29 setembro, 2016

As coincidências não acontecem por acaso

Lendo as declarações de Júlio Magalhães publicadas no Jornal de Notícias de hoje percebemos a força do título deste post.

O director do Porto Canal parece ter-se especializado na arte de fazer seus, sucessos alheios, ou na melhor das hipóteses, de grande parte deles. Não é a primeira vez que, servindo-se das audiências ocasionadas seguramente por uma maioria de adeptos portistas, decide transformá-las de forma aleatória em audiências do canal, o que não corresponde integralmente à verdade. Esta visão, é tanto mais distorcida quanto incoerente, se atendermos às suas próprias afirmações de considerar o Porto Canal "generalista", e não um canal misto como é, dado a sua forte componente desportiva. São aproveitamentos desta natureza que fazem abortar a melhor das ideias. Se adivinhasse esta salada russa, nunca teria concordado com a opção de canal generalista/desportivo.

A cisma (ou complexo de inferioridade) de J. Magalhães querer separar o Porto Canal da celagem regionalista pode transformá-lo num canal demagógico. Se por um lado reconhece - sem nunca proferir a palavra - a macrocefalia dos canais lisboetas, por outro, persiste em dar-lhes palco, chama-os a si com muita honra (como costuma dizer), qual menino bem comportado. Se quisesse ser coerente, não desperdiçava tempos de antena com figurinhas da capital que nem sequer gostam do Porto, e que até têm contribuído para a sua discriminação, e ocupava-o prioritariamente com gente do interior nortenho, do Minho a Trás-os-Montes, e... do Porto.

O director do Porto Canal age como um meio-Cristo, tolerante com quem não o quer, e pouco cooperante com quem devia. Não foi por dar a outra face que Pinto da Costa (seu actual patrão) chegou onde chegou. Talvez seja por agora ter perdido essas características que o clube está como está, triste e indefeso. Talvez seja também este o modelo que Júlio Magalhães pretende implantar no Porto Canal para o afundar.

Há notoriamente uma ideia poética de fazer televisão que não se coaduna com o país real. Ele não deve ler jornais. Se o fizesse, verificaria que estão todos sediados em Lisboa e que actuam com o mesmo espírito centralista e egocêntrico das televisões. Espírito esse que o Jornal de Notícias resolveu agora imitar, traindo a memória dos seus fundadores, reforçando a cobertura a sul e à capital, numa clara atitude de subalternidade à sombra de um pluralismo que Lisboa não pratica.  

Que serventia poderá objectivamente prestar ao Porto uma televisão acrítica, não reactiva, incapaz de promover debates sérios e contínuos para desmascarar os impostores, tendo de mais a mais, uma componente social desportiva, quando não quer tirar partido dela para defender o FCPorto de arbitragens fraudulentas? Que lugar terá afinal o Porto nos critérios do seu director? E quem quererá um canal passivo, e contemplativo com os seus inimigos?  Não bastará o exemplo comprovadamente falhado de Pinto da Costa com resultados miseráveis para o FCPorto (e humilhantes para os portistas) desde que optou pela via cobarde (sim, cobarde!) do silêncio? Pretenderá também ele contribuir para esse peditório, em vez de o combater? Mas que raio de lutadores são estes? De que massa serão feitos? Tencionará também dar cobertura  aos nossos rivais lisboetas (porque não também promover) quando diz que "tenciona dar mais voz ao desporto nacional" e nos lembra que o FCPorto "não joga sozinho"? Desconfio sempre deste tipo de linguagem, para mim, é como uma premonição para mais cedências ao centralismo.

Lá diz o povo, e é verdade, que quanto mais nos baixámos, mais se nos vê o traseiro. Não será este o exercício prático que o Porto Canal nos reserva?

Não queria acabar sem dedicar umas linhas de justiça e reconhecimento a quem tem contribuído pela positiva para o sucesso relativo do Porto Canal.

Ponho à frente do pequeno plutão o Joel Cleto e o seu excelente programa "Caminhos da História", o "Mentes que Brilham", o "Consultório" (de utilidade pública), e o"Mundo Local".  É possível escapar-me mais um ou outro. Para o caso, é irrelevante.

O fundamental, quanto a mim, está por fazer, e pelos sinais de fumo que nos chegam, não é para amanhã.


28 setembro, 2016

Estou farto

Sempre acreditei mais na força da competência que na competência da força. Foi com esse espírito que alimentei aquilo a que muitos chamam optimismo, ou confiança. Era assim que via cada jogo do FCPorto, porque acreditava no savoir-faire de quem dirigia este clube. Por isso desvalorizava o mau feitio de Pinto da Costa, porque sabia que era por aí que os seus adversários podiam atacá-lo, explorando-lhe as contradições, vasculhando-lhe a vida privada à lupa, promovendo investigações, violando o segredo de justiça, publicando escutas e pressionando as instituições judiciais até parirem o "processo Apito Dourado", que se revelou inconsequente. Inconsequente na acusação, mas eficiente nos efeitos secundários, ao que parece...

A verdade é que nunca imaginei que o mau feitio de Pinto da Costa se virasse contra os próprios adeptos e chegasse a ponto (agora falo por mim) de não suportar ouví-lo. Na actualidade, cada vez que abre a boca parece-me uma provocação. Só que, ao contrário de antigamente, que mexia com a dor de cotovelo dos clubes da capital do império, agora, provoca os portistas com frases ambíguas que os deixa à beira de um ataque de nervos. Ainda há pouco o ouvimos no Porto Canal (sempre, tarde e a más horas), a reconhecer que o FCPorto tinha batido no fundo, que estava a trabalhar para termos de novo uma equipa à Porto, e agora sai-se com a conversa de estarmos num período de transição, que mais não é que uma desculpa para a eventualidade de uma nova época de angústia e humilhação. Nestas condições, as probabilidades do insucesso se estenderem às modalidades e aos escalões da formação são muitas. O contágio negativo resultante de uma liderança fraca, é o inverso de uma liderança forte que motiva e empolga, costuma é ser mais rápido.

Por tudo isto, não vou perder o meu tempo nem manter a minha confiança a quem já não a merece. A partir do momento em que Pinto da Costa desistiu de liderar, sem o assumir, e sem perceber os danos terríveis que está a causar ao FCPorto, que são os seus adeptos, tudo o que vier a acontecer para o bem e para o mal, é mero totobola. Fazendo figas para que nos calhe a chave da sorte, não serei eu a felicitar Pinto da Costa. Ele é o principal problema do clube. Ser  grato pelo que ele fez no passado sou, o que não penso é que a gratidão deva  sobrepôr-se ao FCPorto, nem que navegar serenamente na sua decadência seja a melhor forma de continuar a merecê-la. 


26 setembro, 2016

Como se avalia um treinador?

A qualidade de uma marca só pode ganhar prestígio após muitos anos de testes, dependendo do produto. Alguns desses produtos, como sapatos e vestuário, podem ser os próprios consumidores a reconhecer-lhes a qualidade, usando-os.  Numa fábrica de calçado, por exemplo,  a produção passa sempre por vários sectores, começando previamente pela qualidade das matérias-primas, passando pelo design, pelo operário e finalmente pelo controle de qualidade. Já com o produto futebol a coisa não é tão simples. É talvez o único artigo que o consumidor não pode testar pelos seus próprios meios, a não ser no final de cada época, o que diga-se de passagem, é demasiado tarde para se precaver... Além de que, se o consumidor de calçado sempre pode mudar de marca, o adepto de futebol normal nunca muda de clube. E por que será?

Porque, se em cada início de época não conhece o valor do treinador e de uma grande parte dos jogadores, também não tem meios para avaliar as suas respectivas competências, excepto nos dias de jogo. Se jogam bem e ganham, não há problemas nem lugar para os porquês, apenas confiança no futuro. Quando não jogam bem e fazem maus resultados, levanta-se a suspeita e a curiosidade de conhecer as causas, instala-se. É o meu caso. E nem sequer estou a referir-me especificamente ao plantel da equipa principal do FCPorto. Refiro-me a todos os escalões de futebol, desde a formação aos profissionais, baseado nos muitos jogos que venho acompanhando.

Não devia dizer o que vou dizer, mas como há sempre quem confunda a crítica construtiva com óperas e ballets, adianto desde já que não a publicaria se visse o contrário daquilo que vejo. Portanto, como quero o melhor para o FCporto não me parece estimulante contentar-me com o sofrível. E o que é que mais critico nos nossos jovens atletas da formação que porventura devia ser extensível aos treinadores?

Primeiro: evolução com bola. O uso e abuso, de toques e mais toques na bola, depois da recepção até esbarrarem nos adversários e perderem-na, em vez de a passarem ao companheiro livre de marcação e melhor colocado.

Segundo: gestão da velocidade. Por que é que em Portugal a velocidade de jogo é tão lenta, e tardia? Por que é que só se aceleram os jogos quando já pouco tempo resta para o seu fim?

Terceiro: remates. Neste capítulo, sucede o mesmo que na evolução com bola. Contam-se às dezenas as situações em que os jogadores optam por "preparar" a bola quando esta devia ser rematada espontâneamente. O que acontece na maioria dos casos é nem sequer terem tempo para chutar, por terem-no oferecido à defesa contrária para se reorganizar, gorando assim a oportunidade de marcar.

Quarto: concentração. Quantas e quantas vezes os jogadores que têm bola são surpreendidos e desarmados pelas costas por não se darem ao cuidado de olhar com atenção para a zona periférica em que se encontram? A lentidão dos movimentos, tem também estes inconvenientes...

Quinto: desmarcações. Este aspecto está muito pouco desenvolvido. Não são raros os momentos em que o jogador que ganha a bola e desencadeia um contra-ataque, não tem a quem a passar por não haver quem se desmarque para a receber.

Sexto: força muscular/remate fraco. É outro ponto a reflectir. Grande parte dos jogadores nacionais são fracos nesta vertente. Raramente vemos jogadores com boas características para chutar e não me parece que seja um problema genético.

Enfim, se o que acabo de expôr fosse a excepção e não a regra, estas seis observações não fariam qualquer sentido nem me atreveria a cità-los, porque não tenho vocação para ficcionista. O que gostava de esclarecer de uma vez, e não vejo como - porque não sei com que convicção os treinadores corrijem e ensinam os jogadores da forma mais útil a toda a equipa -, era saber qual é efectivamente a sua influência, ou a falta dela,  nos treinos.

No futebol, só no fim do campeonato podemos avaliar a sua eficácia. No entanto, durante o seu longo percurso podemos ver as "amostras" através das exibições, sem contudo podermos saber com exactidão onde estão os erros. É estranho que tenha de ser assim, porque hoje em dia o futebol é uma indústria cara. Não pode pois, dormir em serviço, como paradoxalmente vem dormindo o patrão do FCPorto.


“Porto, nosso conforto”

Imagem de perfil de André Rubim Rangel
André Rubim Rangel

“O Porto é uma cidade de cores inclinadíssimas; podes ler debaixo de qualquer sombra – e nada encontrarás debaixo da aparente claridade. No Porto, como numa câmara escura, só o que é nocturno revela; e eu gosto disso” (Gonçalo M. Tavares, in «em torno de camélias, com um porto»).
Ao nono mês em que colaboro e escrevo, com agrado, para este jornal digital diário, é-me vislumbrado ir buscar ao baú das recordações – de textos meu antigos – uma crónica que publiquei em ‘O Primeiro de Janeiro’, por sinal coincidente a nona que fiz nesse jornal, igualmente portuense e regional. Já lá vão 10 anos e 7 meses. Mas a data não importa, mantém-se atual e serve para o que pretendo aqui reiterar. E o título dessa antiga e renovada crónica
empresta o mesmo nome a esta que aqui assino. Por três razões muito simples:
I) Fazer memória de algo passado que seja bom é ainda melhor quando não se quer esquecer, mas reviver; por isso, nem sempre é mau quando se reedita algo, não sendo portanto sinónimo de não se ter nada mais para dizer ou acrescentar.
II) Porque o sentimento sobre este meu e nosso Porto é o mesmo de há uma década que o escrevi ou de algumas décadas que nele nasci e nele sempre vivi e aprendi, embora agora esse sentimento seja cada vez mais sólido e consolidado, mais amado e revigorado.
III) E já que a ideia de reavivar esta partilha sobre o pulsar e o compulsar da sempre mui nobre e leal cidade Invicta é, assim também – em dias que Lisboa e certos deputados voltam a espicaçar o Porto (IMI.tando outras situações pretéritas) – o de reafirmar o meu apoio, estima e amizade por quem a governa, pelo presidente Rui Moreira – principalmente – e pela sua vereação ativa e pelo povo portuense, que continua a “fazer das tripas coração”.
Já diz a letra da música, com bom canto e encanto, que «o Porto é o altar da nossa fé e será eternamente orgulho da nossa gente; é minha saudade, é meu conforto e eu sinto vaidade em dizer que sou do Porto». Sinto-a como se fosse realmente minha herdade, minha identidade.
O Porto tem muito de si, uma carga medonha de História, de tradição, de cultura, de princípios e de paixão. Note-se a quantidade de letristas (poetas, músicos, escritores e pensadores) e artistas que representam e retratam o Porto nas suas obras-primas e, cada um, com seu cunho pessoal. É também esta pluralidade e diversidade que lhe dá mais riqueza e maior mérito.
Já na época Salazarista, no pós 25 de Abril – e actualmente –, encontram-se grandes e agraciadas personagens provenientes do Porto e do Norte (entidades, políticos, empresários, …). Portanto, a idoneidade sobre a capital não pode ser fora da diferença e absoluta paridade do Porto, que tem o que fez e o que construiu.
Nada lhe foi nem pode ser furtado, muito menos desbravado! De facto, o Porto precisa de uma maior centralização de poder, sem ficar estigmatizado pela regionalização e passando pela descentralização lisboeta.
O Porto é cidade e concelho, distrito e diocese demarcado de certezas, apesar do núcleo da antiga cidade pautar-se pela incógnita ainda hoje debatida: Cale (séc. II d.C.) e/ou ‘Portucale’? Eis a questão. O prefixo ‘Portus’, que surgiu ‘a posteriori’, veio reforçar a nossa nomenclatura. Tornou-se uma redundância (Porto-porto).
Enfim, é mais uma no meio de outras já obstinadas a subsistir, como “Sé Catedral” ou “Senhor Dom”. Se ambas as palavras significam o mesmo porque se emparelham? Escolha-se e diga-se uma ou outra e nunca as duas em simultâneo!
Como diz o outro: “não havia necessidade!”. E não havia mesmo.
Embora o Porto possa ser uma cidade cinzenta, caótica no trânsito, com muitas casas abandonadas, com zonas denotadas e inexistentes de planeamento urbano, não perde o sentido, nem o destino lhe é torto. Pois, o Porto é sempre o Porto!
Cidade Invicta que nos alegra e prestigia com destreza convicta! Tem um humanismo próprio, um acolhimento peculiar, uma capacidade de iniciativa determinante. Valor incessante.
Amor e labor são os dois ventrículos de ser portuense com ardor, são entrega generosa de epíteto “tripeiros”, são dois escudos que nos defendem com fulgor e sem dor!
André Rubim Rangel 
(Porto 24)

25 setembro, 2016

FCPorto conquista a 20ª Supertaça de Hóquei A. Livramento

FCPorto 13 - Centralismo - 7

Hélder Nunes, com quatro golos, Gonçalo Alves e Reinaldo Garcia, com três cada, Vítor Hugo, com dois, e Rafa assinaram os tentos "azuis e brancos", enquanto Carlos Nicolia, com três, João Rodrigues e Miguel Rocha, com dois cada, marcaram para os "encarnados".

O F. C. Porto sucede ao Sporting no historial da competição, que não vencia desde 2012/13



Nota de RoP

Foi um show de hóquei o que o FCPorto deu ontem na Mealhada. Houve garra, muita garra mesmo, técnica, velocidade, pressão e portismo a sério. 

Deu-me especial prazer ouvir os comentadores desonestos da TVI a engolir sapos atrás de sapos, cada vez que o FCPorto desmentia com golos geniais a verborreia de louvores ao clube do regime. 

22 setembro, 2016

Para quem não viu



Memorandum para quem perdeu a memória...

"Hoje em dia, o Mundo mudou e Portugal evoluiu. As realidades desportivas são outras e as SAD passaram a ser quase uma imposição de um mercado muito competitivo, mas o FC Porto permanece dinâmico e vencedor. O clube continua a representar a sua região e a servir de baluarte para os seus legítimos interesses, mas tende a espalhar a sua filosofia de simplicidade responsável e ambiciosa a todos os portugueses espalhados pelos cinco continentes. Homens como Nicolau d'Almeida e Monteiro da Costa, onde quer que se encontrem, estarão, por certo, muito orgulhosos da força que o seu esboço de FC Porto alcançou."


Nota de RoP:

Este pequeno texto sobre a história do FCPorto consta no site do FCPorto. Com que sentimento o lerá agora o Presidente Pinto da Costa? Com confiança, constrangimento, saudade, ou desencanto?

A resposta só pode ser uma: indiferença.


21 setembro, 2016

Portistas, os adeptos mais tolerantes do mundo. Até quando?


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Acho curioso, e ao mesmo tempo dramático, ler os comentários de muitos portistas àcerca da situação actual do FCPorto. Curioso, porque finalmente começam a perceber que as coisas já não são como eram há três anos a esta parte e que o timoneiro-mor do clube desistiu activamente do seu cargo, embora continue a ser pago para tal. Dramático, porque nem essa evidência pontuada por um tremendo silêncio, para dentro, e sobretudo para fora do clube, e por um deplorável (para mim) desdém com os sentimentos dos adeptos, parece bastar para entenderem que só a ele, e apenas a ele, devem ser atribuídas responsabilidades por tudo o que se está a passar. Ele é o Presidente, está no topo da hierarquia, logo é a ele, prioritariamente a ele, que os sócios e portistas em geral devem pedir explicações.

Ora, quando leio comentários com propostas relacionadas com a qualidade do plantel, que o "Presidente" devia ir buscar o treinador A, e os jogadores B, C e D, posso compreender o desespero dos adeptos porque (como eu) se habituaram a ver em Pinto da Costa um líder pro-activo e competente, mas já é tempo de cair na realidade e olhar para os problemas conforme eles são agora, e não esperar que tudo volte a ser o que foi, com os mesmos protagonistas. Os problemas de agora, já não são de ontem, vão - por este andar - para os 4 anos...

Não é fácil, nada fácil mesmo, para os portistas, atalharem caminho para resolverem este grande problema que Pinto da Costa, em má hora, e ainda em vida, nos legou de herança e sem deixar testamento. Foram muitos os anos a confiar neste homem, e com toda a justiça, reconheça-se. Se os mandatos de Pinto da Costa foram tão brilhantemente geridos, desportiva e financeiramente, por que haveriam os portistas de desconfiar? Pois é, mas como diz o ditado, no melhor pano cai a nódoa. O tempo da desconfiança começou há 3 anos atrás, foi tempo demais para digerir. Está digerido, já chega. É chegado o tempo de procurar outro "pano". Procurar com muito cuidado.

Caberá aos sócios escolherem o próximo candidato ao lugar ainda ocupado por Pinto da Costa. Sem se deixarem influenciar por propostas mirabulantes do primeiro que se perfilar, porque como sabem o lugar é altamente sedutor. Para já, os hipotéticos candidatos estarão todos em modo de espera, a ver como acaba este estranho princípio de Peter do Presidente, mas eles vão aparecer concerteza.  Antes porém, será necessário  convocar reuniões pedindo esclarecimentos sobre a situação actual do clube e colocar na ordem do dia novas eleições.

O presidente foi reeleito faz pouco tempo, tem um novo mandato para cumprir, só que a avaliar pelas aparencias ainda não percebeu que esta foi talvez a derradeira oportunidade facultada pelos sócios para se redimir dos erros cometidos nos últimos anos. Se Pinto da Costa continuar a optar por espremer até à última gota a boa fé e a paciência dos sócios mais tolerantes, sem dar nada em troca, vai comprovar a muitos que afinal não era (ou já não é) o homem astuto que todos imaginávamos. E, a gracinha pode virar-se contra ele da forma mais inesperada.

Excerto do manifesto Anti-Dantas

PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO O MUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! 

PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!

Almada Negreiros

Nota de RoP:

Numa primeira leitura, o texto parece excessivo e desajustado no tempo. Mas, olhemos bem para a Europa, unitária e não unitária, e vejamos na classificação geral, contada de trás para a frente, se não estaremos muito perto de um lugar no podium.

No pensamento de Almada Negreiros, há até uma réstea de optimismo , quando diz que "Portugal há-de um dia abrir os olhos". Eu já cheguei à conclusão que a cegueira de Portugal não tem mesmo cura. Serei mesmo um pessimista? Como poderei sabê-lo se nem eu nem o Mundo são eternos?

19 setembro, 2016

Rui Sá quer a Câmara do Porto, ou estará apaixonado?

Há uns dias atrás referi aqui  observação pouco simpática acerca do ex-vereador da Câmara do Porto, Rui Sá. O motivo da observação resultou do modo quase obcessivo como Rui Sá vem seleccionando o alvo dos seus artigos semanais do Jornal de Notícias:

o actual Presidente da Câmara, Rui Moreira. 

Nalguns desses artigos Rui Sá até poderá ter tido alguma razão, mas é tanta a insistência em atacar o autarca portuense que acabou por esvaziar-lhes o sentido, e a credibildade. Hoje, volta à carga, como se não tivesse outros temas para falar, senão em Rui Moreira. Da regionalização, por exemplo. É curioso como a questão da Regionalização parece incomodar tanto os políticos de todos os partidos, incluindo os de esquerda. Rui Sá, parece dar-se bem com o centralismo, já que tão raras vezes escreve sobre o assunto.  

É lamentável que Rui Sá para malhar no Presidente da Câmara, para não lhe reconhecer as coisas positivas (que as tem) tanto se empenhe em isolá-las do cravo de Rui Moreira e tão grosseiramente.

Afinal, o malogrado vereador da cultura Paulo Cunha e Silva foi também escolhido por vontade de Rui Moreira, não será assim? Por que raio é que ele tem de vir agora falar do Sporting? Será para ver se provoca anti-corpos aos portuenses contra Moreira? E ele? Será portista? Que eu saiba, é benfiquista, e isso não é propriamente um orgulho para os verdadeiros portuenses.


Rui Moreira agora é do Sporting?

Poderão alguns leitores ficar chocados com a pergunta. É que, de clube, não se muda! Mas, de facto, a atuação de Rui Moreira à frente da Câmara Municipal do Porto faz-me recordar o Sporting - que não o seu presidente, evidentemente... Então, porquê? Porque os adeptos deste clube são conhecidos pela expressão "para o ano é que é!". E Rui Moreira, na Câmara Municipal do Porto, também passou a ser conhecido por "para o próximo mandato é que é!"...

Poderão considerar que estou a ser injusto, dada a imagem positiva que Rui Moreira tem. Mas, analisando com pormenor, constatamos que essa imagem resulta, principalmente, das suas caraterísticas pessoais (ainda por cima em comparação com as do seu antecessor, sempre zangado com tudo e com todos). A que se alia uma imagem em alta do Porto, situação que deriva do crescimento turístico e das iniciativas de animação que devem muito ao talento do tragicamente desaparecido vereador Paulo Cunha e Silva. Mas, infelizmente, essa imagem não se corporiza em investimentos na cidade, sendo que estes não se fazem ou vão sendo repetidamente anunciados, mas... para o próximo mandato!

Para que não me acusem, mais uma vez, de estar a ser injusto, analisarei, apenas, aquelas que Rui Moreira apresentou, pomposamente, como 22 "Ideias para Ganhar e para Cumprir". E aqui a porca torce o rabo porque podem ser ideias que serviram para ganhar as eleições, mas que, objetivamente, não foram cumpridas.... Vejamos, face à limitação do espaço, algumas. "Construir um Centro de Congressos no Palácio de Cristal": nada feito, com processos em tribunais. "Criação de um Polo Logístico em Campanhã, no edifício do antigo matadouro": projeto apresentado, mas nenhuma obra efetuada. "Reabilitar o Mercado do Bolhão no prazo de um ano": Já passaram três anos e, agora, aponta-se para 2019. "Reabilitar e expandir a Biblioteca Municipal do Porto em S. Lázaro": nada feito. "Recuperar e construir novas instalações desportivas espalhadas pela cidade": não se veem. "Devolver os guardas-noturnos à cidade": nem um. "Criar um interface rodoviário em Campanhã": obras nem vê-las.

É que apresentar projetos e anunciar obras não significa realizar obras... Naturalmente que há coisas que foram feitas e algumas bem feitas. Mas, se há traço que carateriza este mandato autárquico, é o da incapacidade da Câmara em conseguir concretizar investimentos, sendo que o problema não é falta de dinheiro, dado que os cofres municipais estão recheados!

(Rui Sá/JN)




18 setembro, 2016

Bem, empatar com o último classificado não é caso maior...



...presumo que é assim que o senhor Pinto da Costa da Era do Silêncio, estará a reagir à perda de mais dois pontos, agora com o Tondela, esse potento de fair-play e futebol do nosso imaculado campeonato. 

O problema é que o FCPorto não jogou melhor. Dois remates na 1ª parte, se tanto, à baliza do adversário, explicam a ausência de golos. Na segunda parte, mais uma vez, foi nos últimos minutos que o ritmo de jogo acelerou um bocadinho, mas com um André Silva perdulário, que sem força nas pernas nem capacidade para aguentar o choque não vai a lado nenhum.

Nuno E. Santo resolveu improvisar novamente. Colocou Ruben Neves retirando o Danilo que tem dado garantias nos últimos jogos. Lançou Brahimi, um jogador que esteve até há poucos dias na iminência de sair do clube, portanto, sem qualquer entrosamento com os colegas e que, quanto a mim retira profundidade ao ataque portista. O resultado foi o que se viu.

A equipa continua lenta, sem saber pressionar alto, deixando todo o espaço aos adversários. Não aprendeu nada com o jogo anterior, pelos vistos. Não contempla o contra-ataque rápido quando tem oportunidade para isso, o que reduz as possibilidades de ultrapassar defesas muitos fechadas.

Enfim, tudo parece voltar aos tristes tempos da tremideira e da banalidade técnico-táctica. 

A cereja no tôpo de bôlo, mais uma vez, não faltou: a arbitragem. Permissiva e cumplíce com as entradas violentas, sem qualquer repreensão aos jogadores do Tondela, que sabendo do que a casa gasta (leia-se, país), usou e abusou da vigarice para ganhar tempo. Mas essa, é uma cereja que tem um responsável por falta de comparência: chama-se Pinto da Costa.


17 setembro, 2016

Que futuro para o FCPorto?

Quando o presidente do FCPorto afirma que não lê blogues, em sintonia com Júlio Magalhães (que já o disse a mim mesmo depois de lhe ter dirigido uma carta), pergunto-me, o que é que ambos costumam fazer para avaliar o feedback dos adeptos e das audiências televisivas? A resposta, não me parece difícil de intuir, embora gostasse de a conhecer pela voz dos protagonistas, para ter uma ideia cabal do que cada um pensa das respectivas responsabilidades, se é que pensam alguma coisa. Como nem um, nem outro, dão quaisquer explicações sobre a opção do silêncio, só nos resta especular, o que não creio ser a melhor solução.

Seja como fôr, fazer este tipo de declarações, é de per si, uma manifestação de enorme arrogância, e de alheamento com a realidade dos novos tempos, incompatível com o produto que ambos, cada um na sua área, deviam procurar vender. Hostilizar o mercado, que somos todos nós, é hostilizar o negócio. Assim sendo, no dia em que a altivez se virar contra eles, estarão esgotadas todas as desculpas e a tolerância também. 

O FCPorto,  particularmente os seus administradores, possuem hoje responsabilidades acrescidas em relação ao passado. Tendo optado pela compra do Porto Canal, e por uma política editorial mista (generalista e desportiva), o empenho pela sua rentabilidade devia ser explícito e rigoroso, até pelos altos custos de manutenção que um negócio de televisão sempre implica. Uma vez decidida a parceria FCPorto/Porto Canal, deviam caminhar juntos e sempre bem sintonizados num projecto comum. Ora, não é isso que acontece. Quando vemos os noticiários generalistas do Porto Canal passarem imagens (e pareceres) sobre os clubes rivais, muito semelhantes aos canais generalistas de Lisboa, enaltecendo jogadores e promovendo esses clubes, quando eles tudo fazem para nos ignorar, ou então para nos desvalorizar, é impossível acreditar na existência de uma estratégia séria ou de um projecto patilhado. É uma aberração, um flop anedótico.     

No Porto Canal não há liberdade de opinião. Por mais que me queiram convencer do contrário, os comentadores e jornalistas que habitualmente intervêm nos programas desportivos não se sentem completamente à vontade para dizer o que pensam. O próprio Bernardino Barros, que na minha opinião é o único que vai dando alguns sinais de inconformismo com o que se está a passar no FCPorto, só vai até onde acha que pode ir, porque seguramente não se sente apoiado por quem manda. Ali, todos têm medo de ir longe demais com as palavras, mesmo sentindo vontade de o fazer. Compreendo isto (tento pelo menos), mas no lugar deles faria o que a minha consciência me mandasse. Se insinuassem sequer que a lei da rolha era a filosofia da casa, despedia-me, mas punha a boca no trombone.

O problema do FCPorto de agora já foi  definido por mim há largos mêses: está no Presidente e naqueles que o rodeiam. É um facto, não vale a pena manter duvidas. O outro, consiste apenas - mas cada vez com menor intensidade - na "hibernação" dos associados com a gestão do clube, fruto de uma longa carreira de sucessos nas mãos de Pinto da Costa. Muitos (cada vez menos, note-se), ainda se acanham de o criticar, porque  lhes resta um pouco de respeito. Continuando expectantes a ver o clube ser humilhado por árbitros, pelos media de Lisboa e com a (quase) cumplicidade do Porto Canal e do próprio Presidente Pinto da Costa, vão acabar por expulsá-lo do clube, e essa seria a pior forma de resolver o problema.

Nota:
Por mais que tentem negá-lo, o Porto Canal não tem surpervisão, tudo é feito com o maior amadorismo. Há coisa de meia-hora amunciava o próximo jogo do FCPorto da seguinte forma:


          FC Porto  F.C.PORTO  TondelaTONDELA


16 setembro, 2016

Uma bomba sobre o Porto. Já!

(Recorte do JN de hoje)

A Bloomberg é uma agência americana de informação de mercados financeiros atenta ao que acontece no mundo. Não tem sede no Porto, nem é liderada por nenhum tripeiro. Não consta portanto que a notícia tenha sido inventada por portuenses, logo  não pode nem deve inspirar suspeitas, nem ciumeira...

Para os alfacinhas, imagino, uma nova destas é uma autêntica heresia. Ou então, anda aqui a mãozinha matreira de Pinto da Costa (do antigo)...


PS
É impressionante! Se o que acabei de citar fosse a chave do Euromilhões, já estava rico! Afinal eles têm mesmo ciúmes do Porto. 

Não é que a nossa querida RTP veio logo confirmar as minhas suspeitas? Antes que a notícia sobre o Porto "aquecesse" tratou de fechar o Jornal da Tarde com uma grande reportagem de moda em Lisboa, sem esquecer de referir que a capital é que está na moda

Sobre o Porto, nem uma sílaba! São uns amores.



15 setembro, 2016

Acabem com esse vício de pôr as mãos na cabeça! Chutem mais, porra!


Detesto estes gestos, são sempre maus sinais
Não gosto de analisar os jogos do FCPorto sob o ponto de vista táctico. A táctica pode variar em função de cada jogo e da equipa adversária. É área do domínio exclusivo dos treinadores que a mim, enquanto espectador, não me entusiasma muito, embora seja naturalmente importante. Já a técnica individual e colectiva dos jogadores  e os seus movimentos, são uma área relativamente simples de avaliar por qualquer amador, dado aí residir a essência do espectáculo de futebol. 

Talvez seja por isso que prefiro o futebol prático e directo dos nórdicos, talvez tenha sido isso que me deixou pouco confortável com o tempo infinito que o FCPorto levou para marcar o 2º. golo que acabou por não acontecer e que daria à equipa outra tranquilidade na partida e uma margem de manobra maior para encarar o jogo com Leicester, em Inglaterra.

Depois, começa a ser fastidioso para mim (e talvez para muitos adeptos), dar sempre o benefício da dúvida aos treinadores novos em início de época, ora porque ainda não conhece bem os jogadores, ora porque estes não o conhecem a ele, nem o tipo de jogo que pretende implantar. É que foi com esta angustiante tolerância que acabamos o campeonato passado a jogar pior do que começamos, quando esperávamos exactamente o contrário. Se juntarmos a isso a total indiferença do Presidente pelo que andamos a passar há 3 anos para cá, e do que ele próprio precisava de fazer e não fez, que era defender com unhas e dentes o clube, a mistura é insuportável.

Uma coisa reconheço, para já, em Nuno Espírito Santo: ele mudou em pouco tempo (não totalmente é certo), aquela coisa chata e pastosa do passe para trás e para o lado que nem Peseiro teve talento para mudar. Mesmo assim, há coisas que não se percebem e que só os próprios treinadores saberão responder. Por exemplo, por que é que uma equipa a jogar em casa, a precisar de ganhar, teoricamente mais forte que o adversário, com o jogo empatado e com tempo suficiente para dar a volta, não consegue imprimir mais velocidade e objectividade ao jogo? Por que é que passam a bola devagar, devagarinho, sem intensidade, deixando avançar os ponteiros do relógio a um ritmo que só interessa ao adversário? Ok, foram os jogadores que decidiram assim. Então, qual é o papel do treinador nessas situações? Não terá meios de ordenar recados com o jogo a decorrer para fazer acelerar o jogo?  Não p e r c e b o!

Outra questão, ainda relacionada com a anterior, é execução das desmarcações, muito previsível, portanto, simples de contrariar pelos adversários. Ontem, os dinamarqueses tiveram todo o tempo do mundo para bloquear os movimentos de ataque portista porque foi sempre demasiado lento, com excepção dos últimos 10 minutos. A jogar assim em Inglaterra, não pontuamos sequer, e quando formos à Dinamarca não dou como certo um bom resultado. A parcimónia que os jogadores mostraram para chutar à baliza é de fazer irritar um morto! Por que é, por que terá de ser assim? Não haverá solução? O que é que se está a passar no nosso clube que agora só nos complica a vida? O que é que Sua Alteza Real, o senhor reverendíssimo Pinto da Costa pensará desta onda gigante e infinita de dificuldades que quando começam nunca mais acabam, ou quando acabam, rebentam?

Caro Nuno, foste jogador do Porto, não saberás o que é preciso fazer para dar fibra aos teus jogadores? Vá lá, prova-nos que és diferente dos outros, prova-nos que nem que seja por acaso, o Presidente ainda tem alguma serventia para o FCPorto.

Nota: A introduçãodo Brahimi pode resultar, mas pessoalmente penso que o homem não tem alma para jogar num clube com o FCPorto. É um jogador naturalmente triste, não acredito que passará a jogar para a equipa.


14 setembro, 2016

Barroso o cherne pôdre

Pedro Ivo de Carvalho
Furão Barroso

Há múltiplas razões para assistirmos de boca aberta ao degradante espetáculo público que se seguiu à contratação de Durão Barroso para o banco de investimento Goldman Sachs, mas há uma em particular que pinta o caso de tons ainda mais surrealistas: a desfaçatez com que o ex-presidente da Comissão Europeia (CE) e ex-primeiro-ministro de Portugal se queixa de estar a ser vítima de discriminação por parte de Bruxelas. Estava à espera de quê? Da generalizada compreensão da opinião pública europeia? De palmadinhas nas costas dos principais dirigentes políticos? "Fez bem, senhor Barroso, isto não passa de uma ardilosa maquinação para o prejudicar a si e à Goldman Sachs".

Bruxelas não quer perseguir Barroso nem a gigante multinacional para onde foi destacado. Bruxelas quer, Bruxelas precisa, é de dar-se ao respeito. O mais lustroso tapete vermelho de que Barroso poderia beneficiar não foi Jean-Claude Juncker quem lho tirou, quando equiparou o antecessor no cargo a um mero lobista que terá de ser revistado tal e qual uma empregada de limpeza sempre que entrar no edifício-sede da CE. Foi o próprio Durão que dele abdicou, ao tropeçar nos pés e numa desmedida ambição pessoal. Esse tapete vermelho chama-se prestígio, credibilidade, honra, seriedade.

Porque o "sim" de Durão à Goldman Sachs não o vincula só a ele. Arrasta a União Europeia para a lama, arrasta, até, o nome de Portugal para esse terreno pantanoso onde germinam, alegremente, interesses políticos e económicos. Barroso não é inocente. E muito menos burro. Está, por isso, consciente de que, daqui a 20 ou 30 anos, não será apenas lembrado como o primeiro português a presidir à CE, mas também e sobretudo como o presidente da Comissão que saltou diretamente para uma empresa que se alimentou da especulação financeira durante um período que coincidiu com uma violenta crise económica no Velho Continente; e que essa mesma empresa ajudou a maquilhar, durante anos, as contas públicas da Grécia, com os resultados conhecidos.

Durão escolheu o caminho. Aliás, não podemos retirar da equação o papel que lhe foi destinado pelo novo patrão: usar a experiência acumulada para mitigar os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia (já agora: o desplante é tanto que o negociador do lado de Bruxelas é nada mais nada menos do que Michel Barnier, ex-comissário na equipa de... esse mesmo, Durão Barroso).

O agora assalariado da Goldman Sachs não pode esperar ser tratado como um estadista quando preferiu ser um lobista. Não pode querer passear-se altivo pela Europa com o nome "limpo" depois de ter optado por "sujar" a imagem com um emprego que o desqualifica enquanto decisor político. É como querer estar de bem com Deus e com o Diabo. Ora, isso é incompatível.

EDITOR-EXECUTIVO-ADJUNTO



Links de interesse

Governo falha acordo e Câmara pede 20 milhões à Banca
Rui Gomes da Silva alvo de processo disciplinar



Sobre a primeira notícia ocorre-me apenas dizer que não queria ser Presidente de Câmara em Portugal, por nada deste mundo. 

Quem ainda não percebeu que o centralismo é a causa principal pelas situações discriminatórias com o resto do país, não perceberá nunca. Não se deve contudo falar de centralismo de uma forma abstracta, porque ele tem gente a orientá-lo, facilmente identificável. Teve no passado, e tem no presente: foram todos os 1ºs Ministros deste país colonialista.  

Como criticar Rui Moreira por projectar um pedido de financiamento quando o(s) governo(s), este e o anterior, não assumem os seus compromissos com as autarquias? Como podem os autarcas avançar com as obras?

Razão tinha o falecido presidente da Câmara da Maia, Vieira de Carvalho, quando dizia que se estivesse à espera dos governantes para avançar com as obras, a Maia ainda estava na idade média. E se a Maia progrediu deve-se a ele, não aos governantes. Portanto, não são as autarquias as principais responsáveis pelo atraso do país, e sim os governos centralistas.


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Quanto à notícia dessa peçonha nominada Rui Gomes da Silva, símbolo do que de pior tem a classe política, quero ver para crer, que é como quem diz, vou esperar sentadíssimo até ao silêncio habitual, vulgo, prescrição. Como tal, cheira-me a esturro... Há aqui gato escondido, e só lhe veremos o rabinho daqui a uns tempos. Aguardemos.

  

13 setembro, 2016

Porto, num sábado à tarde




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Pouco passava das duas da tarde de sábado, já a Rua Cândido dos Reis se apinhava de gente. Do outro lado da Rua das Carmelitas formavam-se filas para adquirir bilhetes para visitar a Livraria Lello. Quem diria que isto viesse a ser possível só para entrar numa livraria...

Foi um grande prazer constatar que, ao contrário do que aconteceu nos dois mandatos de Rui Rio, e que justificou a criação do blogue As Casas do Porto, agora já começam a surgir com alguma normalidade várias casas restauradas. Ainda faltam muitas outras,  é certo, mas ninguém de boa fé pode negar a diferença.

É por isto, mas também pela particular atenção de Rui Moreira com a cultura, que não consigo perceber certos políticos que já passaram pela Câmara do Porto, como Rui Sá, que só sabe ver defeitos na gestão de Rui Moreira, mas não é capaz de lhe vislumbrar as virtudes. 

Com Rui Rio e enquanto se manteve na Câmara, nunca lhe vi semelhante obsessão.  Só no JN, os artigos contra Rui Moreira são uns atrás dos outros.

Nota: As fotos foram tiradas com o telemóvel, não têm a nitidez desejada mas servem para o efeito pretendido.

11 setembro, 2016

Leiam este livro e retirem as vossas próprias conclusões

Capa
Contra-capa

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Posso garantir que não recebo qualquer comissão pela propaganda a este livro, e que nem sequer conheço o seu autor. 

A curiosidade maior - talvez a mais esclarecedora - advem do facto de todos os políticos constantes da lista de convidados para reuniões claramente secretas, as desvalorizarem... 

A equipa e o treinador, cumpriram. O presidente, ainda não...

Layún foi, mais uma vez, muito influente no bom jogo colectivo

Insisto no tema. Insistirei sempre, enquanto não notar uma reacção clara de rejeição contra arbitragens venenosas da parte da cúpula directiva do FCPorto. 

O FCPorto de Nuno Espírito Santo inspira-me confiança.

A equipa é combativa,  já não tem medo de atacar, nem lateraliza tanto o jogo como acontecia no passado recente. Quem não é mesmo nada combativo, é o corpo directivo do FCPorto, onde se destaca a figura do presidente, omissa e permissiva com a hostilidade das arbitragens, claramente empenhadas em prejudicar o nosso clube e beneficiar os clubes da capital. Tal é a mudança, que às vezes até parece cumplíce dos árbitros. Há coisas que, por mais controlados que possamos ser não se podem tolerar. 

O critério que sustentou os dois golos do Sporting e lhe facultou a victória na jornada anterior já não foi seguido ontem no Dragão. Como a bola entrou na balisa adversária do FCPorto, então muda-se de chip e invalida-se o golo. É óbvio que, de tão traiçoeira que é, a tese da "mão na bola/bola na mão" encaixa na perfeição nos planos dos clubes da capital para pressionarem os árbitros cobardes. Porra! De que estão à espera os "lideres" portistas para falarem de coisas sérias! Andam a inaugurar casas do clube como se tudo corresse dentro da normalidade, a falar do orgulho nortenho e contra o centralismo, e são incapazes de abrir a boca para o combater frontalmente. Que valentia é essa?

Pronto, ganhámos, está tudo bem quando acaba bem. E se não tívessemos marcado mais nenhum golo além do que foi mal anulado, como seria? Como é que nos deixamos embalar por critérios tão demagógicos? Será que Pinto da Costa está a fazer tudo para perder o respeito e para arrastar com ele o FCPorto? Achará ele que é assim, com esta postura de homem vencido, subserviente, calado, que está a ajudar o clube? Não lhe bastaram três anos de deserto, desportivo e até financeiro na última época, para perceber que assim não vai a lado nenhum?

Repito: que os jogadores se apliquem, deixem a pele em campo para vencer, tudo bem, é essa a primeira condição para jogar no  FCPorto. Agora, que pensem que os jogadores têm de extrapolar essas obrigações para competências que não são as suas, é um abuso, uma demissão cobarde de quem está no topo da pirâmide com falta de memória...  

08 setembro, 2016

O cancro que democracias postiças não podem curar

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É um problema antigo, este. Na história de Portugal não consta uma única data, um espaço temporal que registe sequer um simulacro de descentralização. Só promessas, todas elas das mesmas fontes e com os mesmos obectivos: partidos políticos e engôdo para campanha eleitoral. 

Contudo, a Regionalização consta(v)a da Constituição da República Portuguesa de 1976 no "chato" artº. 256 que cedo (em 1997) foi adulterado na 4ª revisão constitucional nos seguintes pontos:

  1. A instituição em concreto das regiões administrativas, com aprovação da lei de instituição de cada uma delas, depende da lei prevista no artigo anterior e do voto favorável expresso pela maioria dos cidadãos eleitores que se tenham pronunciado em consulta directa, de alcance nacional e relativa a cada área regional.
  2. Quando a maioria dos cidadãos eleitores participantes não se pronunciar favoravelmente em relação a pergunta de alcance nacional sobre a instituição em concreto das regiões administrativas, as respostas a perguntas que tenham tido lugar relativas a cada região criada na lei não produz efeitos.
Destes factos, devemos retirar, pelo menos, duas ilações, sem grande margem de erro. A primeira, confirma que o regime português tem muito pouco de democrático, e a segunda diz-nos que o nosso povo é, na sua grande maioria, politicamente analfabeto e limitado intelectualmente.




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O orgulho "pátrio" fica-se por aqui...