26 maio, 2017

E depois do adeus?

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Era mais que previsível: Nuno Espírito Santo deixou o FC Porto. Fomos daqueles que de há muito criticava seriamente a competência e perfil do treinador para dirigir uma equipa da grandeza do FC Porto.
Isto quando a sua estrutura e funcionalismo adjacente se mantinha muda e queda em relação à eficiência do técnico. Esta, optou por uma estratégia cega de apenas insistir nos desmandos da arbitragem, desfocando o núcleo da acusação que era uma incapacidade quase congénita de entender que um qualquer treinador não pode orientar uma equipa da grandeza do FC Porto como se o fizesse com uma que lute para não descer ou que combata pela Liga Europa.
Os resultados estão à vista: mais uma época sem ganhar nada! Isto embora o próprio técnico clamasse pela necessidade imperiosa de vencer algo.
Ou seja, como S.Tomé, os adeptos deviam olhar para o que ele dizia e não para o que fazia…
Mas foi só ele o culpado? A responsabilidade recai, em primeiro lugar, para quem o escolheu, pois devia saber que não tinha o perfil para vingar no FCP. Devia saber que em época e meia no Valência obteve 25 empates!
Ora, nos dragões, um empate equivale a uma derrota. E nunca o avisaram que sem esta ideia não pode liderar o clube!
Assim, sendo este o seu perfil, dificilmente servia para liderar os dragões. Noutros tempos, o líder portista não autorizaria esta contratação. Agora, não sabemos o que se passa na direção do clube…Por isso, nos abstemos de tecer comentários.
O próximo treinador terá de ser alguém com títulos ou que tenha dado provas de ser um ganhador. Exibições e resultados é o que se exige!
Não pode é, como aconteceu com o agora ex, jogar às arrecuas no último jogo quando nada havia a perder nem a ganhar.
Mais que Espírito Santo o FC Porto precisa de alma. Ao fim e ao cabo, a tal mística que só os títulos dão. E que se perdeu.
Será que vai voltar? Aguardemos…
(de: Manuel L. Mendes/Porto24)

25 maio, 2017

Palpita-me que a inveja da partirarite não vai compensar...

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Obs. de RoP:
Quero-me rir se o cerco cerrado que os dignos autarcas da CMPorto estão a montar a Rui Moreira não passar de um grão de areia a querer parir uma formiga... 

24 maio, 2017

Baluartes tardios é melhor que nada, mas não brilham

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Numa época em que a tecnologia  da comunicação atingiu padrões nunca antes imaginados, é lamentável e um tanto paradoxal que a vertente humana da proximidade esteja a perder o melhor que ela pode dar, que é a genuidade. 

Com todos os inconvenientes que o clubismo do futebol comporte, isso também também pode funcionar como factor congregador. É talvez o único fenómeno global capaz de dissipar, ainda que por momentos, as assimetrias sociais. Creio não me enganar se disser que todos nós, portistas, vemos espontaneamente um amigo em cada pessoa vestida com a camisola do FCPorto, sem nos ralarmos com o seu estatuto social.

O contrário também é verdade, olhar na rua para um tipo vestido de vermelho, faz-me logo mudar de passeio. Assim como ver alguém a ler A Bola, me leva a concluir tratar-se de alguém intelectualmente limitado e de formação duvidosa. Que querem, é o fruto dos anos que essa gente mesquinha consumiu a semear ódio. De uma coisa podemos estar certos, são eles que nos discriminam, são eles que injuriam, e é por causa deles que os incompetentes dos políticos nos desgovernam. Mas, há entre nós quem não seja muito diferente...

Como ontem foi dito no Porto Canal, no programa Universo Porto da Bancada, os portistas e os adeptos de outros clubes nacionais - à excepção do clube beneficiado -, andam a pagar as falcatruas do presidente do Benfica quando (digo eu) deviam unir-se para acabar com essa brincadeira. Brincadeira é como quem diz, com essa humilhação nacional.

É neste ponto preciso que encontro algumas divergências com o que Francisco J. Marques tem vindo a fazer ultimamente. A época terminou, e não me parece que faça sentido continuar com aquele modelo de programa. O campeão, está encontrado, com as tropelias que sabemos. Por isso, só fará nexo manter o programa se fôr para lhe acrescentar qualquer coisa, por exemplo, para comunicar aos adeptos o que pensa o FCPorto fazer para se defender dos danos causados.

Estou-me a repetir, mas a culpa não é minha, é do FCPorto, mais precisamente de quem o dirige. Salvo melhor interpretação, os factos que sustentam as queixas portistas não são para esquecer, nem muito menos para conceder aos transgressores mais uma época de tolerância, porque aqui não existe o benefício da dúvida, como aliás provam, e bem, as imagens do Porto Canal.  E, das duas uma, ou estamos a falar a sério de coisas sérias, ou o programa UPB não vai passar disso mesmo, apenas um programa.

Os jovens do site portista Baluarte, tão veemente elogiados por Francisco J. Marques, são benvindos à comunidade, mas não descobriram a pólvora, porque na blogosfera não faltam blogues que se anteciparam na denúncia destas poucas vergonhas. E não creio que fique bem a alguém com a responsabilidade de FJMarques tecer loas à formação académica dos autores do Baluarte, quando o que está em causa é a defesa do FCPorto, e não um concurso de bloggers portistas. Pela mesma ordem de ideias, também os bloggers teriam legitimidade para escolher outro juri. Agindo desta maneira, um tanto incauta, FJMarques está a discriminar todos os bloggers portistas que gratuitamente, repito, gratuitamente, passaram anos a defender o clube e... o seu PRESIDENTE!

São atitudes desta natureza que nos devem fazer reflectir sobre o que descrevi no início deste artigo, quando expus a ideia, algo ingénua, é certo, de pensar que o clubismo é um fenómeno que efemeramente atenua certos tiques elitistas... Diga o que disser, Francisco J. Marques não foi correcto com muitos portistas, entre os quais me incluo. Por mais voltas que dê, duvido que algum dia o programa UPBancada permita uma crítica frontal e construtiva ao presidente do FCPorto, porque pelo que me é dado perceber, não há liberdade para tanto. 

23 maio, 2017

Vamos falar claro sobre o centralismo?



É verdade. Quando este monstrozinho estende as garras, quando começa a arranhar bem fundo o povo do futebol, aí sim, o centralismo existe mesmo, adquire importância, e desperta a atenção que afinal sempre devia merecer. Não será por acaso, embora não deixe de ser um sinal de inépcia, que lisboetas e benfiquistas são maioritariamente contra a regionalização. Uns, porque beneficiam directamente com isso, e outros, porque ignorando o mal que provocam às  suas regiões de origem (alguns são do Norte), optam por estar com o clube. Num país de gente civilizada isto é impossível.

Mas, afinal, o que é o centralismo? Por que só agora é que começamos a ler comentários sobre o assunto, quase em exclusivo nos blogues portistas? É simples: porque sofreram na pele o efeito da sua acelerada implementação. Centralizar, é antes de tudo fazer batota no modo de governar um país, é tornar a desonestidade uma coisa natural. É discriminar, é exercer a injustiça em todas as suas vertentes: na ética, na moral e no exemplo. No futebol, o centralismo tem mais dificuldade em se esconder (que o diga, António Costa), e só por isso é que já começa a levantar suspeitas e... apreensão.

Chamemos os bois pelo nome, e não tenhamos medo de ser politicamente incorrectos. Os leitores acham que são os adeptos comuns, os que seguem o FCPorto no futebol, nas modalidades, em casa ou nos estádios, quem têm o dever e as ferramentas para lutar contra o centralismo? Seguramente que não. Nós, aqui na blogosfera, só podemos dar um pequeno contributo, porque os meios são escassos e de irradiação restrita. Mas, o FCPorto, que é propritário do Porto Canal e tem recursos financeiros, podia, ou não fazer muito mais pela descentralização?

Eu, não só o afirmo, como tenho a certeza que podia fazer mais. Promovendo debates temáticos com protagonistas livres, sem amarras a jornais, a negociatas obscuras, a compromissos não declarados, a conveniências. A verdade, é que o Porto Canal limita-se a ser simpático com outras regiões, deslocando para lá repórteres, abrindo agências, mas não promove o tema, não o desenvolve, denunciando a perversidade do centralismo. Não informa.

Algumas vezes até, roça a contradição, chama a si protagonistas indesejáveis, alguns dos quais anti-portistas e anti-regionalistas que nenhuma relevância têm para o país. Não é selectivo, não inova, nem agita. Não desafia os políticos, não os persuade a aderir em favor da causa, limita-se a ouvir calmamente a sua linguagem trapaceira e defensiva.

O Porto Canal precisa de temas? Mas, é coisa que não falta. Que pergunte aos políticos, sem lhes dar ensejo a respostas manhosas, como explicar que a segunda cidade do país tenha perdido protagonismo e até autonomia, com o 25 de Abril,  com a "democracia", comparando com o passado salazarista? Perguntem-lhes se isso é evoluir, ou regredir, se é uma vantagem, uma conquista da Democracia? Mas não aceitem nunca a negação dos factos.

Bancos, como o BBI (Banco Borges & Irmão) e o BPM (Banco Pinto Magalhães) puderam abrir as suas sedes no Porto, agora, em liberdade, nada têm. Rádios, jornais, tudo se esfumou, até o JN agora está nas mãos de lisboetas. Querem audiências no Porto Canal? Pressionem-nos, obriguem-nos a largar a máscara, vão ver que aos poucos as coisas mudam. Saber quem é responsável por esta regressão, é fundamental, e embaraçá-los também. Políticos ou empresários do norte, forcem-nos a tomar decisões, em vez de possibilitar desculpas. Incomodem-nos!

Têm medo? Por quê, se em Lisboa há carta branca para produzir o que de mais ordinário e divisionista existe na programação televisiva do país? Se fôr preciso, apresentem provas, como fazem agora no futebol com o Universo Porto da Bancada, é tão simples. 

É que, se o senhor Pinto da Costa voltar a queixar-se do centralismo e a permitir ao mesmo tempo a entrada em estúdio (ou no Dragãozinho) a gente que não merece o mínimo de respeito, a centralistas doentes, então teremos a prova acabada que nunca mais restauramos o Porto da dignidade que o simbolizou.

Não me esqueço. O presidente Pinto da Costa disse que não lê blogues, mas talvez aprendesse alguma coisa se soubesse que aquilo que o Universo Porto da Bancada está agora a fazer, já nós aqui e noutros blogues denunciamos. E de borla... Se quiserem podem pegar nas ideias acima expostas e avançar. 

Prometo que não cobro royalties. Mas, mexam-se! Com o tempo, vão chegar à conclusão que o silêncio às vezes pode ser veneno. 

22 maio, 2017

O Porto, precisa de um FCPorto mais político

Já me tenho interrogado várias vezes da razão que me leva a envolver-me de forma tão intensa com o FCPorto. A primeira resposta que encontro tem a ver com o gosto pelo futebol e a relação feliz que o nome deste clube tem com a cidade onde nasci. 

Começou muito cedo esse amor, ainda na infância. E não estava só, partilhava-o com os amigos daquele tempo maravilhoso. Eramos enraizadamente Porto, sem ainda sabermos a dimensão genética do termo, mas tínhamos todos bem dentro de nós o mais importante: o sentimento. Outros clubes existiam, mas para mim só o Porto interessava. Nem o efémero sucesso europeu do Benfica beliscou o meu gosto, continuei sempre fiel ao clube da minha querida e única cidade. Curiosamente, numa época em que era proibido falar de democracia, nunca senti a repulsa que tenho hoje por esse clube, e até gostei que tivesse ganho os dois únicos troféus europeus que tem no palmarés.

Mas hoje, o meu interesse pelo FCPorto é mais amplo, mais circunspecto, mais político, se assim se pode dizer. E é essa vertente da paixão, mais racional e pragmática, que gostava de ver consolidada em todos os meus amigos portistas, porque isso ajudá-los-ia a distinguir o sentimento da razão, quando é preciso separá-los, sem nunca os danificar. Respeitando os sentimentos de cada um, talvez tenha chegado o momento de não confundir o FCPorto com Pinto da Costa. 

Ninguém que acompanha este blogue me pode acusar de não ter elogiado o trabalho notável do ainda presidente do nosso clube. Quando nos tentaram matar com o processo Apito Dourado, defendi-o com unhas e dentes porque sabia que aquilo de que o acusavam outros faziam pior, e que não era mais do que uma conspiração nojenta do regime. Promovi uma petição para afastar Carlos Daniel e Cª. da RTP,  pelo trabalho imundo e cobarde que fez ao nosso clube, sendo ele funcionário do Estado. Enfim, não fiz mais porque não pude. 

Portanto, nada que eu possa dizer de negativo de Pinto da Costa reporta à pessoa em si mesmo, mas ao papel dele enquanto presidente nos últimos anos. Importa desde logo questionar, que justiça analítica pode haver quando se concentra num só homem o sucesso de um clube, assente no  mérito e na liderança, a ponto de ser quase endeusado, e se desprezam essas prerrogativas para não termos de aceitar que esse homem atingiu o princípio de Peter? Porque já não revela as mesmas faculdades. Se é evidente que o clube que ele tanto ajudou a progredir se descaracteriza a olhos vistos? Que deixou de ser respeitado? Em futebol, num clube com o histórico do FCPorto, quatro anos de insucessos podem mesmo conduzí-lo à falência. E neste capítulo, não vou alongar-me mais.

Se bem entendo, os adeptos vivem o temor de vazio. Receiam que a saída de Pinto da Costa possa provocar o caos, mas esse é um risco que temos de correr, e quanto mais tarde o fizermos pior. Já lá vão 4 anos a perder, e não foram só troféus. Foi prestígio, e internamente, respeito! Esta é para mim, a falha mais grave e intolerável de Pinto da Costa para com o próprio clube. 

Dizem alguns, com meia razão, que ninguém aparece a candidatar-se ao lugar de presidente. Pergunto: mas não será exactamente por respeito ao actual que isso acontece? Aliás, devia ser Pinto da Costa a assumir a responsabilidade pelo que se está a passar e promover eleições, reconhecendo que já não tem condições físicas e anímicas para liderar. Neste contexto, era assim que ele devia agir, evitando que os pontenciais candidatos viessem a ser acusados de querer desestabilizar o clube. Não o fazendo, é muito provável que isso possa mesmo acontecer. Não é impossível.

Agora, há sem dúvida um aspecto fundamental que não podemos negligenciar e que exige critérios escrupulosos, que é saber quem lá vamos meter. Candidatos, descansem, não vão faltar, e os oportunistas vão estar em maioria. Portanto, nada de votar como se vota na política, sem sabermos de que planeta virá o candidato. Este país está cheio de corruptos e oportunistas (mesmo no Porto), e se não tivermos muito cuidado na escolha até podemos lá meter, sem sabermos, um vermelho... Estes gajos qualquer dia dizem que o Porto é deles. Têm lata para tudo. 

Surriparam-nos rádios, bancos, jornais, e negaram-nos televisões. Só lhes falta mesmo é roubarem-nos a alma. Esqueçam as lendas da história. Esqueçam o síndrome da hispanofobia. Os maus ventos e maus casamentos, sopram todos de Lisboa, a cidade mais torpe e divisionista do mundo. Será por isso que eles nos querem invadir? 

Queira Deus que nunca mais lá tenha de pôr os pés. Nunca lhe sentirei a falta, até morrer. 

20 maio, 2017

Recapitulando erros dos dirigentes do FCPorto

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Os portistas estão cansados de escândalos. Mesmo que habituados a ver os rivais de Lisboa usarem todo o tipo de estratagemas para os derrubarem, sempre puderam contar com a combatividade do presidente para encabeçar a defesa do clube. 

Esse cansaço nunca os impediu de aguentarem escândalos como o processo Apito Dourado e os efeitos secundários dos respectivos cães de fila instalados na comunicação social, mantendo-se sempre ao lado de Pinto da Costa, apoiando-o mesmo quando ele se rodeou de companhias pouco recomendáveis. Tudo aguentaram, confiando que o homem do leme nunca fosse baixar a guarda e desistisse de zelar pelos interesses desportivos do FCPorto. Os portistas sempre souberam estar à altura do presidente que tinham. Nada mais se lhes podia exigir, foram PORTO, na interpretação mais pura do termo. Só que, mais uma vez, o presidente não correspondeu, e hoje é ele que não está à altura dos adeptos.

Os protagonistas deixaram de cavalgar a mesma onda. Uns (os adeptos), continuaram a puxar pelo clube, a gastar o que não tinham, para acompanhar o FCPorto em todo o lado, os outros (dirigentes), não responderam à altura das circunstâncias, fechando-se em si mesmo, e afastando-se, numa altura em que os adeptos mais precisavam de os ouvir.

Arbitragens metodicamente prejudiciais para o FCPorto e descaradamente favoráveis ao Benfica, a par de alguma instabilidade exibicional produziram efeitos psicológicos no trabalho dos jogadores resultando na perda de mais um campeonato. Tudo isto misturado com o silêncio do presidente e a postura demasiado permissiva do treinador, incapaz de reagir às adversidades com a contundência que se impunha tornaram impossível criar nos jogadores a mentalidade combativa que se esperava, acabando por fracassar nos momentos cruciais.

Pessoalmente, não tenho a menor dúvida que a intimidação foi a chave mestra da estratégia para perturbar o trajecto competitivo do FCPorto. Inspirados no historial passivo dos dirigentes portistas patente nas últimas 3 ou 4 temporadas, os árbitros sentiram-se confortáveis para prejudicar o FCPorto. É mais que óbvio que não o fizeram por mero sadismo, fizeram-no por clubite, e sobretudo pela falta de personalidade que parece ter-se instalado nas pessoas com cargos de responsabilidade deste país, ou seja, optaram por ajudar o clube política e mediaticamente mais "poderoso".  

Começaram por quebrar o lado combativo dos nossos jogadores, marcando faltas sucessivas sempre que davam luta. Bastava acentuarem um pouco a agressividade para imediatamente lhes serem exibidos cartões. Isto passou a ser uma constante nos jogos do FCPorto e os adversários foram os segundos protagonistas a percebê-lo interpretando a situação como um salvo-conduto para infringirem as regras do jogo sem a devida punição. A partir daí, todos os adversários copiaram a "táctica" da sarrafada, provocando faltas sucessivas, dentro e fora da área, a maioria das vezes sem qualquer admoestação dos árbitros. O silêncio dos dirigentes do FCPorto fez o resto, funcionando como estímulo para complementar os assaltos à mão armada praticados pelos adversários. O que podiam eles (dirigentes) esperar de um país como Portugal, onde a aversão à legalidade faz a regra?

Tarde e a más horas  (repetirei isto até que a voz me doa), alguém dentro da administração, por iniciativa própria ou de terceiros, decidiu então ordenar a realização do programa Universo Porto da Bancada onde se pôs a nu as arbitragens miseráveis e toda a incompetência dos órgãos federativos, numa espécie de remissão pelas falhas inexplicáveis, presidente incluído.

Sintetizando, nem o programa Universo Porto da Bancada, sendo pertinente, será suficiente para remediar o que já não tem remédio, nem terá qualquer utilidade objectiva se não fôr acompanhado de uma acção judicial empenhada às mais altas instâncias da Justiça. Será uma vergonha, o fiasco assumido por quem devia liderar em vez de simular liderança. Será cuspe solto pela boca de Pinto da Costa sobre o seu próprio currículo. Mas isso, é um problema seu. Cuspe no FCPorto, é outra conversa, pode ser traição.

O FCPorto não é propriedade privada de Pinto da Costa, Família & Companhia. É dos sócios, e de todos os portistas. Nunca imaginei ter de escrever um memorandum destes.

PS-O grave deste divórcio mal assumido entre adeptos e Pinto da Costa, é o efeito dominó que ele provoca nas outras modalidades (o FCPorto perdeu por um golo no andebol com os adeptos do pó, e o árbitro mais uma vez deu uma grande ajudinha).   

19 maio, 2017

Campeonato no papo, surge a justiçazinha...

VIEIRA INVESTIGADO HÁ 8 ANOS EM BURLA AO BPN

Inquérito Empresa do presidente do Benfica recebeu mais de 12 milhões de um crédito obtido deforma fraudulenta por outra sociedade
Clicar na imagem para ampliar (com cuidado, corre risco de contaminação)

Coincidências, meus senhores, tudo não passa de coincidências... 

Numa jornada em que o Benfica já não corria o risco de perder o campeonato (porque já estava ganho com a dignidade que sabemos), são marcados dois penalties limpos a favor do FCPorto. Antes disso, foram poupados aos nossos adversários umas dezenas deles ainda mais evidentes, a par de multiplas faltas para cartão amarelo e vermelho igualmente evidentes... 

A outra coincidência, foi a publicação desta notícia apenas agora... Uma investigação com a idade de 8 anos só foi anunciada depois de garantido mais um nobre campeonato para o clube do regime.

Palavras, para quê? Apenas concidências...

17 maio, 2017

Partidites e intriguices

Rui Moreira

Como as ovelhas não se tosquiam a si próprias, também os partidos políticos considerar-se-ão sempre insuperáveis. À medida que acentuam a indisponibilidade para se auto-regenerarem, mais frequente é o discurso da insuperação. Entende-se o instinto de defesa, mas lamenta-se que seja tão básico. 

Os políticos padecem todos de um grande defeito: acham-se mais inteligentes do que na realidade são. Se fossem inteligentes tinham mais respeito pelo povo, e governavam melhor. Não é preciso ser-se sobredotado para perceber que para atingir determinado desígnio, seja este de cariz ideológico, social ou político, é sempre indispensável uma organização. Se lhe chamamos "partido", movimento ou associação, é irrelevante, porque o que interessa é a reputação que lhe damos enquanto parte activa da mesma. Em vez de se acharem incompreendidos e insubstituíveis, os actores públicos deviam, antes de mais, interrogar-se sobre a ideia que eles próprios têm do serviço público, e só depois decidirem se têm ou não, perfil para a função. Cá para mim, suponho que nunca se deram a esse trabalho...

Mas, vamos à política que nos interessa.

Rui Moreira tem feito um trabalho apreciável na Câmara do Porto, é um facto, sobretudo na área cultural. É quase consensual. Não tem qualquer comparação com Rui Rio, para melhor, claro. Mas, ainda tem muito para fazer. Povoar mais o centro do Porto, restaurar o mercado do Bolhão (em curso) e prosseguir na reabilitação urbana que, reconheça-se, nunca foi tão dinâmica como agora.

Rui Moreira quis entrar na política livre do estigma negativo dos partidos e consegui-o. Foi suficientemente hábil para aceitar o apoio dos partidos, sem nunca dar sinais de lhes querer prestar vassalagem. Neste difícil percurso soube entender-se com Manuel Pizarro, e este com ele. Tudo parecia funcionar bem, até que de Lisboa começam a ouvir-se do PS umas indirectas pondo em aparente concorrência a importância de Moreira versus PS. Do PS Porto, o vermelho Manuel dos Santos atiçou mais a fogueira insinuando, entre outras aldrabices, que Moreira tinha a promessa de António Costa que lhe garantia um lugar no Parlamento Europeu.

Resultado: Rui Moreira decidiu avançar sozinho para as próximas autárquicas, arriscando-se a perder a reeleição. Por seu turno Pizarro, encurralado, vê-se na obrigação de concorrer à Câmara, agora contra o seu anterior Presidente. Tudo isto ainda está muito mal contado, mas seja como fôr, os directórios patidários voltaram a provar a sua veia corporativista na procura desesperada de lugares, sem levarem em consideração o mais importante: os portuenses.  Por outro lado, o PS acabou por lançar para a fogueira Manuel Pizarro, colocando-o nitidamente entre a espada e a parede, forçando-o a cortar relações políticas com Moreira.

Mesmo assim, conhecendo o que são os partidos em Portugal, com os militantes sempre mais atentos ao ego e à ambição do que aos problemas do povo, considero corajosa a decisão de Rui Moreira, porque corre sérios riscos de perder a Câmara.  Sejamos realistas: é impossível ser-se totalmente independente na vida, e na política a impossibidade é ainda maior. Agora, o que não podemos negar é que não falta coragem a Rui Moreira. 

Esta, é seguramente a faceta que mais aprecio do homem.   


15 maio, 2017

Esclarecimento


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Há coisas, por mais naturais que pareçam que custam muito a compreender. Admito que o problema possa ser meu, mas até prova em contrário, enquanto não encontrar explicação para o que não compreendo, considero inválida a hipótese da culpa ser minha.

O que não compreendo é o seguinte:

nos últimos tempos tenho lido com frequencia na blogosfera portista, a questão do poder no futebol. Mais da parte dos comentadores, que propriamente dos autores dos blogues. Umas vezes, na forma de lamento quando se trata do FCPorto, e outras, em jeito de despeito por esse poder estar agora concentrado no Benfica. 

Vejamos. O Benfica nunca perdeu esse poder, sempre o teve. Só se pode entender esta linguajem por profunda ignorância. Comparar o poder (perdido) do FCPorto com o poder do Benfica é, desculpem-me o termo, uma estupidez. Faz-me lembrar os centralistas, com a treta do portocentrismo...

Se me disserem que Pinto da Costa perdeu a fibra que o caracterizava, que já não interfere nas lutas complicadas que sempre rodearam o FCPorto, nem o defende como outrora, só posso concordar. Agora, que queiram comparar a performance branda de um líder cansado com o poder efectivo do "homem do pó", é um absurdo. Como absurdo é comparar o centralismo do Terreiro do Paço, com essa coisa patética chamada portocentrismo

Para acabar com comparações destas é preciso perceber de uma vez por todas que todos os organismos do poder (político e outros) estão fixados e centralizados em Lisboa, de outro modo não faria qualquer sentido falar-se da regionalização e descentralização. Pela mesma razão se inventou essa expressão ilusória do portocentrismo, que não é mais que uma forma ardilosa de comparar duas cidades com poderes incomparáveis.  O poder que ainda resta ao Porto e ao Norte é mais a nível empresarial e até esse soçobrou aos tentáculos do centralismo (ex. Sonae/Público/Rádio Nova).

Posto isto, resta-me esclarecer duas coisas muito sérias:  
  1. o poder de que o FCPorto precisa não é poder, é justiça. Não é canalha a brincar com ela. Para a ter, tem de contestar energicamente as actuais lideranças dos respectivos organismos, exigir a sua demissão, e requerer para os seus lugares pessoas sem ligações comprovadas a clubes. 
  2. os que confundem o poder da personalidade de um homem (já gasto), com o poder cobarde um ex-presidiário marginal, protegido por poderes efectivos da política, da finança e da comunicação social, que olhem para as coisas como elas são, sob pena de estarem a comparar um David debilitado com um exército de corruptos.

Mesmo assim, por David já não ser o mesmo, a hora é exclusivamente dos sócios do FCPorto. Cabe-lhes a eles reclamar os seus direitos e pensar se querem mais 4 anos de decadência...

PS-Completamente de acordo com a postura da claque "Colectivo 95" e absolutamente contra a retirada do seu cartaz por parte do FCPorto. É inqualificável.

12 maio, 2017

Estamos sob ataque

David Pontes*

É uma nuvem ameaçadora aquela que paira hoje sobre as democracias ocidentais. Depois de Trump e da interferência russa, ainda sob investigação, mas que é clara no que respeita ao saque a que foram sujeitos os emails da candidatura democrata, anunciava-se que algo semelhante poderia suceder com as eleições francesas. O ataque informático à candidatura de Emmanuel Macron acabou por suceder, mas na sexta-feira antes da data do sufrágio e sem resultados evidentes.
Por um lado, porque a própria candidatura tomou precauções e espalhou documentos falsos entre os ficheiros roubados; por outro lado, porque o período de reflexão - tantas vezes escarnecido entre nós - impediu legalmente os jornais de publicar matérias que pudessem influenciar o resultado eleitoral. Mas quer isto dizer que a nuvem se dissipou?
Uma investigação jornalística do jornal "The Guardian" tem vindo a revelar uma teia de ligações que mostram que ela continua ameaçadora, capaz de influenciar as nossas democracias. No centro desta teia está Robert Mercer, um multimilionário de Silicon Valley dono de um dos fundos de investimento mais lucrativos do planeta e que sozinho apoiou Trump com 13,5 milhões de dólares. Mas a sua principal arma é uma empresa chamada Cambridge Analytica, capaz de reunir e analisar gigantescos volumes de dados e com eles desenhar estratégias para influenciar eleitores. A nossa pegada digital é um manancial de informações que facilmente pode ser utilizado para influenciar a maneira como vemos o Mundo, nomeadamente através do que nos é servido na Internet, nas nossas buscas ou no Facebook, por exemplo.
Esta empresa, ou alguma das suas sucursais, trabalhou para a campanha de Trump e para a campanha do Leave e se acrescentarmos que Robert Mercer é amigo de Nigel Farage, que o conselheiro de Trump Steve Bannon foi vice-presidente da Cambridge Analytica e que esta empresa opera intensamente com empresas estatais russas e mesmo nas eleições deste país, a teia começa a revelar a sua forma ameaçadora.
A revista "The Economist" classificava esta semana os dados informáticos como "o mais valioso recurso do Mundo", apelando às autoridades que se modernizassem para enfrentar os desafios para a economia que elas representam. Mas, como mostra o caso da Cambridge Analytica, temos de ir mais longe, com novas regras para a proteção e manipulação de dados, porque mesmo que não vejamos, que mal percebamos, é a democracia que está sob ataque.
* SUBDIRETOR (JN)

10 maio, 2017

Universo Porto da Bancada, vai-se ficar pelas queixas?

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O FCPorto transporta
o símbolo da cidade:
respeitem-no!

Desde que arrancou o programa Universo Porto da Bancada [volto a insistir] estranhamente tarde, fui aqui alertando para  a trivialidade da iniciativa caso não fosse posteriormente complementada com uma decisão mais enérgica. Custa-me sequer admitir que tal decisão não tenha sido previamente considerada pelo corpo jurídico do FCPorto na eventualidade de os órgãos que tutelam a disciplina no futebol continuarem a proceder como se nada e ninguém estivesse acima deles.

O FCPorto, pela voz de Francisco J. Marques, batizou com irónica pertinência esta competição de Liga Salazar, e é verdade: tresanda a PIDE. Daí que, estando na posse de tantos elementos que provam a pertinência das queixas apresentadas com os consequentes prejuízos  para o clube, torna-se indispensável recorrer a instâncias superiores, isto é, ao Governo. É preciso lembrar a quem de direito que, segundo consta da Constituição vivemos num Estado de Direito e o que está a acontecer além de anti-constitucional é crime punível por lei. 

Os problemas do FCPorto de carácter estritamente  desportivo  relacionados com jogadores e treinador, são uma realidade, mas pertencem  a outro departamento. Têm a ver com os dirigentes e a massa associativa e devem ser resolvidos entre estes, sem fugas às responsabilidades, de parte a parte. Ponto. Outra coisa bem diferente é o comportamento dos órgãos federativos que tem de ser tratado fora do clube com a Justiça.

Na minha opinião, o problema prioritário, não é interno, é o que comecei por referir nos primeiros parágrafos: perda de confiança nos órgãos federativos. É grave. Ao contrário de alguns portistas, que estranhamente preferem ganhar a qualquer custo, "contra tudo e contra todos", pela minha parte prefiro que o FCPorto providencie no sentido de obrigar o Governo a encarar esta situação com a responsabilidade que lhe cabe, e limpar a Federação dos corpos suspeitos que a compõem. Sem isso, não haverá equipa e treinador que resistam. Tal como está, é uma competição desigual, viciada à partida. 

Nem o FCPorto, nem qualquer outro clube, podem ser obrigados a participar em provas desportivas em condições desfavoráveis. Numa competição a valer, as regras do jogo têm obrigatoriamente de ser iguais para todos. Aceitar o contrário, é pactuar com os infractores. Há quem confunda garra, superação das adversidades, com valentias quixotescas, onde a uns se permite jogar com misseis, e a outros com fisgas.

Num contexto destes, se fosse jogador, aceitava que o treinador exigisse de mim todo o empenho, que suasse a camisola, mas já não aceitava que me pedisse resultados numa prova minada por árbitros vendidos, num clube que não soubesse defender os seus atletas quando fossem ostensivamente discriminados. Não me surpreendia muito se daqui a uns tempos, soubesse que alguns futebolistas (e não só) que jogaram no FCPorto nos últimos 3/4 anos, contassem nos seus países o ambiente que aqui viveram, e a discriminação que este clube suporta para poder competir...

Chega! Quem não pode mais encolher os ombros é o senhor Presidente. Nem pode mais falar, só para não estar  calado. Tem de provar que ainda é útil, mas com as atitudes e decisões correctas. É sobretudo ele, o primeiro* responsável por deixar uns canalhas, uns troca-tintas miseráveis brincarem com os portistas. Ou seja: o melhor que o Porto cidade tem.

*primeiro responsável dentro do clube apenas. Fora dele, o primeiro responsável é o próprio Governo que se alheia do assunto e todos os partidos políticos que por oportunismo e conveniência seguem os mesmos maus exemplos.

09 maio, 2017

Que mundo feio este

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Duarte Lima, um estadista...
Lançando um olhar probo sobre o mundo, para a situação anárquica em que se encontra, nada me convence que se quisermos preservar a liberdade e optimizar as virtudes da democracia, sem antes aprimorarmos o funcionamento dos partidos, as hipóteses de melhoras serão nulas.

A iniciativa teria de passar em primeiro lugar pelos próprios partidos, novos e antigos, e naturalmente por todos os cidadãos.

Dizer que os partidos são imprescindíveis à democracia é um argumento vago, redundante e cómodo. É como afirmar a importância produtiva dos trabalhadores numa fábrica. Pouco interessa se são trabalhadores ou operários, porque não é a gramática que vai avaliar o que produzem, é o resultado do produto. Na política, é o bem estar generalizado dos povos que define a qualidade dos políticos e dos governos. Tão simples como isso.

É muito complicado governar. Talvez por ter disso consciência, nunca me passou pela cabeça estar à altura de tamanha responsabilidade, das barreiras que teria de transpor para levar a cabo as minhas convicções. Talvez também porque sempre teimei em ver a política como uma actividade nobre, uma espécie de puzzle onde peças desavindas se obrigam a conviver harmoniosamente através da noção de justiça de quem o maneja. Mas, não é assim que a real política funciona.

Os paradigmas da grande política degradaram-se. E o pior, é que não despontam novas ideias, novos líderes, novos valores, outras formas de ordenar o mundo, a sociedade, sem sucumbir à soberba, e à discriminação. Todos diferentes, todos iguais. Haverá frase mais realista e simples que esta?

Vejamos: terá sido o desempenho politico de Dias Loureiro que tornou os portugueses mais felizes? Foi o estatuto social e os conhecimentos económicos do banqueiro Ricardo Salgado que tornaram o povo mais rico? E terá sido o semi-analfabetismo de António Aleixo que o impediu de ser um dos poetas humoristas mais brilhantes do país?  Onde caberá aqui a superioridade das castas?

Nesse caso, por que será que esta gente "importante" não aprende a ser mais modesta? Por que é que continuam arrogantes quando tão pouco valem? Há espécies humanas desta natureza em excesso  no mundo. Se não mudam, é porque o regime o permite, até lhes dá alento para continuarem... É desta gente que os povos menos precisam porque na realidade, além de imprestáveis, são péssimos cidadãos.

Quando os regimes democráticos permitem interferências tão nefastas como estas na vida dos povos e conspurcam as sociedades com fraudes bilionárias, prolongando o tempo de liberdade aos infractores, aceita-se muito mal estes conceitos de liberdade numa Democracia que se quer adulta.

PS-Não falei num ex-político acusado de homicídio, roubo e outras singularidades pelo estado brasileiro, só para não ferir susceptibilidades... Está "em prisão domiciliária", num apartamento de luxo. Coitado. Abram-lhe a gaiola, que é um ex-político! Não há democracia sem partidos!?!?