a outras entidades, sejam elas políticas ou federativas.  Já para não falar da comunicação social, que tem tido um papel execrável, de discriminação com o FCPorto, e de cumplicidade com o Benfica. Isto não é sério nem socialmente sustentável.

Compreende-se, e é de louvar, a força simbólica das palavras, mas lutar "Contra tudo e contra todos" tem de deixar de ser um pretexto para não sermos tratados com o respeito que nos é devido. E, atente-se a uma particularidade: não fossem as denúncias assumidas por Francisco J. Marques, que de certo modo fizeram alguns árbitros travar o ritmo das suas escandalosas arbitragens, e que tantos pontos nos roubaram, se calhar, mesmo com o esforço tremendo dos jogadores e o mérito de Sérgio Conceição, nem este ano éramos campeões! Alguns deles, continuaram a ajudar o Benfica e a prejudicar o FCPorto.  

Portanto, a luta é para continuar. A euforia deste campeonato, conquistado a ferros, não pode anestesiar a nossa indignação, nem muito menos fazer-nos desistir do direito à Justiça. A investigação tem de prosseguir o seu percurso tranquilo, mas tem de ter consequências, senão, volta tudo ao mesmo! Há momentos em que a intervenção de adepto tem de dar lugar à de  cidadão.

Quanto a Pinto da Costa, lamento que a idade não lhe permita fazer mais e melhor, mas deve ponderar bem esta nova forma de gerir o clube, muito distante, quase monárquica, apenas disponível para a recolha dos louros.

Os adeptos não são tolos.



02 maio, 2018

Futebol sujo, Governo imundo!

Para quem padece de uma alergia crónica à desonestidade mental, como parece ser o meu caso, torna-se fastidioso ver passar os anos sem que nada de verdadeiramente digno tenha sido feito para bloquear o ritmo da corrupção em Portugal.

Este gravíssimo problema nacional não está confinado ao mundo do futebol, a essa almofada de conforto daqueles que, talvez para encobrirem os seus próprios pecados, encontraram no futebol o bode expiatório ideal de todos os males da sociedade. Se o Benfica fez o que fez - e tudo aponta para que os indícios conhecidos não deixem dúvidas -, foi porque outros com responsabilidades de Estado o permitiram. A começar, insisto, pela classe política, que  paulatinamente se deixou dominar pelos tentáculos corruptores do Benfica, mas igualmente por outras entidades de relêvo como  órgãos do Ministério Público, Polícia, e Comunicação Social. Foi sempre a estas entidades que apontei as culpas por tudo de negativo que tem vindo a acontecer e não especificamente ao futebol, porque  o futebol não tem, nem pode ter, os poderes que só ao Estado diz respeito. O futebol, como a banca por exemplo, são apenas pedras que mal geridas podem emperrar toda a engrenagem de uma sociedade, engrenagem essa que nem o 25 de Abril conseguiu olear.

Não há dia que não saiam a público casos de corrupção em que figuras, directa ou indirectamente ligadas à política estejam envolvidas em negócios ilegais de milhões. Como podem eles querer ter boa imagem na sociedade se não decidem defender-se desta gente? Como podem sentir-se cómodos com tanta gatunagem sem alterar os estatutos partidários de forma a impossibilitar a promiscuidade entre a política e outras actividades? Que credibilidade pode merecer um deputado/advogado com assento no Parlamento ter ao mesmo tempo o seu escritório aberto a clientes suspeitos de atentarem contra o Estado? Que credibilidade pode merecer a um cidadão civilizado um político comentador de futebol e clubista?

Já se passaram 44 anos, desde o antigo regime, e nem assim tivemos o orgulho de ver despontar do universo político-partidário um único líder (de qualquer partido) capaz de acabar com esta palhaçada?

Não será caso para concluirmos que nesse aspecto concreto os partidos se igualam, que funcionam como uma coesa máquina corporativa?


O Benfica, essa associação de claques ilegais  tão protegida pelos media, é no desporto português o clube mais inqualificável da actualidade, e não é pelas melhores razões.

E os Governantes, serão diferentes?  

01 maio, 2018

As rendas...

1.Já sabíamos que o preço de energia em Portugal é dos mais altos da Europa. Também já sabíamos que mais de metade da fatura mensal corresponde a taxas e impostos. Não é novo, igualmente, que parte da conta se deve às "rendas excessivas" que o Estado atribuiu às empresas de energia (entre as quais se destaca a EDP), ou às tarifas garantidas que essas empresas negociaram no caso da produção de energia através de fontes renováveis (na prática, recebem um preço superior ao do mercado). Já sabíamos, portanto, que, a exemplo do que sucede na banca, também na energia se aplica, aqui neste jardim à beira mar plantado, a criativa fórmula da privatização dos lucros e da socialização dos prejuízos. Um tipo de capitalismo bastante estimulante. Todos estes factos são há muito do conhecimento do público em geral, pelo que se presume que também de ministros, deputados e dirigentes partidários. No entanto, ano após ano, entre alguns arrufos políticos inconsequentes, continuamos a receber e a pagar faturas, rendas e mordomias absurdas. Talvez o mais recente escândalo - o salário de 15 mil euros que o ex--ministro socialista Manuel Pinho recebia por conta dos serviços prestado ao Grupo Espírito Santo - contribua para um pacto de regime entre o PS e o PSD. Ou talvez não. O mais certo é que vingue a criativa fórmula de mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma. Um tipo de democracia bastante estimulante.
2. O Governo anunciou uma série de medidas na área da habitação. O plano inclui medidas tradicionais, como a construção ou reabilitação de casas para 26 mil famílias pobres, que implica um investimento de 1700 milhões de euros durante os próximos sete anos. Uma meta ambiciosa a que se acrescenta, desta vez, um programa de arrendamento acessível, que pretende chegar a 100 mil famílias da classe média. O Estado propõe-se fomentar uma bolsa de casas para arrendar a preços razoáveis, ou seja, que as pessoas possam de facto pagar. A proposta tem o cuidado de especificar que a renda não pode ultrapassar uma taxa de esforço de 35% (do rendimento). Para atrair os proprietários a este programa, promete-se a isenção de IRS e IRC por parte do Estado, bem como a redução ou isenção do IMI por parte das autarquias. Demasiado bom para ser verdadeiro. O Governo classifica como acessível uma renda de 900 euros para um T2 no Porto. Ou de 1050 euros, para igual tipologia, em Lisboa. Num país em que o salário médio líquido é de 856 euros, os únicos que têm alguma coisa a ganhar com este negócio são os proprietários, que, aos preços especulativos das rendas, somarão entretanto uma borla fiscal.
(De Rafael Barbosa-JN)
EDITOR-EXECUTIVO

30 abril, 2018

O paradoxo do Porto Canal


Marega, o Bugatti azul e branco...

É incrível que o Porto Canal não tenha dado a importância devida ao jogo do FCPorto com o Marítimo, enquanto os canais da concorrência, apesar de nos odiarem, não quiseram perder a oportunidade de aproveitar as audiências que um provável campeão sempre garante.

Há momentos, que ficamos com a ideia que aquela estação anda à rédea solta, que são os funcionários quem manda.

Programas interrompidos, várias vezes repetidos, pessoal de férias prematuramente, mulheres a alternar o descanso da licença pós-parto, umas atrás das outras. Enfim, tudo isto resolvido com umas cassetes, ou seja, repetições sucessivas de programação.

Ora, como o FCPorto é o accionista principal, devia estar atento a estas incompetências, puxar as orelhas ao Sr. Júlio Magalhães, e dizer-lhe que o que aconteceu ontem no Barreiros é um acontecimento de carácter generalista, e não exclusivamento desportivo.   

Estão de parabéns os portistas, os jogadores e Sérgio Conceição. Já falta pouco.

Força Porto!  

27 abril, 2018

A Infarmed imita o Benfica, manda mais que o Governo

Portugal, um primor de Estado de Direito... 

A ideia de querer impingir ao Porto a Infarmed, foi mais uma das infindáveis decisões trapalhonas do Governo a que já estamos habituados. Tão trapalhonas quanto provocadoras. Então, suas exas não sabiam que iam juntar a um problema, outro problema?   Não foram capazes de prever a reacção de quem lá trabalha? Estavam à espera que a reacção fosse serena?

Sabemos perfeitamente que esta triste iniciativa foi uma forma ridícula de o Governo remediar o fracasso do Porto, para instalação da Agência Europeia para o Medicamento, inicialmente prevista (outra asneira) para Lisboa... 

Até nestas mariquices se nota a fragilidade reivindicativa das elites do Porto. Se essas elites de facto existissem, não só, nunca tinham aceitado este presente envenenado, como  a ser concretizado, só nos ia trazer problemas, e poucos postos de trabalho traria aos cidadãos do Porto. 

Que lhes sirva de lição, e que para a próxima não se disponham a aceitar "presentes" em 2ª. mão.

26 abril, 2018

Vão dar banho ao cão, democratas da treta!


1 Foi há uma semana que caiu o Carmo e a Trindade. E qual terá sido a razão para tanto terror e assombro que, segundo o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, estão associados à expressão? O facto de termos assistido na SIC à melhor síntese jornalística e televisiva que alguma vez se fez sobre a Operação Marquês? Ter ficado claro que Ricardo Salgado era a cabeça de um polvo que corrompeu as nossas elites? Terá sido por percebermos que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro agiram na PT em nome de interesses obscuros, com proveitos de milhões? Ou porque José Sócrates, ex-primeiro-ministro e líder do PS, beneficiou de milhões de euros transferidos à socapa, de offshore em offshore, até lhe chegarem às mãos na forma de uns envelopes com notas? Ou, finalmente, porque percebemos que estamos todos a pagar estes desvarios, seja com os nossos impostos, seja com a falência dos serviços do Estado? Nada disso. O terror e o assombro têm outra explicação. O que choca tanta gente inteligente que opina nos jornais e nas televisões, o que horroriza tanta gente sensata nas redes sociais, é a exibição dos vídeos dos interrogatórios a José Sócrates. Estão no seu direito. Mas fico à espera que chegue o dia em que passem da indignação pela violação do direito à imagem da quadrilha, para a indignação pelos crimes cometidos pela quadrilha. E escusam de argumentar com presunções de inocência e trânsitos em julgado. Isso é para os juízes. O julgamento político e social corre mais depressa. Caso contrário, Sócrates ainda podia ser primeiro-ministro e Salgado presidente do BES. Mas, se calhar, a alguns isso talvez não causasse nem terror, nem assombro.
2 Já a discussão sobre os vídeos ia longa, quando vieram a lume mais uns pormenores sobre a rede mafiosa que usou os portugueses como carne para canhão. O ex-ministro da Economia Manuel Pinho criou uma conta numa offshore do Panamá na qual caiu um milhão de euros saído do "saco azul" do BES. Meio milhão foi pago em tranches mensais de 14 963,94 euros durante o período em que Pinho foi ministro no Governo de José Sócrates. Parece mesmo um salário, não parece? Suspeita-se que possa ter sido a compensação para beneficiar empresas como a EDP nas chamadas "rendas excessivas". Infelizmente, ninguém denunciou esta violação do segredo de justiça, daquelas que propiciam julgamentos populares precipitados. E que deu argumentos a um triste espetáculo de Ana Gomes. Diz a eurodeputada socialista que o PS terá de aproveitar o próximo congresso para escalpelizar como se "prestou a ser instrumento de corruptos e criminosos". Que coisa tão disparatada. Porque não se preocupa antes Ana Gomes com o ataque à imagem de José Sócrates, Ricardo Salgado, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro ou Manuel Pinho? Isso, sim, justifica a nossa indignação.
Rafael Barbosa (JN)

Nota de RoP

Concorde-se, ou não, com tudo o que acima vem escrito (eu concordo com umas coisas e menos com outras), este artigo devia servir para fazer reflectir melhor aquelas pessoas que insistem em amplificar os progressos do país conseguidos após o 25 de Abril, sem olhar para o mais importante. Para isso, recorrem normalmente à qualidade do serviço de saúde,  à educação, à rede de auto-estradas e coisas assim, que sendo importantes não serão nunca o ponto de referência que fará de nós um país progressista. Além de que, estas mais valias, em Portugal, têm sempre curta duração. Veja-se a título de exemplo, o que aconteceu com os CTT's e com a Metro do Porto.

Tanto mais, que, se há coisa a que os políticos dão importância para si mesmos, é ao dinheiro que lhes pagam ao fim do mês, incluindo as ajudas de custo e todas as benesses que sabemos. A propósito, estou a recordar-me do que disse há uns anos na SIC, o ex-deputado do PS Jorge Coelho, na "Quadratura do Círculo", que não era rico, que ninguém podia levar a mal ir para Presidente Executivo da Mota Engil tratar da sua vida (para onde voltou recentemente) ... Para não esquecer, só no ano de 2011 recebeu 634 mil euros de salário... Dou este exemplo, como podia dar outros de políticos do PSD e do CDS, não importa agora pessoalizar. 

O que verdadeiramente importa, é consolidar uma realidade: os políticos gostam muito de dinheiro, só que, quando falam do desenvolvimento do país não se lembram da miséria que é o salário mínimo e as reformas dos portugueses. Agarram-se às rotundas, às Expos, enfim, a tudo, menos àquilo que eles adoram, mas negam ao povo, que é pagar-lhes salários dignos.

São tão convencidos, que para eles, só teríamos razões de queixa por não darmos tanto relevo aos progresso do 25 de Abril, se tudo estivesse exactamente na mesma como antes de 1974! Obviamente que os fundos europeus (ainda) não podem ir directamente para o seu bolso, foi preciso fazer umas obritas em 44 anos, e mesmo assim, continuam a desviar muitos desses fundos para a capital, fundos esses que deviam ser nossos, como sabemos.

Enoja-me este lançar de areia para os olhos da população, sem primeiro olharem para si próprios, e para os seus pares, que não fazem outra vida senão meterem-se em escândalos. 

Como diz o outro: vão dar banho ao cão.     

25 abril, 2018

O 25 de Abril não soube libertar-se da mentalidade pidesca


Resultado de imagem para 25 de Abril de 1974

Hoje, dia 25 de Abril, uma data histórica que nos devia a todos regozijar por simbolizar o fim da ditadura, temos muitas razões para estarmos decepcionados com os resultados. Se  fizermos um balanço sério do acontecimento, até aos dias de hoje, não temos motivos para dizer que a progressão foi positiva, mesmo que as aparências indiquem o contrário. 

Os dois primeiros anos da revolução, entre 1974 e 1976, foram os mais genuínos, os mais esperançosos para  toda a população, com relação ao futuro do país. Elaborou-se uma Constituição progressista, e ideologicamente ambiciosa, que rapidamente foi sendo adulterada pela classe política. A oposição mais ligada aos movimentos revolucionários não soube resistir a essa tendência no momento certo, talvez por recear ser conotada como extremista, e o resultado é esta apalhaçada democracia a que hoje chegamos. 

A Liberdade é uma coisa preciosa, mas com o passar dos anos perdeu aquilo que a distingue da anarquia e lhe confere mais valor, que é o respeito. Hoje, a pretexto de uma Liberdade absoluta, [supostamente para ser autêntica], ninguém respeita ninguém, perderam-se os valores da ética e dos bons costumes a coberto de uma "democratização" social postiça. 

Hoje, já ninguém dirige uma carta comercial começando por "Exmo. Sr.", limitam-se a dizer "Bom Dia", e às vezes nem isso. A velocidade da Net não justica tanta grosseria. Para não me sentir ridículo, tive de me adaptar à situação e banir esses hábitos de forma a evitar confusões interpretativas. Somos permanentemente assediados através do telemóvel para aderirmos a novas propostas, sempre com um único intuito, que é vender, mesmo que o cliente não queira comprar. Sei defender-me desses abusos, e quem me contacta contra a minha vontade insistindo em vender-me  o que não pedi nem quero o que me é proposto, acaba sempre por sair a perder se me contrariar...       

Tanta Liberdade despida de ética, tanta bandalheira social, não pode compatibilizar-se com a Justiça. Para mim, é inaceitável, indigno mesmo, que a pretexto dessa duvidosa "Liberdade" e do serviço público, se permita que os Tribunais sejam intoxicados com denúncias "anónimas" que só servem para os sobrecarregar de trabalho com casos provavelmente falsos. Sendo absolutamente a favor das denúncias de interesse público, discordo veementemente que a Justiça não requeira a identidade de quem as faz. Só em situações excepcionais, de extrema complexidade como uma Guerra ,ou coisa semelhante, justificam o anonimato.  Quem não deve, não teme. Se alguém tem consciência plena de que a denúncia apresentada é autêntica, só tem que se identificar desde que o faça apenas à Justiça. Se temos casos a mais a entupir o funcionamento dos tribunais, também se deve a essa aberração .