24 fevereiro, 2017

O Porto, visto do espaço,ou a cidade das pontes virada para o Atlantico


Bonne nuit, Porto!

O astronauta francês Thomas Pesquet partilhou anteontem no twitter uma foto do Porto tirada a bordo da Estação Espacial Internacional que orbita a cerca de 350 kms de altitude. Além de desejar boa noite, aproveitou para elogiar a cidade em frente ao Atlântico que é uma digna rival da capital portuguesa.
(JN)


Observação de RoP:

Como portuense, portista, bairrista, regionalista fervoroso, é-me difícil ficar indiferente a tantas notícias elogiosas sobre esta cidade. Por paradoxal que pareça, às vezes chego a apavorar-me com tantos encomios, pelas consequências negativas que eventualmente tal possa acarretar. 

Se não souber progredir bem, o Porto, pode tornar-se num local de cobiça mercantil onde oportunistas e megalómanos comecem a fazer estragos, em nome de um qualquer modernismo bacôco. É preciso, é urgente mesmo, repovoar a cidade, sobretudo com portuenses de todas as castas sociais. O comércio deverá destacar-se pela diversidade, e com rigoroso critério. Abrir apenas negócios de restauração pode ser um erro crasso não só para quem investe como para a cidade. É preciso ir com calma...

Mas, o que mais me satisfaz de toda esta vaga de distinções, é a sua origem forasteira. Não são apenas os tripeiros a admirar o Porto, são também os estrangeiros. Já em Lisboa, a ciumeira não dorme em serviço, tal qual como o Benfica... Consta até, lá para aquelas bandas, que já há quem reclame (tal como com o clube do regime), que para o ano tem de ser Lisboa a ganhar o prémio de melhor destino europeu...

Ah, outra coisa: deste sucesso do Porto, que espero se estenda à população que lhe dá vida, nada se deve à descentralização. Esta, continua a ser adiada, como sempre, aliás. Não foi seguramente pelo efeito spillover, nem das verbas europeias que nos eram destinadas e ficaram em Lisboa, que o Porto conquistou estas honrarias. De Lisboa, e do Terreiro do Paço só temos tido hostilidade e muita dôr de cotovelo. Desmintam-me, se tiverem coragem. 

22 fevereiro, 2017

Até os comemos!

À D'artagnan: um por todos, e todos por um

O FCPorto tem esta noite mais um grande desafio pela frente, que é tentar ultrapassar a Juventus de Turim, mais conhecida pela La Vecciha Signora, em mais uma etapa da Champions League. É um adversário poderoso em todos os sectores, com jogadores de alta qualidade, a começar pelo guarda-redes, o histórico Buffon, até ao exímio goleador Higuaín.

Por seu lado, o FCPorto está a passar por uma fase positiva, mais em resultados que em consistência exibicional, o que é sempre um sintoma neutro. Sem fugir do registo habitual, Nuno E. Santo, garante-nos que a equipa está preparada e com vontade de competir. Quer o Dragão cheio, e concerteza que irá tê-lo, espera um grande jogo, e nós adeptos, também. À partida, a sintonia entre ele e nós, é total.

Se, quando o treinador portista afirma que a equipa está preparada, quer dizer-nos que está bem treinada para aproveitar os poucos espaços que supostamente terá para rematar à baliza, e que na impossibilidade de se aproximar dela irá ensaiar remates de média/longa  distância, é já um progresso. Como o seu próprio discurso enuncia, a equipa continua a crescer. Fá-lo, sem contudo nos dar bem a ideia dessa evolução, sem sabermos se esse percurso tem contemplado o remate sem preparação com a força muscular no ponto.

Não há ninguém que de boa fé, possa afirmar o contrário, chuta-se pouco e mal em Portugal. Na formação do FCPorto, isso é mais que evidente, os poucos golos que se marcam resultam mais de toques rápidos, do encostar o pé na bola para a baliza, do que de chutos na verdadeira acepção do termo. É raríssimo assistirmos a golos provenientes de remates fortes e bem colocados, e ainda mais raro de remates espontâneos para explorar o factor surpresa. Pelo que me é dado observar, em Portugal sempre se trabalhou muito mal este factor importantíssimo do futebol.

Salvo insólita distracção da equipa italiana, tão matreira e dura a atacar, como a defender, os jogadores do FCPorto irão ter grandes dificuldades para lhes marcar um golo se não souberem ser igualmente matreiros e oportunistas. O lema olímpico, mais rápido, mais alto e mais forte, é para levar a sério nestes jogos, se a ambição é mesmo chegar o mais longe possível numa prova de Campeões.  

Sem beliscar um milímetro que seja a grande victória (já distante) sobre a Roma, é acertado lembrar que nesse jogo  houve 2 jogadores italianos que abusaram da dureza a ponto de serem expulsos, e isso, diga-se o que se disser, facilitou-nos a vida. Mas, nem sempre acontece assim. Nem sempre a dureza dos italianos chega ao patamar da violência, e nem sempre deparámos com árbitros tão rigorosos, sobretudo com as equipas portuguesas...  Por isso, cuidados e caldos de galinha nunca são demais. 

Parafraseando o treinador do FCPorto, é altura de mostrarem aos adeptos o quanto cresceram. A garra já quase atingiu a maturidade, falta o resto. Provem-no.

E, força FCPorto! Hoje queremos um Porto canibal, comedor, guloso, insaciável.
Será pedir demais?


Nota do pós-jogo:

Houve garra, como esperava, mas pouco mais. Uma equipa construída para defender arrisca-se a perder. E perdeu. E quem foi comido foi o FCPorto, ou melhor, foi  Nuno Espírito Santo.


20 fevereiro, 2017

Trump, democracia e liberdade

Donald Trump, "democrata", republicano e ditador

Donald Trump  como todos sabemos, está nas bocas do mundo, e não é pelas melhores razões.  Só de olhar para esta figura e atentar na sua linguagem, é o bastante para recearmos que os eleitores norte-americanos tenham guindado ao poder um novo ditador.

A verdade é que, desde que tomou posse não tem parado de intimidar o mundo, incluindo os seus vizinhos mexicanos e canadianos. O mundo é ele, e os USA são agora propriedade sua para anexar ao seu já abastado pecúlio. Muita água pestilenta irá passar debaixo das pontes caso os americanos previdentes não saibam travá-lo a tempo. Os ditadores não custumam dizer ao que vêm, mas este candidato foge ao estereótipo, porque foi eleito "democraticamente". Palpita-me que o tempo não nos fará esperar para termos a certeza.

Um dia destes vimo-lo a destratar a comunicação social numa reunião com 40 jornalistas na Trump Tower. Chamou-lhes hipócritas e mentirosos, entre outras delicadezas. Nada que a mim me surpreenda, porque é verdade. Pena é, que o mundo, incluindo os jornalistas sérios, tenham de ouvir da boca de um putativo ditador a mais unânime e vulgar das realidades. Eles não só mentem como vendem a mentira. Sim, a classe jornalista deixou-se tomar pelo opiómetro do 4º. poder, não soube purgar-se da soberba dos oportunistas e agora tem o que merece, é tratada toda por igual porque nada tem feito para se reabilitar da má fama. Assim, viverá sempre debaixo do estigma da suspeita.

Ando há anos sem compreender as razões para tanta negligência. Entende-se mal que quem exerce seriamente a profissão de jornalista não veja razões para se indignar com colegas que pela sua desonestidade intelectual mancham a reputação de toda classe,  nem consta que tal os encorage a demarcarem-se deles. Em Portugal, este problema não deve ser muito diferente do que acontece noutros países, mas isso não justifica a indulgência, pelo contrário, revela uma cumplicidade corporativa e amoral com os medíocres e um despeito absoluto pelo público. A RTP, como empresa pública de comunicação, é o pior dos exemplos. Sendo empresa estatal, promove o sectarismo em vez da isenção, e alberga nos seus quadros o pior que há no jornalismo. As privadas seguem-lhe os maus exemplos. Não deviam fazê-lo, mas são empresas privadas. 

O que aconteceu aos norte-americanos com a eleição do Trump, pode a qualquer momento replicar-se em Portugal. Os portugueses não são substancialmente diferentes do americano medio, em termos de formação. Gozam de uma comunicação social degradada, corrupta e unipolar e nada ganham com isso. Hoje em dia é muito simples afirmar estas coisas com factos, porque é uma actividade permanentemente exposta ao escrutínio público, por isso fácil de deixar provas.

Não tenho dúvidas que a verdadeira Liberdade será sempre adulterada se continuarmos a avaliá-la como algo incondicional e absoluto. Esta ideia radicalizada de liberdade degenera a comunicação social. A ética e o respeito pelo outros, são o melhor amigo da Liberdade, a melhor couraça para uma democracia forte e idónea. 

A quem servirá então esta deturpação de valores tão importantes, como a liberdade e a democracia? Aos políticos e aos seus laços mercantilistas? Não vejo mais a quem. Por mim, como cidadão livre, não me importaria nada que me limitassem certas "liberdades".

Não creio que nos faça qualquer falta ouvir nas rádios ou nas televisões acusações em directo a outros cidadãos ou instituições, sobretudo sem fundamentação. Para isso há os tribunais e os advogados. Considero altamente indigno e negativo para a classe política permitir a deputados e ex-governantes a liberdade de comentar jogos de futebol. Isso não os aproxima (como alguns malandros dizem), do povo. Não, senhor! Isso vulgariza-os, e descredibiliza a própria política, que deve ser sempre séria e imparcial.

Aplaudiria já, o primeiro partido cujos estatutos vetassem o acesso dos militantes a esse tipo de programas. Contenção cívica exemplar, seria a norma da casa. Ou política, ou futebol, separados. Juntos, nem pensar. Nada destas liberdades fazem realmente falta, nem acredito que seja algo positivo para todos nós, até porque incitam à violência e a fundamentalismos. Isto aplica-se a jornalistas, magistrados, enfim, a todas aquelas funções onde é exigível e recomendável um certo distanciamento público. Se há quem goste deste folclore feito liberdade, arrisca-se a um dia destes ver os próprios juízes como comentadores de futebol...

Há limites para tudo na vida, até para estas liberdades. Cavalgar a onda da anarquia, confundindo austeridade social com condicionamentos à liberdade, é caminhar para o caos com um sorriso parvo nos lábios. É que, se o caos ainda não domina o mundo, pergunto: onde pára a paz mundial?

Pessoalmente, considero perfeitamente possível a imposição de certas regras. A liberdade de dizermos o que pensamos é inegociável, mas casá-la com a calúnia é dispensável. Recuso categoricamente uma democracia ao estilo de Trump, mas o respeito e as boas maneiras podem e devem ser perenes. Em Portugal há muitos Trumps à espera do seu momento. Que ninguém duvide.  

17 fevereiro, 2017

A reforma que não existe (III)

David Pontes *
O denominado como "pacote da descentralização" tem sido objeto de trabalho do Governo e de debate há mais de um ano e, segundo alguns, será "a mais ampla e profunda reforma do Estado em muitas décadas". Era bom que assim fosse, é desejável que assim venha a ser mas para já, infelizmente, não é.

No início de 2016, as grandes expectativas eram a reforma das Áreas Metropolitanas e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR). Vinha aí o aumento das competências para estas estruturas supramunicipais, vinha aí a sua legitimidade política própria, com a eleição dos responsáveis máximos. Desde o início, percebeu-se que quer à direita, quer à esquerda, quer mesmo na presidência da República, não seria um dossiê fácil de vingar.

Primeiro caiu a reforma das Áreas Metropolitanas, agora caiu a reforma das CCDR. O Governo que prometia quatro boletins de voto para 2017, adia possíveis alterações para 2018, 2019 e mesmo para 2021! A ambição de conseguir legislar na esfera regional, continua adiada num país que se mantém ferozmente como um dos Estados mais centralizados da Europa.

Às naturais limitações de um Governo minoritário soma-se, como admitiu o primeiro-ministro na semana passada, a incapacidade de contrariar uma "vaga de fundo" de ministérios e direções regionais que não querem sair da alçada do poder central. Outra coisa não seria de esperar de quem prefere resguardar-se no opacidade dos corredores da capital a submeter-se ao escrutínio da proximidade. Sobra a delegação de competências para as autarquias, prosseguindo uma política positiva de descentralização que já vem de anteriores executivos.

Começa a ser cada vez mais difícil manter alguma dose de esperança em quem tanto promete mas pouco consegue levar avante e é pena que assim seja. A regionalização, mesmo com má reputação entre nós, continua a ser a reforma que urge fazer, não só porque permitirá uma melhor otimização dos serviços do Estado, mas também porque é virtuoso o princípio de as questões que podem ser resolvidas numa base local e regional devem ser feitas por órgãos locais e regionais, que permitem uma melhor resolução das questões e um maior escrutínio por parte dos cidadãos.

A reforma que não existe continua a ser urgente. É preciso um consenso generalizado que ajude a vingar estas alterações. Mas é preciso também a força e a vontade política de quem quer mesmo mudar e não simplesmente adiar.

* SUBDIRETOR

(do JN)

15 fevereiro, 2017

O Porto tem de ser mais assertivo e exigente

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Estação do Metro no aeroporto Sá Carneiro

Permitam-me que coloque meias reservas ao que frequentemente alguns tomam como virtudes dos nortenhos [que em absoluto, não o são]: a franqueza e a disponibilidade.

Já foram mesmo assim os nortenhos em tempos remotos, e muito em particular os tripeiros. É a história quem o atesta, não eu, que sou suspeito.  

O cosmopolitismo que hoje o Porto conquistou, perdeu um pouco em bairrismo, mas não totalmente, para nosso bem. A fama de gente solidária e hospitaleira, é real e ainda existe de facto, e é merecida, mas falta-lhe o cunho de outros tempos, a capacidade espontânea para se libertar de grilhetas e imposições externas.

Se é verdade que os tempos são outros, também seria avisado adaptarmo-nos a eles e aos desafios que nos são colocados, sem perdermos aquilo que nos burilava o carácter. Os portuenses, todos os portuenses, do mais humilde ao mais poderoso, social, e finaceiramente, têm as suas culpas no cartório pelo que nos estão a fazer... Consentiram tempo de mais, pelo silêncio.

Não é segredo, nem sequer novidade, já passou o patamar da afronta, que o Porto, tem sido reiteradamente discriminado por sucessivos governos ao longo de 43 anos. O rescaldo do 25 de Abril para os portuenses é hoje, tão ou mais macabro que o Estado de Novo de Salazar e Caetano. A democracia é meia-postiça para todo o país, e postiça por inteiro para o Porto. Por quê? Porque, por exemplo, entre outras extravagâncias, os tripeiros contribuem (como os outros) com taxas de audiovisual (acrescidas de 6% de IVA) para financiar legalmente o serviço público de radiodifusão e televisão, mas esse serviço é-lhes praticamente enjeitado, e além disso usado para os prejudicar [a RTP e as Antena 1, 2 e 3 que o assumam]. De Presidentes da República, a Primeiros Ministros, não houve em 43 anos de "democracia" nenhuma dessas entidades que reparasse neste "fenómeno"! Pudera, é bem mais cómodo atribuirem-nos os erros bárbaros da centralidade exorbitante. Nisso, especializaram-se bem os políticos, 

Até agora, houve quem criticasse os nossos protestos por questões bairristas, por ciumeira com a capital, por rivalidades clubistas, etc.. Tão estúpida é a convicção dos lisboetas e seus cumplíces, que nem sequer se dão conta do papel mesquinho a que se prestam, negando evidências tão flagrantes. O Porto e outras cidades do Norte, têm as melhores Universidades, os melhores Hospitais do país, excelentes arquitectos, médicos e cientistas, todos reconhecidos insuspeitadamente por outros países, e sempre sonegados pela capital. 

O Porto tem o melhor clube de futebol do país,  o FCPorto, e outros menos representativos mas igualmente portuenses [Boavista e Salgueiros] que já devem saber o que significa o centralismo porque também foram suas vítimas. A própria cidade do Porto é eleita, entre outras igualmente belas, como melhor destino europeu pela terceira vez, e mais uma vez, sem qualquer apoio do Turismo de Potugal que não hesitou em dá-lo a Lisboa, ingloriamente... 

O Aeroporto Sá Carneiro, é preterido pela TAP [empresa público/privada] e pelo Governo  para benefício de Vigo e dos espanhóis, como se fosse a decisão mais patriótica do mundo. Enfim, são desconsiderações e maldades, umas atrás das outras, demais para ficarmos calados. Chega, de tanta apatia, de tanta compreensão, ou o que lhe queiram chamar, estas não são reacções próprias dos portuenses. Temos de reagir, senão a história e os nossos descendentes vão atribuir-nos as culpas por falta de comparência.

Não basta denunciar, falar para quem governa o país como quem fala a crianças. Que isto e aquilo não se faz, que é injusto, que é ilegal. Temos de os obrigar a cumprir o seu dever, batendo o pé, retaliando, negando pagamentos fiscais e tarifas que só nos prejudicam. Exigirmos tratamento igual pelos canais mediáticos do Estado, e mais seriedade sob pena de nos recusarmos a votar. 

Precisamos de obter respostas céleres, para ontem.  A justiça jamais será reposta se a deixarmos adiar ad eternum. Temos de fazer ruído, porque a nossa postura mansa e cordata não é reconhecida como tal, e apenas serve de pasto para o gozo daquela gente mesquinha, divisonista e falsa.

Ser do Porto, é também lembrarmo-nos dos nossos antepassados que tantos e tão variados motivos de orgulho nos deixaram. O FCPorto, é um grande símbolo do Porto, mas importa não esquecer, sob pena de nos iludirmos, não é o único. Já sei que vou ser vaiado pela ideia, mas uma das coisas que mais me alegrariam neste momento, era ver o FCPorto, o Boavista e o Salgueiros unidos publicamente em defesa da sua cidade. A cereja no topo do bolo, era ver os clubes (todos) do Norte seguirem-lhes o exemplo contra o centralismo.

PS-Ultimamente, tenho ouvido falar com mais frequência na descentralização do que era costume, mas (oxalá me engane), palpita-me que ainda não vai ser desta que tudo não passe de costumeiros e falsérrimos processos de intenção...  

  

13 fevereiro, 2017

Rui Moreira, o fantasma maldito de Rui Sá

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Rui Sá, político sério
 ou benfiquista ressabiado?

Como já aqui o demonstrei, através do que vou escrevendo, tenho alguma simpatia por uma parte ideológica do regime comunista, e só não acredito absolutamente nele por causa da tendência dos seus próceres para o totalitarismo, mal se instalam no poder. Olhemos para a Coreia do Norte, para a China, ou mesmo para a simpática Cuba,  e interroguemo-nos se era essa a alternativa que gostaríamos de ter ao regime híbrido do nosso país. Já dei comigo a pensar se os próprios militantes comunistas se adaptariam ao regime, enquanto simples cidadãos... Mas essa, é outra conversa, outros labirintos da política. 

Vale o intróito para dizer o seguinte: tal como com os homens, nem sempre os símbolos espelham a autenticidade das ideologias que defendem. Estou-me a referir concretamente ao ex-vereador da Câmara do Porto, Rui Sá. Leio sempre os seus artigos no JN, e constato que raro é o dia em que ele não consegue disfarçar o ódio de estimação que dedica a Rui Moreira. Isto, porque em grande parte dos casos, não vejo substância, nem objectividade, para as críticas que lhe faz, o que não quer dizer que pontualmente não tenha alguma razão. Acontece que, como aqui fica provado no seu artigo hoje publicado no JN, a montanha dos argumentos acaba quase sempre por parir ratos e frustrações indisfarçaveis.  

Os leitores dirão de sua justiça, mas se lerem com atenção o que Rui Sá escreveu, vão chegar à mesma conclusão que eu, ou seja, que o alvo a abater não devia chamar-se "Rui Moreira", e sim "António Costa", ou então, se quisesse ser mais pragmático, "centralismo", que é temática aparentemente desinteressante para ele, e à qual dedica muito pouco tempo. 

Se por um lado, Rui Moreira (e demais autarcas da A.M.do Porto) foi confrontado com a solução apresentada para o alongamento da linha do Metro, aceitando-a (como os outros autarcas) como mal menor, preferindo avançar com a obra que esgrimir nesta altura argumentos com o governo, arriscando-se a bloquear outra vez o processo (como era apanágio de Rui Rio), por outro, não é à Câmara do Porto que compete exclusivamente esse papel, mas sim ao partido de Rui Sá, e ao BE, na Assembleia da República e junto do governo que decidiram apoiar. Por que razão não o fazem? Não será esse o lugar indicado para o efeito? 

Rui Sá fala muito bem, mas nunca deu a cara para influenciar o seu partido a lutar na AR pela regionalização, contra o sectarismo da RTP, não só em termos políticos como desportivos, onde o seu Benfica toma o lugar do Estado Novo sem que isso o perturbe, enquanto comunista. Como não parece perturbar-se com o que se passa com a parceria publica/privada da TAP, e a discriminação feita ao Porto, assunto que foi atempadamente denunciado por Rui Moreira e lavrado em livro, sem sequer lhe dedicar uma palavra de apreço. Para isso, não soube ele olhar. 

Posso estar a enganar-me, tal é a minha incompreensão por tanta azia de Rui Sá por Rui Moreira, mas palpita-me que o ódio de estimação que lhe reserva deve estar relacionado com a bofetada de luva branca que este, na qualidade de adepto portista aplicou ao benfiquista e cineasta amador, António Pedro Vasconcelos, quando  o deixou com cara de parvo a falar sozinho num programa de bola da sua inatacável RTP...   

Antony Bourdian gravou novo episódio de gastronomia no Porto

Imagens da primeira gravação em Portugal



12 fevereiro, 2017

Turismo de Portugal visado por ignorar vitória do Porto como destino europeu



A página do Turismo de Portugal no Facebook está a ser alvo de comentários críticos de utilizadores, indignados com o facto de aquele organismo não ter feito qualquer referência pública à eleição do Porto como melhor destino europeu.

Horas antes do sucedido, Rui Moreira publicou um texto na mesma rede em que acusava o Turismo de Portugal de não se ter empenhado tanto nesta eleição como há dois anos, com Lisboa.

O Porto foi eleito o melhor destino europeu de 2017, ficando à frente de Milão e de Gdansk, no pódio das três cidades mais votada, após já ter conquistado esta distinção em 2012 e 2014.

A eleição é da responsabilidade da European Best Destination, sediada em Bruxelas, na Bélgica, e consiste numa votação online. Em 2015, o Turismo de Portugal promoveu a candidatura de Lisboa a este galardão, sem vencer.

Agora, acusa o presidente da Câmara do Porto, nem apoiou a candidatura portuense nem felicitou a vitória da Invicta. As críticas de Rui Moreira ecoaram nas redes sociais, com muitos internautas a manifestarem-se no Facebook do Turismo de Portugal, com mensagens de desagrado.

(do JN)

SEM COMENTÁRIOS...

11 fevereiro, 2017

Se a equipa B é isto, que futuro reservará a principal?


Acabei de assistir ao jogo entre a equipa B do FCPorto e o Freamunde, e não posso deixar de dizer o que me vai na mente. O FCPorto perdeu e pela forma como jogou, mereceu inteiramente a derrota. Neste caso, não podemos queixar-nos da influência negativa do árbitro, porque nem se deu por ele, esteve muito bem. Por outras palavras, esta equipa tem tudo menos Porto. Não tem velocidade, não tem garra, sentido de oportunidade, nem capacidade de remate. 

Pelos vistos, nem Folha parece ter pulso para acabar com os vícios de certos meninos-bem da equipa que, em vez de transmitirem alegria e gosto por jogarem no FCPorto, parecem estar a fazer um grande frete à plebe. Mal começou o jogo, logo sentimos as dificuldades que nos esperavam, tal foi a previsibilidade que mostraram. Jogo, lento, de bola para o lado e para trás, ao estilo daquilo que estamos fartos de ver. Estilo esse, altamente gratificante para os adversários, dos mais fortes aos mais banais, que têm todo o tempo do mundo para montar o autocarro com marcações a toda a largura do terreno, avançando ou recuando consoante o ritmo do FCPorto.

Foi assim, com esta tranquilidade que o Freamunde saiu do Olival, retirando merecidamente, diga-se, 3 pontos ao clube da casa, sem ter de queimar os neurónios a inventar outras estratégias. Bastou colocar a barreira para bloquear o ataque indolente do FCPorto, e contar com a sua falta de ideias, agressividade e lentidão. Já não é a primeira vez que isto acontece. Os métodos da B parecem uma fotocópia da principal. Falta de profundidade e posse de bola estéril. Não gosto mesmo nada deste tipo de futebol, e até acho um atentado à reputação da modalidade considerá-lo como tal. Sou um portista atípico, tenho o grande defeito, que é gostar do FCPorto com particular vaidade, quando é capaz de associar às victórias, a qualidade. Assumindo o risco de me repetir, porque continuo a constatar estes factos, os jogadores portugueses são muito fracos a chutar à baliza. Não se compreende que jovens adultos com estatura mediana-alta, alguns acima do 1,80m e aparentemente bem constituídos, revelem tão frágeis argumentos físicos e técnicos.

Decididamente, o FCPorto só tem uma modalidade onde a palavra "garra" não é simples oratória: o Andebol. Que todas as outras, lhe sigam o exemplo, é o que mais desejo. Por ainda não estar convencido que a equipa de futebol já assimilou bem essa mística, decidi não ver o jogo de esta noite contra o  V.Guimarães. Tenho de olhar pela minha saúde. Que sofra por mim Pinto da Costa, que tem outras coisas bem mais substanciais com que se compensar...

PS-Se os comentadores do Porto Canal, nomeadamente Cândido Costa, acham que por avaliarem sempre pela positiva a equipa do FCPorto, mesmo quando ela joga mal, fazem crítica construtiva, estão redondamente enganados. A isso, chama-se viciar os dados, ou talvez, como dizem os brasileiros, puxa-saquismo à entidade patronal.

10 fevereiro, 2017

E vai mais um tri para a cidade do Porto!

A cidade do Porto foi eleita, pela terceira vez, melhor destino europeu, indicou esta sexta-feira a página da internet desta iniciativa – ‘European Best Destinations’, apontando que “nunca a votação foi tão unânime”.
Porto à Noite
“Com os votos dos viajantes mundiais de 174 países, o Porto ganha este título europeu pela terceira vez (2012, 2014, 2017). Viajantes dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Dinamarca, África do Sul, Coreia do Sul, Suécia, Irlanda e Canadá votaram o Porto no primeiro lugar nesta competição”, lê-se na informação colocada no site da iniciativa.
Já a Câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, destaca também no seu portal online que esta distinção “atesta o potencial e atratividade da cidade, não só para os portuenses, mas também para os portugueses e para os turistas provenientes de todo o mundo”.
A autarquia aponta que “de acordo com os dados já divulgados pela organização do concurso, o Porto seria vencedor mesmo só com os votos registados fora do território nacional”.
Em segundo e terceiro lugar ficaram, respetivamente, as cidades de Milão (Itália) e Gdansk (Polónia).
Entre as 20 cidades finalistas encontravam-se, além das citadas, Porto, Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Atenas (Grécia), Londres (Inglaterra), Bruxelas (Bélgica), Praga (República Checa), Basileia (Suíça), Stari Grad (Croácia) e Wild Taiga (Finlândia), Sozopol (Bulgária), Roterdão e Amesterdão (Holanda), Roma (Itália), Paris e Bonifacio (França), San Sebastian e Madrid (Espanha).
A votação decorreu desde 20 de janeiro até esta sexta-feira.

Na mão dos gigantes

David Pontes
Elas andam por aí. São fortes, são grandes, têm imensos recursos, uma miríade de ligações e poucos são os que lhes conseguem fazer frente. Em países pequenos como o nosso, acabam por estabelecer-se com a inevitabilidade das leis da natureza, nem que seja para a destruir. Falo das grandes empresas, nomeadamente das que estão no negócio de bens essenciais como a energia ou as telecomunicações.

A Portugal Telecom conseguiu fazer com o processo da TDT o que muito bem quis, para sacrifício dos consumidores, com a concordância do Governo da altura e anuência do regulador. As petrolíferas há muito que mantêm uma estranha sintonia nos preços da gasolina e só muito recentemente vimos a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) começar a agir mas em outra frente, ao multar a Galp Power em 500 mil euros por violação das regras de atribuição das tarifas sociais e do Apoio Extraordinário ao Consumidor de Energia.

Este é o sinal que se saúda, até porque a ERSE, também no âmbito da aplicação da tarifa social, multou, já em 2015, a EDP com a coima recorde de 7,5 milhões de euros, só que a empresa recorreu, desconhecendo-se, de momento, o resultado final. Esta semana, soubemos também que a mesma empresa, mas em Espanha, foi multada pela Comissão dos Mercados e da Concorrência em 900 mil euros, por "infração grave" dos direitos dos consumidores, ao ter penalizado um cliente que trocou de operadora.

São sinais positivos, mas ainda há muito para fazer para conseguir um maior equilíbrio entre os consumidores e as empresas, entre o Estado que tem a obrigação de defender o bem público e as empresas que buscam o lucro.

Por isso, quando uma empresa, no caso a Iberdrola, avança com a construção de três barragens para o Tâmega, nós, que já vimos desaparecer o Tua dentro do mesmo Plano Nacional de Barragens, temos de fazer soar as campainhas de alarme. Pode ser que a contestação já venha tarde, como afirmou o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, mas o direito a defender a natureza não caduca só porque em tempos houve governos que preferiram uns milhões à frente e abriram portas a toda esta fúria construtora. Nem caduca esse direito, nem fica estabelecido o direito de nos tratar como burros, quando se anuncia a criação de 13 mil postos trabalho, que só existirão para a construção, ou se apresentam números de produção energética, não explicando que muita energia vai servir para bombar água para a própria barragem. Como se percebe, ainda há muito a fazer para não ficarmos nas mãos dos gigantes.

SUBDIRETOR (do JN)

Nota de RoP:

Reagir energicamente aos abusos destas empresas, é o nosso dever de cidadãos emancipados. Não temos o poder que devíamos numa democracia idónea, mas temos o poder da nossa própria vontade, que já é alguma coisa. 

O que nunca por nunca devemos fazer, é abdicar desse direito, ou calar, sempre que tivermos motivos para isso.




09 fevereiro, 2017

Viva o Andebol do FCPorto!




Este plantel fantástico e este treinador à Porto, jogam a modalidade
(Andebol) que mais orgulho me tem transmitido esta época. Há muita qualidade, muita alma e força!Só não ganham o campeontato se houver um tsunami, ou arbitragens á moda de Lisboa...


http://www.ojogo.pt/modalidades/andebol/noticias/interior/o-festejo-euforico-do-fc-porto-apos-a-vitoria-sobre-o-sporting-5657067.html

08 fevereiro, 2017

Era bem feito que a traição da TAP matasse a geringonça!


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Por mais que procure habituar-me às cambalhotas dos políticos, não consigo. Depois, dizem que nós só sabemos descobrir-lhes os defeitos, que não avaliámos devidamente o seu trabalho em prol do povo... Grandes cínicos!

Ainda nem decorreram 2 anos do início do mandato de António Costa (26/11/2015), e já começam os tiros nos pés do costume. A solução inédita da geringonça e os surpreendentes resultados positivos de uma coligação aparentemente improvável parecem ter cansado o primeiro ministro. É sempre assim, em Portugal os governantes cansam-se de fazer as coisas correctamente. Preferem tomar decisões sectárias, injustas e anti-democráticas, a optar por soluções embuídas de seriedade e verdadeiro patriotismo.

O que o governo de António Costa está a deixar acontecer com a TAP e a permitir aos companheiros privados da parceria, é digno de tudo, menos de um estadista afirmativo. É inaceitável, impróprio de um governante com noção sólida dos poderes e responsabilidades que lhe cabem. Esta aberração de desviar rotas do aeroporto Sá Carneiro para a cidade de Vigo com preços vantajosos para os espanhóis, além de vexante e discriminatória para as gentes do Norte do país, é uma verdadeira traição aos eleitores locais, e uma falta despudorada de respeito para com os cidadãos em geral. Volta a provar que o centralismo é para continuar.

É mais um, entre muitos péssimos exemplos, a dar-me razão, e a todos os abstencionistas que, como eu, deixaram de votar, precisamente por se terem cansado de votar nestes troca-tintas. Depois, berrem que quem não vota por estas razões, é que tem responsabilidades pela falta de honestidade dos políticos. Comprometam-se previamente com garantias, como as que os bancos exigem para nos financiarem. Votar inspirados em lindos discursos e boas promessas é, hoje em dia, passar atestados de menoridade aos eleitores. Respeitem-nos, e trabalhem para quem vos elege, se querem mama.

Palpita-me, que a decisão tardia de avançar com a construção das duas linhas do Metro do Porto, poderá muito bem estar a servir de paliativo à traição da TAP, e sobretudo do Governo, o que só vem acentuar a sua falta de integridade. Se esta decisão não fôr atempadamente vetada, é bem possível que a geringonça tenha os dias contados.

O PSD e o CDS agradecem, e eu, só não aplaudo, porque sei que são todos iguais. Malditos políticos!

E o melhor Edifício do Ano é...o Terminal de Cruzeiros de Leixões

Arquitetura portuguesa segue em alta ao vencer dois dos prémios internacionais do prestigiado site ArchDaily. O Terminal de de Cruzeiros de Leixões venceu na categoria de melhor edifício público e a Casa Cabo de Vila, em Bitarães, Paredes, na categoria 'Casas'.
Terminal de Cruzeiros de Leixões

O site de arquitetura mais visitado do mundo anunciou, esta terça-feira, a lista de 16 edifícios mais belos do de 2017, escolhidos em função dos votos de mais de 75 mil pessoas em todo o ano. Entre os três mil edifícios selecionados, o belo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, da autoria do do arquiteto Luís Pedro Silva, venceu na categoria de melhor 'Edifício Público', prémio que se junta às distinções de 'Melhor Porto do Ano', da Seatrade Awards 2015, o tributo da 'AZAwards', prestigiada competição canadiana que todos os anos elege o que de melhor se faz no mundo ao nível da arquitetura e design, ou a classificação como 'Melhor Projeto Público da Revista Construir.

Para Emílio Brògueira Dias, presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), a reconhecimento do branco Terminal de linhas em espiral, construído a 700 metros da costa, em Matosinhos, vem contribuir “sem dúvida, para a projeção do Porto de Leixões e para a Área Metropolitana do Porto a nível mundial”.

06 fevereiro, 2017

FCPorto, um enigma a decifrar no fim do campeonato

Garra e união, é a grande virtude desta equipa do FCPorto

Fiquei, como é natural, agradado com os três pontos conquistados pelo FCPorto ao Sporting. É muito importante, neste momento, acumular pontos para não deixar outra vez descolar o Benfica e manter a diferença mínima, de forma a deixar o adversário sempre sob pressão. Com esta victória, afastamo-nos mais 3 pontos de um habitual candidato ao título, um rival de qualidade, igual, ou mesmo superior (por que não dizê-lo) ao actual primeiro classificado, podendo assim continuar a alimentar esperanças legítimas para lutar pelo campeonato até ao fim.

A par do resultado do jogo, valeu a entrega dos jogadores em toda a primeira parte, com destaque para os golos e a exibição surpreendente do estreante Soares, e para as soberbas defesas de Casillas, responsáveis pela manutenção da victória. Já não gostei nada da reacção tardia de Nuno Espírito Santo ao domínio do Sporting em toda a segunda parte, que precisou de sofrer um golo para mexer na equipa. 

Talvez seja esta flutuação repetida de métodos e comportamentos, que não inspira confiança a muitos adeptos. E isto, contraria o falso paradigma conhecido por treinadores de bancada, até porque não deve haver na Europa temática mais conhecida e entendida pelo povo, que o futebol. Até os espectadores intelectualmente mais ineptos, acabam por perceber de futebol, quanto mais não seja pelos muitos anos que passam a acompanhá-lo. Deixemo-nos de tangas proteccionistas, porque, tal como para se ser sério é importante parecê-lo, a competência também se revela frequentemente nas aparencias. 

A juventude do plantel não pode justificar sempre a lentidão do seu crescimento. Além disso, não estamos a falar propriamente de adolescentes, mas sim de rapazes com idade maior e já barbados com obrigação de assimilarem as recomendações do técnico rapidamente. Nuno, deve mesmo desafiá-los, motivá-los e responsabilizá-los no processo de crescimento, e sempre com um elevado grau de exigência. Mas também deve ensinar-lhes o que eles ainda não sabem e corrigir-lhes o que ainda fazem menos bem. Há aspectos que demoram a ser melhorados.

A apetência e o sentimento de medo pelo remate, por exemplo, já deviam estar resolvidos. Ainda há jogadores que preferem delegar noutros essa responsabilidade. Não duvido que isto seja relativamente simples de resolver, só falta é incutir-lhes essa confiança. Para isso existem os treinos à porta fechada e muita persistência. Aliás, nem se percebe por que outras razões hão-de ser sempre os treinos secretos (salvo, antes dos jogos). Ainda não se instalou no grupo a rotina de pressionar os adversários, nem tão pouco a gestão da posse e troca de bola em momentos de vantagem no marcador. Todos estes aspectos levam o seu tempo, só que não pode estender-se ad aeternum sem que a evolução se torne evidente.

Há jovens jogadores da equipa B do FCPorto que podem vingar na principal, e outros que tendo também essa possibilidade nem sempre acrescentam aquele must que o prenunciem claramente. Fala-se no talento de João Graça como medio de construção, e é verdade, mas pessoalmente acho que lhe falta fibra para se afirmar como marca "à Porto", porque frequentemente desaparece do jogo.  Vejo no brasileiro Galeno muito potencial e vontade de crescer. É rápido, tecnicamente evoluído e bom rematador. Mais recuado, temos o Inácio (também brasileiro), com boa técnica e com características ofensivas muito promissoras. Depois, temos os portugueses Diogo Dalot, Verdasca, Areias, Rui Pires e todos os outros que neste grau máximo da formação já deviam ter outra capacidade para abordar a bola na hora do remate, mais espontânea e destemida.

Não se entende - apesar da juventude - que ainda manifestem tanta parcimónia a chutar à baliza. Continua a perder-se muito tempo (e oportunidades) para surpreender os defesas, aflorando com toques e mais toques a bola até se decidirem a chutar. Neste patamar de formação já deviam ter estes hábitos mais padronizados, e a isto não pode estar alheia a nossa eterna dificuldade em marcar golos (mesmo a nível nacional). É preciso fazê-los crescer precocemente, ou seja, transmitir-lhes as manhas (boas) dos mais adultos, o sentido de oportunidade, antes da experiência que advém do tempo. A isso, chama-se jogar por antecipação, evoluir antes dos outros. Quem pensar que isto é contra-natura, engana-se. É assim que se faz a diferença.

Não sou treinador, nem de bancada, nem de computador. Apenas penso à minha maneira. Tão só. E gosto muitoooo! de (bom) futebol...     

      

02 fevereiro, 2017

Uma pipa de massa

Rafael Barbosa*

1 Sabe quem é Jaime Andrez? Provavelmente não. Mas devia. Porque este gestor público está sentado em cima de uma pipa de massa: 4141 milhões de euros, o montante de fundos europeus atribuídos ao programa de Competitividade e Inovação. O gestor do Compete vai tomar, em cinco anos (2016-2020), decisões sobre como, onde e junto de quem se vai aplicar o equivalente a 21 anos de orçamentos do Município do Porto (se tivermos em conta o valor previsto para 2017, que é de 207 milhões de euros). Sendo que, apesar da relativa pequenez orçamental, e ao contrário do que acontece com Jaime Andrez, o leitor sabe bem quem é Rui Moreira. Sabe o que pensa o presidente da Câmara do Porto, sabe as decisões que toma e porque as toma, sabe quais são as suas prioridades, sabe quase tudo sobre como, onde e junto de quem aplica o dinheiro público que lhe é confiado. A mesma leitura se pode fazer relativamente a Gabriela Freitas, a gestora do Programa de Desenvolvimento Rural, que guarda nos seus cofres 4058 milhões de euros (Eduardo Vítor Rodrigues teria de estar 25 anos à frente da Câmara de Gaia para aspirar ao mesmo); Joaquim Bernardo, gestor do Capital Humano, fiel depositário de 3096 milhões (28 anos de Eduardo Pinheiro em Matosinhos); Helena Azevedo, da Sustentabilidade e Eficiência, com um tesouro de 2253 milhões (22 anos de Ricardo Rio em Braga); e Domingos Lopes, da Inclusão e Emprego, com 2130 milhões para distribuir (Rui Santos teria de estar 71 anos à frente da Câmara de Vila Real para lá chegar).

2 O Governo socialista tem em marcha um projeto de descentralização que implica a transformação das comissões de coordenação e desenvolvimento (CCDR) em protorregiões. A vingar a proposta do PS, as CCDR absorvem tarefas e financiamento de uma série de direções regionais na área do ambiente, da cultura, da mobilidade e transportes, da educação, da agricultura e da economia. Mas, mais importante, ficarão com a gestão dos fundos europeus referidos acima. O projeto é ambicioso e representa na verdade uma regionalização encapotada. Porque agregada a estas mudanças está a eleição indireta (um colégio de autarcas) dos futuros presidentes regionais. A fórmula eleitoral é excêntrica e medrosa (só se percebe que não haja sufrágio universal por medo das reações à regionalização). Mas a fórmula político-administrativa é pelo menos mais transparente do que a atual. Particularmente no que diz respeito ao Norte, Centro e Alentejo, as regiões destinatárias dos fundos europeus, atualmente geridos a partir de Lisboa, por uma legião de centenas de técnicos, através de estruturas opacas e processos ininteligíveis, que o cidadão não é capaz de fiscalizar. Numa palavra, de forma antidemocrática.

* EDITOR EXECUTIVO (JN)

01 fevereiro, 2017

Portugal, o país do(s) porreiro pá

Resultado de imagem para um portugues orgulhoso
Protótipo do "bom" português


Já aqui ironizei várias vezes com a infantilidade do nosso povo quando lhe pedem para falar de Portugal. Provavelmente, a avaliar pelos sinais que continua a transmitir, nada mudou.

Embrutecidos pelo poder dos media (que é cada vez mais intenso), manipulador, centralista e fanfarrão, as pessoas esquecem a sua própria natureza e a do país real, para se focarem nos clubes de futebol privilegiados da capital como se isso fosse a salvação das suas vidas. Com Mourinho (do pós FCPorto...), com Ronaldo - depois de Eusébio -, e um campeonato europeu no papo, ficam assim reunidas as condições para se sentirem os melhores do mundo e arredores. 

Os portugueses, salvo algumas excepções, perderam o que de melhor tinham, e hoje só vemos praticamente gente aparvalhada, e desprovida de sentido cívico. Ignoram, também por culpa própria, que quando abrem a boca para darem largas ao seu "orgulho" nacional de forma tão imprudente e por coisas tão fúteis como as atrás citadas, estão com isso a dizer (sem o perceber) aos políticos que os desgorvenam, que podem prossseguir nessa empreitada. E os políticos, agradecem, claro.

Não gosto de generalizar virtudes, nem defeitos. Desconfio sempre dos extremos. A expressão "somos os melhores do mundo", avaliada num momento de euforia, é inofensiva. O pior, é quando ela é assimilada à letra, depois de ultrapassado o momento que a justifica, porque deixam de olhar para a realidade das suas vidas para a escudar na clubite imposta por terceiros. Este é um dos grandes cancros do centralismo, abastarda a vontade natural das populações e depois serve-se delas.

São contradições deste cariz que me levam a rejeitar a ideia muito propagada que os portugueses não sabem dar valor ao que de bom se faz no próprio país, quando olhando para as coisas realmente importantes, verificamos que em 42 anos de democracia uma parte substancial do povo se orgulha de viver num país onde:
  • o salário mínimo nacional é dos mais baixos da Europa
  • a corrupção é constante na classe política, empresarial, judicial e desportiva
  • o fosso entre pobres e ricos está sempre a aumentar
  • o centralismo promete mudança, mas continua a crescer (vidé TAP...)
  • morre muito mais gente de frio que nos países nórdicos 
  • a democracia é aviltada e a Constituição ignorada
Num país com todos estes gravíssimos problemas eternamente por resolver, com Mourinhos e Ronaldos, continuamos a ter motivos para nos envergonharmos do que na realidade somos. Pela minha parte, é apenas vergonha que sinto.  

31 janeiro, 2017

As canalhices da TAP

Cristiano Vanzeller
(Quinta do Vale D. Maria,
produtor de vinho do Douro)

[CLICAR NA IMAGEM]

As viagens de longo curso da TAP são mais baratas a partir de Vigo, em Espanha, do que do Porto, que após várias simulações, conclui que a diferença pode ir dos 100 euros até aos 600 euros, avança o Jornal de Notícias, esta terça-feira.

O ponto de partida é sempre o mesmo, em que  se viaja até Lisboa para apanhar um outro voo em direção ao destino final e depois fazer o mesmo percurso no sentido inverso. Nas simulações realizadas pelo Jornal de Notícias (JN) na plataforma online da TAP e nas efetuadas por agências de viagens, é quase sempre mais baixo iniciar a viagem em 
Vigo do que no Porto.

O JN indica ainda, que uma viagem de ida e volta (a 10 e 17 de junho) para Boston, Estados Unidos da América, a partir do Porto custa 810 euros e que a mesma viagem partindo de Vigo custa 710. De referir também que para Nova Iorque indo do Porto custa 745 euros, mas partindo de Vigo já custa 655. Isto sempre com escala em Lisboa e nas tarifas económicas.

[Porto Canal]



Nota de RoP:

Rui Moreira tinha toda a razão quando afirmou que havia uma estratégia para esvaziar o Aeroporto Sá Carneiro, usando-o como plataforma de vôos obrigatórios para Lisboa. 

A outra, é saturar a Portela para justificar (mais uma vez) a construção de um novo aeroporto para Lisboa. O que terá a dizer a isto o ex-vereador Rui Sá que só sabe criticar e olhar para as coisas que Rui Moreira não faz, sem ter a dignidade de louvar o muito que já tem realizado? 

E António Costa, o que terá a declarar sobre este paradigmático exemplo de "descentralização" de uma empresa participada pelo Estado? Estará Costa contaminado pelo síndroma Scollari, que via «o Porto lá ao longe»?

29 janeiro, 2017

Nuno Espírito Santo, é medroso ou incompetente?



No futebol, como na vida, tudo é possível. Possível, mas muito pouco provável, é esperar que os caprichos da sorte devam sobrepor-se à inteligência sempre associada com a determinação, quando se pretende atingir determinados objectivos.  Por aquilo que já me cansei de ver, e constatar, é que, foi exclusivamente na sorte que Nuno Espírito Santo decidiu apostar para atingir os objectivos do FCPorto que, naturalmente, consiste em ganhar títulos (no plural).

Sinceramente, posso vir a enganar-me, mas já dei por mim a questionar-me se Nuno E. Santo  assumiu conscientemente o seu papel treinador do FCPorto, no qual, aliás foi também jogador, ou se aceitou o cargo para fazer experiências técnicas e tácticas como se estivesse a lidar com um grupo de jovens da formação. De tanto falar na juventude do plantel, vou-me convencendo que o faz para camuflar a sua própria insegurança para a eventualidade de as coisas lhe correrem mal. Será que é por se lembrar do afastamento precoce das duas competições (Taça de Portugal e da Liga), que enfatiza a juventude da equipa? Se é, por que não assume a vontade de vencer, estabelecendo o padrão de jogo e os jogadores que mais garantias de êxito lhe dão?

Nuno, ainda não percebeu que esta teimosia de jogar sem extremos não é o caminho mais certo para lhe garantir os golos que ele próprio reconhece escassearem. Ou melhor, insiste neste método vezes sem conta, e sem grandes resultados, e com isso faz o favor de oferecer aos adversários, no mínimo, metade do tempo de jogo, o que significa, dar-lhes muitas oportunidades para discutir taco a taco o resultado. Esta indefinição no sistema de jogo, é para mim a principal causa da instabilidade exibicional da equipa com as consequências que sabemos. Dou de barato, que jogando assim, com a tal posse de bola estéril , possa sofrer menos golos, mas a verdade é que também marca menos, porque abdicando de extremos que cruzem para a área, torna muito previsível e mastigado o ataque. Estamos fartos de ver que assim, os adversários ficam de frente para os nossos jogadores (que ainda por cima são lentos e nem sempre assertivos na troca de bola), tornando-lhes a tarefa de evitar golos relativamente simples.

Ainda ontem, tivemos essa prova. Quando NES mudou a equipa, tirando o Diogo Jota e fazendo entrar Brahimi já tinham passado 35m da 1ª. parte e o segundo golo já foi marcado em tempo de compensações. Ainda assim, tardiamente, marcamos 2 golos, mas foram os dois golos que nos permitiram superar o 1 marcado pelo Estoril. Ou seja, é fundamental ter uma defesa coesa e atenta, mas é fundamental privilegiar com um pouco mais de coragem o ataque, caso contrário nunca mais sairemos  deste sistema de jogo angustiante e chato, sobretudo para os adeptos.

A nossa inquietude de adeptos, é resultante de vários equívocos. Estes últimos, não têm origem nossa, são provocados pela SAD, A contaminação das consequências é que nos atinge também. Gostava de adivinhar o que Pinto da Costa pensa deste futebol made in Nuno E. Santo! Não deve andar longe do que a maioria dos portistas pensa, suponho. Apenas com sentimentos diferentes. É que nós, não temos a compensação mágica que advém dos euros...  

26 janeiro, 2017

Samir, o sudanês

Rafael Barbosa (JN)
1 Enquanto escrevo, as televisões dão em direto o debate parlamentar em que se discute se a TSU dos patrões deve ou não baixar, para compensar a subida do salário mínimo de 530 para 557 euros. Só os vejo, não os ouço. Os dedos em riste, as expressões faciais vincadas, os sorrisos irónicos ou cínicos, os aplausos entusiasmados aos chefes. O culminar de quatro semanas de troca de argumentos, de cambalhotas políticas e acrobacias retóricas. Os entendidos chamam a isto debate político. Olhando para as bancadas do Parlamento, assim, sem som, diria que é um teatro. Um teatro absurdo, se tivermos em conta que, na sua origem, está, afinal, se é ou não possível pagar mais um euro por dia a cerca de 650 mil trabalhadores. Gente pobre e explorada que vai continuar a ser pobre e explorada.

2 Enquanto escrevo e olho de relance as televisões, intuindo os decibéis produzidos pelo entusiasmo dos tribunos, recordo o relatório da Oxfam (organização não governamental dedicada ao combate à pobreza e à desigualdade) segundo o qual os oito homens mais poderosos do Mundo acumulam tanta riqueza como os 3600 milhões de pessoas que fazem parte da metade mais pobre da humanidade. E lembro-me, concretamente, de que no segundo lugar, entre os oito empreendedores, está o espanhol Amancio Ortega. E não posso deixar de pensar que é o multimilionário dono do grupo Inditex quem verdadeiramente beneficia do miserável salário mínimo que se paga em Portugal. Mais do que o patrão da pequena ou média empresa têxtil do Vale do Ave que esmaga os preços para conseguir a encomenda da Zara.

3 Enquanto escrevo e observo os gestos quase cacofónicos dos parlamentares, recordo a história de Samir, lida umas horas antes. O rapaz de 17 anos que fugiu à guerra e à fome no Sudão, atravessou o deserto até à costa líbia, fez-se ao Mediterrâneo até Itália, calcorreou a Europa do Sul para o Norte, até ficar encurralado na "Selva" de Calais. Nunca chegará à terra prometida. Morreu este mês, num centro francês de acolhimento para menores, de ataque cardíaco, poucos dias depois de lhe dizerem que o Reino Unido recusava o seu pedido de asilo. É assim, este admirável mundo novo: a riqueza não se partilha, protege-se com muros e arame farpado ou usando os cofres virtuais dos paraísos fiscais. Vivemos o que a Oxfam batiza como a era "dourada" dos super-ricos, alicerçada em dogmas que nenhum político no poder, incluindo os populistas, quer ou pode contrariar: o mercado tem sempre razão e o papel dos governos deve ser minimizado; as empresas têm de maximizar lucros e garantir maiores vantagens para os acionistas, seja qual for o custo; a riqueza individual (mesmo a extrema) é um sinal de sucesso.

* EDITOR-EXECUTIVO