25 julho, 2017

Do futebol à política, pouco se aproveita!

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Quem aqui devia esturricar, sei eu...

A senhora Dona Prudência aconselha a moderar o entusiasmo, mesmo que as expectativas sejam positivas. Portanto, como a nova época ainda nem começou prefiro não me estender muito em comentários sobre o que penso dos jogos de preparação da equipa do FCPorto. Há ainda muitas coisas por resolver para lá do lado restritamente desportivo. Há, e haverá.

Sintetizando, a que me parece até menos problemática é o futebol jogado. Penso que Sérgio Conceição percebeu o essencial: nenhuma equipa pode adquirir confiança sem correr riscos. Pelo que pude observar dos poucos jogos de pré-época, o novo treinador não gosta nada do futebol atrofiado do passado, e parece ter convencido os jogadores que para vencer não basta defender, é fundamental atacar e transformar o ataque em golos. Ponto. Gostei do que vi, e por aqui me fico. 

A única utilidade do tipo vestido de árbitro que apitou na 2ª parte do jogo amigável entre o Victória de Guimarães e o FCPorto foi um precioso alerta para o que nos espera. Os erros propositados contra o FCPorto vão continuar, assim o permita a FPF e o Ministério Público, e assim o consinta o FCPorto. João Pinheiro, a quem por alguma razão alguns baptizaram de Mostovoi, tem todo o direito de ser o quiser, até benfiquista, mas para isso tem primeiro de rasgar a camisa de árbitro, porque quando o carácter não existe é impossível conciliar as duas coisas. É o caso. Este humanóide, é cuspe sangrado, figura virtual da tuberculose equipada de árbitro sobre um corpo agarotado. O FCPorto não pode permitir que estas "coisas", estes freteiros, lhe sejam impingidas nos seus jogos, sob pena de voltar a perder pontos, e até campeonatos. O FCPorto tem de bater o pé a tudo e a todos, até ao Presidente da República, se fôr preciso.   

Tenho-me  perguntado se estes incêndios, este festival continuado de desgraças pelo que o país atravessa não será obra dos mafiosos vermelhos (quem trafica droga e rouba camiões, é capaz de tudo ) para afastar a atenção da Justiça e do país dos e-mails cartilhados e  juras de amor, mas como sei que este país é um "Benfica" a céu aberto, no que ele representa de pior, o veredicto é sempre o mesmo: incompetência+desonestidade governativa. De todos os governos! Passados, e contemporâneos!

Há coisas que não enganam. O comportamento de um governo é comparável ao de um cidadão. Se é responsável, se age de boa fé e evita opções de vida duvidosas, se procura cumprir com os seus deveres, nada tem que recear. Se faz o contrário, não pode esperar um tratamento de respeito e confiança. Estão neste grupo, os políticos.

Um pequeno exemplo do que é Portugal: no JN de hoje foi possível ler isto. Como é possível uma coisa destas não estar definitivamente regulamentada? Esta, é das tais situações em que não é preciso mexer na Lei! Por que andámos nós sempre nesta roda-viva de pára e arranca com tudo o que é legislação? Eu sei: porque a classe política faz questão de viver neste jogo de vaivém de forma a deixar sempre aberta a porta das grandes empresas para quando deixar a política poderem arranjar as suas habituais negociatas, e enriquecer... O resto, é conversa de... político, o pior ramo dos vigaristas. 

Agora, já começam outra vez a preparar terreno para irem às reformas mais baixas. A CGD está a pensar debitar mensalmente as reformas dos desgraçados! Mas, o que é esta porcaria de espaço onde vivemos que não uma pocilga onde os porcos de sempre se governam com a merda que fazem, tentando impingí-la a quem se lava todos os dias e vive longe do lamaçal?

22 julho, 2017

Olhando o Porto


Quando fui viver para a beira-rio de Gaia, território que hoje integro na minha urbe genésica, sentia-me estrangeiro. A beira-rio de Gaia era um microcosmo muito peculiar que conciliava, em estranho conúbio, os benefícios civilizacionais de uma grande cidade com uma mentalidade de aldeia. Hoje, a normalização imposta pelos mass media já quase não permite discriminar entre as idiossincrasias rural e urbana seja de que lugar for. Todas as particularidades étnicas se dissolvem no magma indiferenciado da normalização cultural que, quase sempre, corresponde à estupidificação maciça das mentes e vontades. Logicamente que a sanha acéfala das televisões generalistas na procura de audiências fáceis é responsável por este estado letárgico de iliteracia que caracteriza o urbano e o rural do Portugal hodierno.
Mas nunca reneguei, nem renego, a parte de mim que é povo-povo, no que este tem de fútil e descomprometido com asceses culturais ou perorações hermenêuticas sobre a existência humana. Sou a síntese de todos os passados que vivi e alguns não foram de todo culturalmente saudáveis.
Por isso convivo bem, com a parte desse povo que não tem pretensões a culta ou letrada, já convivo pior com aqueles que têm a mania que são intelectuais só porque leram os Maias e a Morgadinho dos Canaviais no ensino secundário e que agora escalpelizam os jornais desportivos numa hermenêutica de filólogos.
No verão, naqueles dias quentes de esturricar tenho um gosto especial em fazer duas coisas: nadar no rio frente a minha casa refrescando os coisos e a alma e, no fim de tarde já crepuscular, ficar no serrote com as minhas vizinhas. A Elisa e a Joaquina são as minhas interlocutoras nos serões vespertinos.
Elisa – Olha práquela com o cu à mostra!
Joaquina – Isto é uma pouco vergonha, todas oferecidas!
Zecas – O que é bom é para se ver; e oferecidas não o são senão eu tinha notícia.
Elisa – Tenha juízo pois tem uma namorada bem bonita.
Joaquina – Este óme não tem juízo nenhum.
Zecas – Tenho tempo na cova para ter juízo. Na cova não, no rio pois quero ser “cromado” e as minhas cinzas lançadas da ponte D. Luís ao rio Douro. Aí vou eu a caminho da América na minha versão atómica e subatómica.
Elisa (olhando para o prédio onde nasceu e agora comprado e remodelado para hostel). Quando olho para ali até me apetece chorar. Nasci ali e ali nasceram os meus filhos. Tenho o coração preso àquela casa. O que me custa olhar para aquela casa.
Zecas – Deixa lá Elisinha. Continuas a viver à beira-rio. Deixa-te de lembranças saudosas. Olha para o outro lado. Olha para o Porto.
Enquanto eu rodo o corpo no banco de pau feito de pedra para olhar o Porto a Elisa continua a olhar a casa onde veio ao mundo.
Zecas – Olha o Porto, Elisa.
Elisa – O Porto nada me diz. Isto sim.
Zecas – Que lindo é o meu Porto.
Continua lindo apesar das Elisas do Porto, também expulsas dos seus lugares genésicos, terem migrado para os bairros periféricos e muita da cidade ter perdido a sua alma.
Ó políticos de todos os matizes, aprendam que a alma de uma cidade não é dada pelos turistas, mas sim pelos seus habitantes. Os turistas podem acrescentar-lhe alguma alma, mas é uma alma fugidia, fugaz, temporária. A alma perene de uma cidade é criada pelos que nela nascem, crescem, vivem e morrem. Um turista que venera uma cidade acrescenta-lhe algo de inovador. É assim desde sempre. Quando os bárbaros do Norte conquistaram Roma respeitaram-na e admiraram-na na sua eloquente grandeza. Tomaram a cidade, mas respeitaram a sua alma. Coisa que os prosélitos do cristianismo não fizeram em relação aos lugares das pugnas desportivas. O cristianismo ascendente na Roma Imperial destruiu os lugares de culto das coisas do corpo considerados antros do demónio. Eis uma boa pergunta a fazer. O que é a barbárie?
Aqui e agora, talvez a turistificação descontrolada das cidades com alma. Porto, Lisboa, Veneza, Barcelona, Madrid, Roma, Atenas, têm de se defender do crescente surto de expansão turística desordenada.
Coloquemos as coisas como devem ser colocadas. Logicamente que tenho orgulho no reconhecimento internacional da cidade que me viu nascer. Sempre a propagandeei em todos os lugares a que aportei nas minhas viagens. É com imensa satisfação que vejo a cidade cada vez mais multitudinária, prenhe de turistas que são os melhores divulgadores das qualidades intrínsecas desta cidade maravilhosa. Não posso, nem quero, parar esse movimento de internacionalização do Porto num momento em que o afluxo turístico ao nosso país tem-nos dado alguma capacidade de resolução dos défices económicos que atavicamente nos fragilizam. Não me posso esquecer que o equilíbrio da balança de bens e serviços, que é algo que não acontecia em Portugal há muitos e muitos anos, tem na melhoria da balança do turismo um forte fator contributivo. Portanto, o interesse nacional também assenta na promoção, desenvolvimento e crescimento do turismo.
Os políticos e os homens de negócios recolherem, em proveito próprio, as benesses duma expansão turística sem precedentes e para a qual não contribuíram de forma significativa. Este surto acelerado de globalização da cidade do Porto e do país é menos resultado do labor orientado de políticos com visão de futuro e mais resultado duma conjugação de factores com origem tão distante como o médio oriente ou o norte de África. Obviamente que a peculiar idiossincrasia do português que sabe receber bem o estrangeiro, a excelência paisagística e culinária, a paz social e os programas de intercâmbio cultural e académico internacionais a que temos de acrescentar, para ser justos, as promoções dos agentes cometidos aos dossiês turísticos, são fatores que confluem em Portugal como destino turístico privilegiado. Temos de nos regozijar que Lisboa e Porto estejam entre os destinos turísticos mais elogiados por todas as revistas internacionais da especialidade.
Não podemos parar a roda do desenvolvimento e progresso, mas podemos, se tivermos políticos avisados e corajosos, controlar a sanha descaracterizadora que tudo o que é pato bravo pretende impor para sugar na teta turística até à exaustão. Tal como a reestruturação das florestas portuguesas deve pressupor a implantação, no meio das manchas “eucalípticas” predadoras, de zonas de florestação com espécies autóctones e ecologicamente mais adaptadas à biocenose portuguesa, também os autarcas do Minho a Timor (porra, já me esquecia que o Império já foi) devem cuidar em criar zonas urbanas recuperadas, acessíveis aos que querem habitar os centros das cidades, num equilibrado convívio com os visitantes.
Segundo um provérbio, ou persa ou indiano não me lembro bem, deixa de ser viajante quem permanece mais de 3 dias num sítio. Temos de privilegiar a guarida dos viajantes nos centros das cidades, mas não podemos esquecer aqueles que nela querem ficar mais de três dias, por vezes, uma vida.
(de José A. R.dos Santos)

21 julho, 2017

Metro do Porto

A Assembleia da República aprovou por maioria recomendar ao Governo o “alargamento imediato” do Metro do Porto ao Campo Alegre e a”calendarização da expansão” do metropolitano até Matosinhos Sul e da nova ligação a Vila Nova de Gaia.
O projeto de resolução foi aprovado na reunião plenária desta quarta-feira foi apresentado pelo grupo parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), teve os votos favoráveis do PCP, BE, PEV, PAN e abstenção do PS e PSD, que entretanto fez saber que irá apresentar uma declaração de voto.
No texto aprovado pelo deputados, a Assembleia da República aprovou recomendar ao Governo “a consideração, no plano de alargamento imediato da rede de Metro do Porto, da construção de uma estação na zona do Pólo 3 da Universidade do Porto, no Campo Alegre”.
Aprovaram ainda os deputados recomendar “a elaboração de uma calendarização com vista à concretização da expansão da rede Metro do Porto até Matosinhos Sul, passando pelas freguesias de Lordelo do Ouro e Foz do Douro”.
Ao executivo liderado por António Costa, a Assembleia da República indica ainda que proceda à “calendarização com vista à concretização de uma nova ligação até às Devesas, em Vila Nova de Gaia”.
No texto, o PCP lembra que “foi a derrota do governo PSD/CDS e a nova fase da vida política nacional que permitiram criar condições para desbloquear o processo de alargamento da rede do Metro do Porto e abrir o caminho à construção de novas linhas”, como as que foram anunciadas recentemente – a Linha Rosa, entre a Casa da Música e S. Bento, com um total de cerca de 2,7 quilómetros de extensão, com quatro estações subterrâneas e a Linha Amarela, entre Santo Ovídio e Vila d’Este, com uma extensão de 3,2 quilómetros.
Os comunistas salientam, no entanto, que “para além da decisão de não construir a ligação à Trofa, as mais recentes decisões do Governo frustram expetativas geradas por projetos anteriores e compromissos de sucessivos governos para com os órgãos autárquicos e as populações da área metropolitana do Porto”.
Assim, para o PCP, as opções apontadas no projeto de resolução agora aprovado são necessárias.

“Esta é uma opção justa, necessária e exequível, que a concretizar-se corresponde a levar a rede Metro a uma área com um enorme potencial de procura e a aproveitar as condições disponíveis neste momento para garantir o alargamento da rede Metro do Porto num futuro próximo”, justifica o grupo parlamentar comunista.

19 julho, 2017

Cartilhices e compadrios

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Todos como água cristalina,
todos transparentes...
O que só agora está a chegar ao conhecimento público sobre e-mails e outras trafulhices praticadas por dirigentes e colaboradores do Benfica, ninguém podia provar, mas os sinais que deixavam eram de tal forma grosseiros que nem o mais fanático dos adeptos pode negar à sua própria consciência (se a tiver). 

A famosa cartilha não se limitava, nem limita (a berborreia vai continuar até a Justiça os meter na ordem) às figuras que todos já conhecemos, mas também a instituições de responsabilidade pública, como RTP e RDP, alargando-se às suas congéneres privadas de cariz público com responsabilidades semelhantes. Estão neste grupo a grande maioria dos canais de Lisboa, jornais e a rádio.

A classe política não é alheia a esta promiscuidade, porque quem escolhe cargos de alta responsabilidade pública e política e jura a Constituição não pode, nem deve, ofender os portugueses fazendo de conta que não vê o que toda a gente sabe. Agora, benfiquistas, ou não, os políticos vão ter mesmo que deixar cair a máscara, desta vez com estrondo, para mostrarem de que massa são feitos. Da minha parte, não espero grandes surpresas, já estou vacinado contra os políticos, estou apenas curioso de saber como vão eles sair da ratoeira vermelha que tanto ajudaram a armadilhar.

Foi por ter a percepção que tanto o FCPorto como Pinto da Costa não podiam ser os bombos da festa do futebol português, porque na 2ª circular de Lisboa haviam dois clubes privilegiados pela comunicação social, sobretudo o Benfica que quer fosse campeão, ou não, abria os telejornais e era sempre 1ª página nos jornais sempre envolta em elogios, que suspeitei desde o primeiro dia da legitimidade do processo Apito Dourado e me levou a defender Pinto da Costa. Hoje, com a absolvição tardia do presidente e do clube, percebemos quão inócuas eram as acusações de que eram alvo. Só não se fez JUSTIÇA porque chegou muito tarde. Consolar-nos-ia mais se tivesse sido feita em tempo útil, mas, como diz o ditado, vale mais tarde que nunca. Assim, fez-se justiçazinha.

Agora, esperemos que o FCPorto saiba utilizar o Porto Canal de forma inteligente e nunca deixe de denunciar tudo o que de ilegítimo continuar a ser feito pelo Benfica. Hipotecar 4 anos de sucessos desportivos na modalidade principal, que é o futebol sénior, foi um preço demasiado alto, por isso impõe-se capitalizar esta victória jurídica e transferí-la para a área desportiva com victórias, planteis competitivos e treinadores competentes com pêlo na venta. Se o silêncio de Pinto da Costa fez parte da estratégia para manter os cartilheiros distraídos, é de louvar, o que não se justifica é a necessidade de calar as arbitragens provocatórias que tivemos de digerir estas últimas épocas e depois pedir fair-play aos adeptos. Sinceramente, não acredito que o distanciamento irritante de Pinto da Costa com os adeptos fizesse parte da estratégia... Não havia nexexidade.   


18 julho, 2017

História de uma amiga, e o rosto do Estado


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É preciso ter uma grande  capacidade de observação, e sobretudo memória, para se firmar uma opinião. O seu prazo de validade depende de muitos factores, consoante o objecto da mesma. Seja ele qual fôr, pessoal, político, colectivo ou social, tudo depende da vontade e do tempo que gastamos a corrigir as asneiras que fazemos. Vale isto por dizer que a opinião que tenho sobre os serviços públicos é péssima, que nem o 25 de Abril, nem a Internet ajudaram a melhorar. 

Sosseguem, que não vou massacrar-vos com a desgraça de Pedrógão, das 64 vítimas de políticas homicídas, porque já bastam as televisões para a explorar, vou falar de outras 'banalidades'... 

Se vos contar que tenho uma amiga que esteve 9 anos sem receber o Certificado de Matrícula do seu veículo após ter pago a transferência de propriedade na Conservatória do Registo Automóvel, talvez não acreditem, mas é a mais pura verdade. Se acrescentar que essa amiga deixou de reclamar a entrega desse Certificado por se ter cansado de contactos e cartas sem resposta e porque nem a Polícia o reclamava nas operações Stop contentando-se com a mostragem do Comprovativo da Transferência, talvez entendam melhor. 

Entretanto, os anos foram passando com as respectivas inspecções periódicas, sem nunca a chatearam por apresentar apenas o Comprovativo. Eis senão quando, ao fim de 9 anos numa inspecção rotineira, a mesma empresa de inspecção decidiu fazer birra e vetá-la por falta do Certificado de Matrícula! Escusado será dizer em que estado ficou a moça. Disse-lhes aquilo que qualquer um de nós diria. Protestou, perguntou-lhes porquê só agora, e não antes? Nada adiantou. 

Impotente, a miúda acabou por voltar à carga com nova reclamação junto da Conservatória. Qual não foi o seu espanto quando recebeu um mail de uma Conservatória do Porto informando que o Certificado de Matrícula se encontrava lá e que lhes tinha sido enviado pela Polícia!  Como pela Polícia, se nunca tinha chegado às mãos da proprietária? Lá foi ela à Conservatória para obter finalmente o que tinha pago há 9 anos, sem um único pedido de desculpas por não se dignarem contactar com ela antes! Preferiram mantê-lo arquivado na Conservatória! A proprietária que adivinhasse! 

São estes os nossos fantásticos serviços públicos o espelho fiel da verborreia política! Habituados a receber antecipadamente, sem concluirem  o serviço que o justifica! 

E, não me venham com tretas, continua a ser este o comportamento típico dos funcionários públicos. Mal se apanham com uma farda, ou atrás de um balcão do Estado sentem-se importantes, com poder sobre os outros e não resistem a exibí-lo da forma mais grosseira e antipática que podem. Portugal é muito mais isto, do que os beijinhos e abraços de Marcelo pretendem camuflar... É pena, não ser ele a resolver problemas como os da minha amiga, e de todos nós. Com simpatia, e competência talvez Portugal chegasse a ser um genuíno Estado de Direito.




16 julho, 2017

Centralismo= a Justiça tardia = a injustiça


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Podem dizer à vontade que sou um gajo desconfiado, que até duvido da minha própria sombra, porque é verdade, assumo calmamente essa condição. Mas não é por insegurança pessoal [que esse é um diagnóstico típico dos psico-charlatões], é por conhecer bem o tipo de gente que controla este país e o tem assolado de escândalos. 

Sei, que mesmo para os leitores mais compreensivos, não é nada agradável ver um conterrâneo falar mal do seu país, dizer publicamente que não se orgulha dele, como eu próprio aqui declarei. Mas, depois de tantos anos de enganador progresso, de tantas oportunidades para nos levantarmos do cinzentismo miserável do Estado Novo, a realidade pesa mais forte, continuamos na vanguarda dos países mais atrasados da Europa comunitária. Os primeiros, entre os piores. Atrasados na mentalidade, atrasados na coesão, atrasados na qualidade de vida e atrasadíssimos no sistema de justiça. Como cidadão descomprometido, livre, e sem vínculos político-partidários, tenho a legitimidade de me sentir mais credível do que qualquer político, de qualquer partido que mudam de opinião consoante o lado do poder em que se encontram (governo, ou oposição). 

No entanto, amo este território, a terra, o bucólico diversificado das regiões (sazonalmente queimado) que apesar dos maus tratos que os sucessivos governos lhe têm dado ainda nos vai encantando. Mas podia amá-lo muito mais, sem ressentimentos, se nos soubéssemos unir num só povo e tivéssemos a capacidade de distinguir o que somos daquilo que querem que nós sejamos.

Estamos divididos porque fomos levados a isso através da mediatização televisiva do futebol. É irrelevante se alguns nortenhos de carácter mais volúvel, permitiram o domínio da capital sobre o resto do país só por simpatizarem com um dos seus clubes através de uma comunicação social sectária e divisionista. O que importa são os factos: dividiram-nos! O centralismo absoluto reside também nos media da capital que pela sua natureza discrininadora convenceu-se que benfiquisando a comunicação, benfiquizava o país, mas enganou-se, porque só conseguiu fragilizá-lo e dividi-lo.

Já não vou a Lisboa há alguns anos, e não tenho vontade nenhuma de lá voltar. Sinceramente, não é uma cidade (nunca foi) que me diga muito, mas estou convencido que olharia para ela de outra maneira se representasse honoravelmente a capital do país, e não (como procuram incutir), o próprio país.

Lisboa não é, não foi, nem nunca será o país. Se os portuenses também assim pensassem, então por maioria de razão e pela cronologia da história, o país teria inevitavelmente de se chamar Porto, até porque  ainda hoje se chama assim, com ligeiras adaptações liguísticas (Portucale)...  Pelo nome, nós tripeiros, somos mesmo Portucale! Ah, e agora (ó  diabo, que fui eu dizer)? Querem ver que fui colocar-lhes macaquinhos na cabeça e um dia destes ainda vão inventar outro nome para a nossa cidade? B'ora lá uma proposta para o parlamento! Já!

Por falar nisso: para quando o Processo Apito encarnado? Julgarão porventura que a absolvição extemporânea do CJ da FPF do FCPorto e Pinto da Costa lhes vai servir de trampolim para pular para longe dos bancos dos tribunais? Não sacaninhas, vocês vão ter de continuar a aturar-nos. Nós não vamos assobiar para o lado só porque nos deram agora este "rebuçado". Cheira a bolor, a ASAE pode estar interessada.

Não se fez justiça, sabem? Porque justiça tardia é, ainda assim, injusta.

14 julho, 2017

Grandes cabrões!


'Opinião dos que acham tudo mau, ou de tudo esperam o pior'. É mais ou menos isto que traduz o significado da palavra "pessimismo" em vários dicionários de português. Contudo, em nenhum deles encontramos qualquer sinónimo a "pessoas que duvidam da palavra de vigaristas, e das suas promessas". Essas, não são pessimistas, são gente atenta, previdente e realista, pouco virada para regressar à infância, ou acreditar no Pai Natal. Só os políticos, os ingénuos e os vigaristas chamam a essas pessoas pessimistas, o que é sintomático...

Foram frequentes os artigos que aqui escrevi sob o tema da Democracia e da Liberdade. Em todos eles enfatizei o meu cepticismo sobre a fiabilidade de ambas, numa sociedade sem respeito pela ética e pela Lei, como é o caso de Portugal. Para mim, que devia ser pessimista mas que ainda consigo elogiar pessoas e suas obras e virtudes, há muitos anos concluí que vivo numa falsa democracia. Isto, não é pessimismo, é convicção inexorável e intelectualmente verossímil! Salazar, foi um ditador, mas tinha uma virtude: nunca o ouvi dizer que era democrata... Se o disse, nunca o ouvi. Hoje, pratica-se a ditadura e chamam-lhe democracia, que é o pior  modelo das ditaduras. Isto, não é pessimismo, é uma realidade.  

Podia agora desencadear um repertório de casos onde figuras com cargos políticos e públicos de prestígio se notabilizaram por actos criminosos repulsivos, ou de simples cidadãos fugazmente destacados por grandes gestos humanistas, mas não vale a pena. 

Todos nós sabemos a balbúrdia que grassa no nosso país. Recordar a morte recente de 64 pessoas, ou o desmazelo do atol de Tancos, só é imperativo pela gravidade das duas ocorrências, mas nem sequer era necessário, porque os Sócrates e os Passos Coelhos desta vida e todos os que ainda lhes lambem as botas bastam para uma retrospectiva do que foram os 'governos' de ambos entre 2005 e 2015. 

Não me orgulho de aqui ter  nascido e vivido a maior parte da vida (embora adore a minha cidade). Nada. Hoje, arrependo-me de não ter fugido à guerra do Ultramar quando nem sequer precisava de fazê-lo. Este país não o merecia. Os impulsos da juventude pagam-se caros... Para mim, não importa ganhar campeonatos de futebol, seja do meu clube ou da selecção (que agora nada me diz). O Ronaldo é português, mas não é Portugal, assim como José Mourinho, ou Lisboa. Nada destas pessoas e desta cidade importam para me sentir abrangido por um sentimento onde a comunidade não entra. Ronaldo e Mourinho foram bem sucedidos nas sua vida pessoal. Ponto. O mérito é deles, e o orgulho também.

Agora, falar do orgulho de um país é uma coisa mais séria, mais  abrangente. É um amplo e deversificado conjunto de casos de sucesso com benefícios de ordem vária para toda uma comunidade. Aí sim, pode caber o orgulho nacional. O resto, é (desculpem-me dizê-lo) folclore politiqueiro para distrair o povinho e "credibilizar" um país dominado por um clube de futebol e meia-dúzia de grupos ligados à comunicação social, com ideias e interesses verdadeiramente desagregadores. 

Bastou ao actual Governo mudar de ideias na decisão da escolha da cidade para a candidatura à EMA (Agência Europeia do Medicamento), para esses cabrões de merda saírem a terreiro conjecturar previamente desgraças e insucessos por ter vindo para o Porto. São mesmo estrangeiros estes gajos! Estrangeiros perigosos!

Que viva Espanha! É de Lisboa que sopram os ventos divisionistas. Para mim, vale mais um galego que mil centralistas juntos. Cabrões!    

PS-Hoje, apetece-me dispensar o politicamente correcto...Estou saturado desta gente. 
Além disto, o Porto Canal em vez de dar relevância ao inquérito feito supostamente na Agência, devia também condenar a sua divulgação dado efeito negativo que pode dar à candidatura do Porto. Também podia convidar um comentador idóneo para falar sobre este assunto, mas nada...
Curioso, ou nem por isso (sabendo do que a casa gasta), é que o inquérito apareceu imediatamente após a mudança da escolha do Governo, o que me leva a duvidar dos propósitos do presidente da APIFARMA. 

Cabe portanto à Comissão Europeia avaliar e decidir as várias candidaturas, pelo que a suposta opinião dos funcionários da EMA não conta para este totobola.


07 julho, 2017

Meia bola e força

David Pontes
Ao fim de algumas semanas, a "crise política" nem cola nem descola. Os socialistas querem acelerar o relógio para ver se isto passa, diluído no calor do verão e num multiplicar de relatórios e contrarrelatórios. Em contraponto, a Oposição à Direita quer mantê-los bem amarrados a Pedrógão Grande e a Tancos, ampliando o desgaste causado ao Executivo por dois monumentais falhanços do Estado, que poderão ter o seu quê de conjuntural, mas têm muito mais de estrutural.
Só que enquanto Marcelo estiver disponível para ocupar o lugar do primeiro-ministro em férias, desdobrando-se em visitas e reuniões, não creio que a situação se venha a agudizar. Mais, temo que o atual estado de efervescência política acabe por fazer perigar o que de bom poderia sair destas crises: o impulso para refletir seriamente sobre medidas de fundo a tomar nos dois dossiês que desgraçadamente ficaram a nu - a floresta e o estado das Forças Armadas.
Apuraremos ainda mais nesta arte, refinada ao longo de muitos anos, de empurrar com a barriga os problemas, numa atitude que não sei se é de simples inconsciência, de impotência ou até de autodefesa. Um exercício sério obrigar-nos--ia a encarar de frente as reais limitações de um país pobre como somos, mas preferimos não as ver. Assim poderemos voltar a ser campeões da Europa e da Eurovisão e esquecer todas as outras derrotas do dia a dia.
Deixem que vos dê um outro exemplo deste nosso padrão comportamental. Será difícil encontrar paixão maior entre nós do que aquela que desperta o futebol, no país dos três diários desportivos e dos milhares de horas de debate televisivo. Seria de supor que quando sob este desporto pesa a suspeita séria de que aquilo que está na sua essência é ferido, a verdade na competição, um sobressalto percorreria tão vivida paixão. Mas não é assim.
No último mês, o F. C. Porto tem vindo a revelar uma série de emails que, do grave ao ridículo, levantam fundadas dúvidas sobre as relações entre o Benfica e a arbitragem e a forma como tentará condicionar determinados agentes desportivos. Mas hoje, como no passado, alguém acreditará que aquilo que os emails indiciam será questionado até às últimas consequências? Não. Dois ou três inquéritos contraditórios, e meia bola e força, que a ética não quer ter nada a ver com quem prefere ganhar a ser melhor. Mesmo que seja preciso viver uma mentira. No futebol, como no país.
* SUBDIRETOR

03 julho, 2017

Não insultem mais, o Infante D. Henrique!



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Hermínio Loureiro
(devolva a medalha, faz favor)
Lembram-se, daquele homem de ar pacato, gordinho e baixote, que foi ex-Secretário Geral adjunto do PSD, ex-presidente da Liga Portuguesa de Futebol, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ex-presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, e ex-presidente da Área Metropolitana do Porto, distinguido por prestar serviços relevantes ao país com a Ordem do Infante D. Henrique?  Não se lembram?

A foto está aqui mesmo ao lado, mas eu ajudo. Foi um daqueles (muitos) que por altura do forjado processo Apito Dourado, reclamou pela verdade desportiva no futebol português. Lembram-se agora? Pois, é esse mesmo: sua Exa., o dr. Hermínio Loureiro! Nem mais!

Ora, esse grande estadista [ :-) ], foi detido há poucos dias por suspeita de corrupção, prevaricação, peculato e tráfico de influências... Chega?

Coitado do Infante D. Henrique! Deve estar a dar voltas no túmulo só por saber como se valorizam hoje as pessoas em Portugal! Tanto poder, para um homem tão vulnerável!

Como é possível deixá-lo sair da cadeia só porque dispôs de 60 mil euros para ficar em liberdade? Isto é justiça, ou mercado?

É que esse homenzinho, que ainda há poucos dias se passeava pelos bastidores do(s) poder(es), foi cumplíce do ardil que outros (imensos) como ele tramaram contra o FCPorto aquando desse malfadado processo. Eu tenho memória!

A vida, ás vezes, prega-nos partidas, não é sr. Loureiro?

28 junho, 2017

Diretor de comunicação do FC Porto reafirmou total colaboração com a Polícia Judiciária

O tema dos emails volta a ser assunto principal do programa "Universo Porto", do Porto Canal e Francisco J. Marques ocupou os primeiros minutos a esclarecer o papel do FC Porto na investigação da Polícia Judiciária em curso. "Fui contactado, por telefone, pela PJ, pela Unidade de Combate à Corrupção. Desde aí tenho estado a colaborar com pessoas dessa unidade. Solicitaram entrega dos emails que temos revelado e entregámos tudo. O que foi revelado e o que não foi revelado, que é a maior parte. Não me posso pronunciar sobre o que está agora no processo e que está em segredo de justiça. Da nossa parte, FC Porto, estamos completamente disponíveis para colaborar no que podemos, que é partilhar informação que temos e que venhamos a ter. À medida que nos chegue nova informação, o nosso compromisso é de entregarmos tudo o que nos chegue. Queremos contribuir para que tudo isto se esclareça."
Francisco J. Marques : "O melhor ainda está para vir"
Quanto à limitação em continuar a divulgar novos emails ou outra informação, o diretor de comunicação do FC Porto sublinhou que nada o impede. "O segredo de justiça impede pessoas que são parte do processo de divulgarem material obtido através do processo. Mas nós já tínhamos conhecimento prévio. Sou eu que estou a ceder coisas à Polícia. Eventualmente não vamos revelar algumas coisas para dar oportunidade à investigação, mas não estamos impedidos de revelar o que quer que seja, de nada."
Francisco J. Marques sublinhou ainda que revelou à PJ tudo, incluindo a forma como obteve os email. "A Polícia sabe tudo. Não escondemos nada. Agora não sei se o que eu cedi serve de prova. Não sou jurista.

26 junho, 2017

O espectáculo já começou!


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Mais que pela obscenidade e o chico-espertismo, os dirigentes benfiquistas e respectivos cães de fila pautam pela previsibilidade. Tal como esperávamos, a táctica não mudou: acusam o FCPorto dos seus próprios actos (ilegalidades).

Esta forma de actuar só é possível num país como o nosso, onde a liberdade contempla a mentira e a infâmia na companhia de adjectivos qualitativos. É tão grave e chocante, que os próprios media ganham dinheiro com essa cumplicidade.

Até o JN, que como sabem, é para mim mais um jornal do Porto em processo evidente de lisboetização, portanto centralista, colabora neste circo enfatizando os dislates do Benfica com a sua publicação. A intenção é clara, não dá para duvidar, é lançar poeira nos olhos do público para confundir, e ao mesmo tempo para tentar inverter as posições dos protagonistas. Como o Benfica se sente literalmente apanhado em flagrante ilicitude, escolheu uma vez mais a mentira para se defender. Mas, é tão banal esta táctica, que mesmo admitindo uma investigação medíocre, não faria qualquer sentido que um juíz a levasse a sério. 

A comunicação social esforça-se por fazer coro com os vermelhos passando a ideia de que a comparência do FCPorto na PJ resultou das queixas do Benfica, mas está a sair-se mal, porque bastará que o Porto Canal reponha as imagens do último programa (e de todos os outros) para desmontar a tramoia.

A par das denúncias apresentadas, Francisco J. Marques não fez mais do que convidar as autoridades policiais a investigá-las. Só alguém mal intencionado acredita que estas denúncias foram forjadas, porque tal só iria criar problemas ao FCPorto, e isso é o que menos precisa, porque já anda a suportá-los há pelo menos quatro épocas, com as consequências que todos sabemos! O FCPorto limitou-se a funcionar como dínamo da investigação da PJ e não - como essa gente vendida dos media tentam dar a entender -, como alvo da mesma. O alvo é o Benfica (seus vigaristas)! No fundo, o FCPorto está a prestar um grande serviço público à PJ, e ao país. O MP até lhe devia agradecer.  

Agora, o que se vai seguir é o que temos de prever. Estamos em Portugal. Fez uma semana que morreram 64 pessoas, e outras tantas ficaram feridas por ainda não termos  implantada no país uma política de prevenção aos incêndios, como se impunha há muitos anos. Gastámos 90% mais no combate  do que na prevenção, e duvido que a morte de 64 pessoas, o respeito a que esta tragédia obrigaria, bastem para avançar com a obra!  E atenção, o verão ainda mal começou...

Que esperar então da investigação ao Benfica, num país destes? Se provas destas não servem, então não faço a mínima ideia que tipo de provas poderão servir... Nesse caso, sugiro ao Ministério da Justiça que solicite aos futuros criminosos (se conseguir descobrí-los) o favor de avisarem a PJ e o MP da hora e do local onde tencionam praticar os próximo crimes, de forma a poderem apanhá-los com a boca na botija... Assim mesmo, convirá não se esquecerem de levar os óculos, a máquina fotográfica e as testemunhas...

Talvez assim se arranje matéria de prova convincente, não sei.

  

22 junho, 2017

S. João do Porto (Canal),com carinho...


"Ó, meu rico S. João,
padroeiro desta terra,
ajuda um pouco a memória
do esquecido Pedro Guerra!"

*

"Ó meu rico S. João,
meu santinho tão sortudo,
se receberes um email do Adão,
não te esqueças, apaga tudo"

[do Porto Canal]

*

"Ó meu rico S. João,
do alho pôrro e martelo, 
tem cuidado não consintas, 
que o Vieira espie também 
Marcelo"

[este é meu ;-) ]


*

Ó meu rico S. João,
tão querido e tão janota,
ajuda-nos a acordar,
o Ministério Público e
a P Jota

[do comentador HMF]

*
Ó meu rico S. João, 
vê se atendes esta prece
que castiguem o carnide
por causa dos SMS

[do comentador Loureiro]


*

Ó meu rico S. João,
chega-te à minha beira,
faz o Benfica descer de devisão,
e manda prender o Vieira

[do comentador Felisberto Costa]

21 junho, 2017

Culpados de um raio


Esta análise sobre o mesmo tema do post anterior, parece-me sem dúvida a menos romântica, mas a mais acertada. Isto de passarmos o tempo a tolerar o intolerável tem de acabar. Leiam-na, porque embora não seja propriamente uma descoberta, reforça a visão pragmática dos factos.

O luto e a luta

Miguel Guedes
(JN)

Hoje é o dia em que saímos do luto nacional com tudo por resolver. Findos que estão os três dias institucionais de dor, não há nada que tenha ficado diferente. Nem podia. Numa dor destas, o silêncio é das poucas companhias recomendáveis pela forma como nos propicia um tempo que seja. À distância de um oceano do país, a comoção sofre um verdadeiro bloqueio e embarga-se pelo choque. Vejo o país nas notícias por uma alegoria de inferno e somam-se os especialistas internacionais a explicar, à boleia da catástrofe, o que é isso do "dry lightning" ou trovoada seca. Pausa. Não há decreto que nos enterre o coração na areia quando a cabeça não pára para pensar. Não pode haver soluções enquanto o fogo caminha a passos de gigante, parecendo que voa. A luta começa agora.
A rendição absoluta de gratidão aos bombeiros que lutam e aos civis que ajudam. Isso e a pouca comiseração para quem tenta encontrar culpados em tempo de inferno. É impressionante a fogueira de vaidades e pouco tento que impele certas pessoas a abrir fracturas em tempo de terramoto. Para esses agentes sumários da punição, mais velozes do que o próprio vento que dá asas ao fogo a encontrar bodes expiatórios, não se limpam armas em tempo de guerra. E atacam, mesmo quando na paz podre de todos os invernos nunca os vi a deixar de dar beijinhos no dói-dói. À semelhança de quem tenta fazer notícia ao lado de um corpo carbonizado, aqueles que tentam encontrar culpados entre o sofrimento apenas descem mais um degrau do palco para onde imaginam estar a subir.
Pedrógão terá que ser o nosso público "ground zero". Nunca conseguimos trabalhar a propriedade privada da floresta que acaba por nos ser comum em catástrofe, nunca deixámos de ceder aos interesses e ao facilitismo. Sempre soubemos que a natureza não nos dá apenas pores-do-sol de excelência e nasceres do dia radiosos. A força natural da humanidade, de resto, não é impedir o seu curso. Compete-nos criar as estratégias para a acomodar e antecipar na violência perante um conjunto disperso de propriedades avulso sem investimento e sem o mínimo de zelo, desertificação populacional num agregado de restos de país votados ao abandono. Sempre olhámos para a floresta numa visão-túnel onde lá ao longe se vislumbra uma saída clara. Mas quando lá chegamos, pela proximidade do simples andar da carruagem, só vemos que arde. E assim vamos, todos os anos, em típicos lamentos que ninguém leva a sério. Acredito que até agora.
Nota de RoP: 
Sei a quem se refere Miguel Guedes no sublinhado desta sua crónica, e subscrevo-o. Contudo, a margem de tolerância para os co-responsáveis por estas tragédias já ultrapassou todos os records. Mais do que os afectos do Presidente da República e as desculpas revoltantes do(s) Governo(s), o que realmente importa realçar é a morte de 64 pessoas e o sofrimento de todas as outras (feridos e familiares). A vida dos que morreram é irreversível. 
Se o Estado fizesse a sua parte, se em vez de andar a brincar literalmente com o fogo, encarasse este recorrente problema com a seriedade que ele merece, talvez tivesse reduzido estas mortes, pelo menos a metade. Esse sim, seria o maior gesto humanitário que podia ter, não só por estas vítimas, como pelas vítimas de tragédias antigas e as que vão acontecer no futuro. 

O verão só agora começou e, como está mais do que constatado, nada foi feito de relevante quanto ao ordenamento preventivo das matas e florestas. É o preço a pagar quando um país se contenta com governantes vulgares. São, de facto, todos iguais. Não temos hipótese.  

Nota-O sublinhado da crónica do Miguel é meu.

19 junho, 2017

A prevenção dos incêndios é o exponente máximo da falência governativa

A foto espelha na perfeição a falsidade política

Cansa-me, mesmo que não me espante, o crédito que os jornalistas concedem a esta forma de viver a que, por ingenuidade ou conveniência, continuam a chamar democracia. Já nem sei se deva atribuir as causas a estes dois qualificativos juntos, ou se é tão só o resultado de uma adaptação empírica à hipocrisia dessa suposta democracia.

Os incêndios, a par da qualidade de vida dos portugueses, são aquilo que mais me incomoda neste país. Ambos sofrem pelas mesmas causas: sucessivos maus governos. Maus, e irresponsáveis governos!E não me venham com desculpas assassinas, porque são eles os maiores responsáveis pelas desgraças humanas e ambientais deste país. Como disse, este é um tema que muito me preocupa e que pelas piores razões venho acompanhando e escrevendo há muito tempo.

Todos os anos é isto, esta falta de respeito pela segurança das populações e da floresta. Esta garotada, esta gentinha sem elevação nem sensibilidade, em quem os seguidores desta democracia acreditam e dão carta branca  para prosseguirem na senda do crime, é a principal responsável pela dimensão destas tragédias. De tão óbvias provas e repetidos factos,  já me afadiga estar sempre a repetir o mesmo, mas para que não restem  dúvidas vou ainda assim reiterá-los: a prevenção é a forma mais eficaz de combater estes fenómenos climáticos.

Está mais do que esgotada esta certeza. Contudo, Portugal continua a "investir" prioritariamente nos meios, quando até os próprios serviços da Autoridade N. de Protecção Civil insistem e reclamam na aposta da prevenção. Gastamos cerca 90% nos meios de combate aos fogos, e reservamos uns míseros 10% na prevenção. Acho que isto explica, quase tudo...  

Não bastou o ainda recente drama dos incêndios em Arouca e Sever do Vouga, com danos patrimoniais irreversíveis e áreas imensas de floresta ardida. Ainda não decorreu uma ano desde este desastre (foi em Agosto do ano passado), e já temos de lidar com o mesmo problema em Pedrogão Grande, com as mesmas indecisões dos governantes. Tem sido isto, sempre! Promessas, mais promessas ao longo dos anos, e as sucessivas desculpas. Chega! 

Pergunto: será preciso morrer alguém com laços familiares a qualquer governante para terem a noção dos crimes que indirectamente têm praticado? Que desculpa, que tolerância podemos ter com estes políticos sem nos acharmos cumplíces pela morte de 62 pessoas? Nem vale a pena perder tempo a justificar o injustificável, quando o principal está por fazer há dezenas de anos. Estes fenómenos são previsíveis, a natureza é mesmo assim, e agora com as alterações ambientais a previsão teria de ser intensificada.  Mas, não. Os governantes, estes e outros de diferentes partidos continuam a optar pela falsa promessa, e as críticas que os jornalistas lhes fazem, continuam a ser de uma tolerância cumplíce, o que não é menos repugnante. 

Não quero com isto dizer que nós cidadãos, sobretudo quem possui terras próximo das florestas, não tenhamos de ter também esses cuidados preventivos, mas se o Estado (como sempre) não dá o primeiro passo, o que podemos esperar? 

Mas, francamente, já não suporto a lata, o desplante, as caras de pau e as lágrimas de crocodilo de quem devia fazer, executar, realizar e concluir o que que promete, insistindo pela rota do dulce fare niente...

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17 junho, 2017

Tudo gente séria. Limpinhos, limpinhos...


O semanário Expresso revela este sábado uma conversa entre Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves, além de mais emails trocados com o antigo delegado da Liga, Nuno Cabral, com vista a baixar a nota do árbitro Rui Costa.
O jogo em questão é o FC Porto-Benfica de 10 de maio de 2014, último do campeonato 2013/14, em que o Benfica já era campeão e os portistas 3º classificados. Apesar do desafio já não ter efeitos práticos, Nuno Cabral terá enviado um email para o presidente do Benfica e para o assessor jurídico da SAD encarnada com um relatório sobre a prestação de Rui Costa, nomeadamente os erros cometidos pelo árbitro contra o Benfica.
Nuno Cabral não era observador, nem sequer o delegado da Liga desse jogo, refira-se. Segundo o Expresso, Luís Filipe Vieira terá, então, pedido a Paulo Gonçalves para que fizesse o que tinha de fazer para baixar a nota de Rui Costa: "Paulo, devíamos participar deste artista, pois brincou com o Benfica. Temos de dar-lhe cabo da nota".
Meses depois, Nuno Cabral enviou um email a Pedro Guerra, comentador e diretor de conteúdos da Benfica TV, a comunicar que a avaliação de Rui Costa descera de 3,5 para 2,0. "Inicialmente o observador atribuiu-lhe 3,5. Com a nossa reclamação passou para 2,0", terá escrito Nuno Cabral a Pedro Guerra.





FCPORTO CAMPEÂO NACIONAL DE HÓQUEI EM PATINS



FEZ -  SE JUSTIÇA! OS CACETEIROS PERDERAM.  O DESPORTO AGRADECE.


Euforia e Justiça
 Merecidíssimas!