20 janeiro, 2017

Que ensosso é o discurso de Nuno E. Santo!



Senão, leiam:

«Queremos estar no topo da tabela, é para aí que olhamos, mas não desvalorizamos todos os rivais que estão atrás de nós»

«Estamos nos objectivos de lutarmos até ao fim pelo título de campeão. Temos de ser melhores, crescer e estar à altura do FCPorto»

«Temos uma equipa jovem, mas é uma das melhores defensivamente a nível europeu. Temos de ser mais regulares na finalização»

As conferências de imprensa do actual treinador do FCPorto são, além de ensossas, monocórdicas. O verbo que aplica invariavelmente [a primeira pessoa do plural] no seu discurso, em vez de transmitir  uma ideia de colectivo,  parece excluí-la, dada a sensação abstracta que deixa no ar. Parece estar a falar para nenhures. Receio que as suas palavras surtam o mesmo efeito para os jogadores e que isso explique os altos e baixos das suas exibições.

Vejamos: o que é que ele pretende dizer na primeira frase, se ela for porventura dirigida aos adeptos? Que nós pensamos que não quer pôr a equipa a jogar para ganhar? E por que raio não deviamos nós (FCPorto) valorizar todos os adversários? Não será antes ele que desvalorizará o nosso clube, se não conseguir ultrapassar adversários com planteis financeira, desportiva e estruturalmente mais frágeis que o FCPorto, como tem acontecido?

A segunda frase é outra redundância. Temos de ser melhores? Então, para quem estará ele a falar? Para nós? Para os jogadores? Para nós adeptos, não vale a pena, porque nada podemos fazer, a não ser apoiar a equipa, e nisso temos sido do melhor que há (e nem falo por mim). Para os jogadores, também quero crer que não é, porque a principal solução está no treino, não apenas nas intenções, e é ele o treinador. Estará a falar para ele, para se convencer que é capaz de fazer o que diz?

Por último, a conversa gasta do costume: "temos uma equipa jovem", "temos de melhorar na finalização". Ao repetir sempre a mesma coisa, Nuno Espírito Santo não está mais que a "marinar" uma boa desculpa para um provável fracasso. Só pode. E esse, é mais um discurso anti-Porto, não é próprio de quem jogou no clube e diz conhecê-lo bem.

Quanto à finalização, seria muito mais prático que explicasse quanto tempo [horas extra] tem dedicado a treinar os jogadores nesse aspecto específico, e se os tem instruído para perderem o medo de rematar. Sim, porque aquilo que os adeptos têm visto, salvo raras excepções, é medo de chutar à baliza, e muito poucos ousam fazê-lo.

E já agora, talvez seja tempo de entender que não foi por termos uma defesa sólida que não perdemos 2 troféus já nesta época, e várias oportunidades para passarmos para o pódio do campeonato.

Isto, apesar da máfia das arbitragens...  


18 janeiro, 2017

Universo Porto de Bancada


Universo Porto - da BancadaContinuo a considerar o programa Universo Porto de Bancada, do Porto Canal, um progresso na defesa do FCPorto, mas parece-me demasiado inconclusivo em termos práticos. Se concordo com o conteúdo e a objectividade com que é apresentado, já não posso dizer o mesmo dos interlocutores, apesar do bom serviço que estão a prestar ao clube. 

Sem despeito para os outros, até por não terem vínculos profissionais com o FCPorto, Francisco Marques na qualidade de director de Comunicação, é sem dúvida o homem com mais responsabilidades, pelo que se faz e se diz no referido programa, a par do ex-jornalista da RTP, José Cruz. Mas, se a ideia é fazer sair da toca os responsáveis da Comissão de Arbitragem da FPF e obrigá-los a responder às reclamações do FCPorto, corremos o risco de ter de esperar sentados, devido ao papel secundário de Francisco Marques na estrutura directiva do clube. 

Por isso, para que este trabalho possa surtir alguns resultados, seria extremamente importante  que Pinto da Costa se decidisse a provar aos adeptos [e também aos adversários] que ainda é capaz de dar a cara pelo clube nos momentos difíceis. De contrário, não vamos conseguir suster os roubos de igreja que tanta mossa tem causado às prestações da equipa. E, será bom realçar que a roubalheira das arbitragens não se fica apenas pelo futebol, ela faz-se notar praticamente em todas as modalidades com efeitos colaterais no moral dos atletas (veja-se o que sucedeu com o Óquei em Lisboa).

Há ainda muita parcimónia no tratamento destes casos de polícia. Os comentadores, às vezes ainda exageram no politicamente correcto. Bruno Magalhães, um dos comentadores do Universo Porto, usou o verbo "pedir" quando se falava da Comissão de Arbitragem e da sua indiferença aos protestos do FCPorto. Ora, só pede quem precisa. Nós não precisamos de justiça, nós temos de a exigir, porque é para isso, e só para isso, que os árbitros existem. O pior que se pode fazer à justiça, é pedir a alguém que a representa  que a pratique. Se não nos querem ouvir, então teremos de passar para outro patamar mais alto de protesto, mas nunca calar.

É possível que esta tardia decisão de finalmente colocar o Porto Canal a fazer o contraditório do que se diz e escreve em Lisboa, sempre que tal se justique, venha de persi a refrear os ímpetos segregacionistas de alguns árbitros, mas pode não bastar para todos, porque, não tenhamos ilusões, há muitos que estão dispostos a cumprir a missão até ao fim, tal é o sentimento de impunidade que os domina.  

17 janeiro, 2017

Escrever direito por linhas tortas

O salário mínimo em Portugal é indigno de um país que diz querer romper com o modelo dos baixos salários. Para muito mais de meio milhão de pessoas, o trabalho não chega para fazer face às despesas mensais básicas, e já nem falamos do que não devia ser um luxo: cultura, lazer, conforto.

Em 1990, um salário mínimo comprava menos 85euro que em 1974 e, em 2000, já valia menos 107euro. Os aumentos dos últimos anos reduziram esta perda, mas ainda não a compensaram. O salário mínimo continua a ter menos poder de compra que há 42 anos.

Não percamos mais tempo, portanto, a discutir a urgência óbvia do aumento do salário mínimo. Em vez disso, analisemos as razões para o Governo compensar o patronato por este aumento.

Em primeiro lugar, é preciso saber quem ficou a ganhar com o poder de compra perdido pelos trabalhadores desde 1974. Essa riqueza foi apropriada, precisamente, por quem paga o salário. Se há alguma compensação a fazer, cabe aos patrões fazerem-na e não beneficiarem dela.

Por outro lado, não há qualquer razão para a Segurança Social pagar, através do desconto na TSU patronal, 63 milhões pelo aumento do salário mínimo. O dinheiro da Segurança Social é dinheiro dos reformados, e não cabe aos reformados de hoje ou de amanhã pagar parte do salário. Essa é a responsabilidade dos patrões. Acresce que este desconto é inaceitável porque é um prémio decidido pelo Governo às empresas que contratam com salários mais baixos.
A qualidade dos representantes patronais e a sua estreiteza de espírito ficam à vista quando, de tantas reivindicações possíveis, se concentram nesta. É esta estreiteza de espírito que explica, em parte, o atraso produtivo do país.

Que uma reivindicação patronal tão retrógrada seja aceite e até defendida pela UGT, não surpreende. Ao longo dos últimos anos, a UGT apenas serviu para legitimar "acordos" de concertação social a medidas de verdadeiro ataque aos direitos dos trabalhadores.

Por fim, as reviravoltas políticas do PSD são o que menos importa neste debate. Se os cálculos políticos de Passos Coelho, oportunistas ou suicidas, permitirem uma maioria para impedir uma medida injusta e um "acordo" artificial e errado, então Passos terá escrito direito por linhas tortas...

DEPUTADA DO BE

Nota de RoP:

Esta mesquinhez do ordenado mínimo, é, a par da corrupção, talvez a maior vergonha da classe política e empresarial portuguesa. Não tem qualquer justificação, a não ser o que disse agora mesmo: mesquinhez. O António Costa deu o primeiro tiro no pé, como era de prever.

Mas, acalmemo-nos, porque ainda há quem sinta orgulho de ser português...



16 janeiro, 2017

TEATRO MUNICIPAL DO PORTO COM ORÇAMENTO REFORÇADO


Image de Teatro Municipal do Porto com orçamento reforçado

“A atividade do Teatro Municipal tem sido um sucesso. Tem havido enorme adesão ao que aqui temos feito. Entendemos que tínhamos condições para este reforço [no investimento], para fazer uma programação internacional mais forte”, afirmou esta quarta-feira Rui Moreira, em declarações aos jornalistas no Teatro Rivoli, um dos polos do TMP, a par do Teatro do Campo Alegre.
Na apresentação da programação até julho, o autarca e o diretor do TMP, Tiago Guedes, contabilizaram a realização de 19 espetáculos internacionais, 16 dos quais em estreia nacional, destacando a “estreia mundial” de “Couture Essentielle”, um “desfile performativo” sobre a história da moda, da autoria de Olivier Saillard, diretor do Museu da Moda de Paris.
Esta “primeira coprodução internacional” do TMP vai ser apresentada a 17 e 18 de março, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa, e conta com a participação de cinco modelos que, nos anos 80, foram musas de estilistas como Yves Saint Laurent ou Lanvin, descreveu Tiago Guedes.
De acordo com o diretor do TMP, o mês de março é “um dos mais desafiantes em termos de programação”, começando com o “Foco Deslocações”, sobre “migrações e refugiados”, com espetáculos de dança de Dorothé Munyaneza (Ruanda) e de Mithkal Alzghair, sírio que vive em França.
Até julho, o TMP programou 85 espetáculos, 45 com “companhias e estruturas da cidade”, destacou Rui Moreira, notando que 37 apresentações serão “coproduções de raiz”, com um custo superior a 600 mil euros.
“A Cultura será a nossa bandeira até ao fim [do mandato]. Tem sido um grande sucesso, é muito importante, não apenas pela Cultura em si, mas também pelo impacto que tem na economia e na coesão social. O que aqui oferecemos é bastante acessível a todos os públicos. Temos visto um regresso aos públicos que foi ensaiado com a Porto 2001, que tinha sido perdido, e a cidade está reconfortada com esta aposta”, observou Rui Moreira, que acumula o pelouro da Cultura.
Tiago Guedes destacou a “forte programação internacional” de 2017 e o “grande foco dedicado às migrações e deslocações”, uma questão atual “pertinente”, para cuja “reflexão” a arte tem de dar “um contributo”.
“O Teatro Rivoli e o Teatro do Campo Alegre são os teatros da cidade que apresentam programação internacional. É um dos nossos pontos fortes, para além do trabalho que fazemos com as companhias das cidades”, vincou.
Para o diretor, a expectativa para 2017 é que o TMP “passe para outro nível”.
“Foram dois anos de muito trabalho a conquistar os públicos, a pôr o teatro em funcionamento, para agora pensar em novos projetos”, afirmou.
O diretor e o presidente da Câmara do Porto revelaram ainda que não vai ser lançado novo concurso para ocupar, com um espaço de restauração, o quinto piso do Teatro Rivoli.
“Foram lançados dois concursos e não houve candidatos. O espaço não está fechado. É um grande espaço de ensaios que está a ser aproveitado”, descreveu Tiago Guedes.
Rui Moreira realçou que “o teatro absorveu esse espaço”, sublinhando que “parece que a resposta que a cidade dá é que seja um espaço de teatro”.
Quanto ao terceiro piso do Teatro Rivoli, Tiago Guedes revelou que vai ser “todo intervencionado” para “finalmente ser a grande sala de visitas” do equipamento, devendo ser inaugurado no Festival Dias da Dança, agendado para maio.
A temporada de 2017 do TMP começa a 21 de janeiro, dia do 85.º aniversário do Teatro Rivoli, com “15 horas de programação ‘non-stop’”, sete espetáculos, quatro concertos, duas instalações, uma exposição, 14 artistas da cidade e 115 participantes em nove espaços de apresentação.
[do Porto24]

13 janeiro, 2017

Pinto da Costa, 12684 dias de liderança hipotecada


Imagem relacionada

Se houve coisa de que não gostei nada de ver hoje no Porto Canal foi o chorrilho de louvores  que fizeram a Jorge Pinto da Costa no momento menos indicado da sua carreira.  Falar da sua longevidade, da sua resiliencia e dos seus títulos, num momento em que parece outra pessoa totalmente diferente, distante, frouxa e conformista, é completamente desenquadrado no tempo, e na oportunidade. Podiam deixar os piropos para outra altura, lá mais para diante, quando esta fase derrotista e de orfandade com os adeptos estiver mais amenizada, de modo a conferir-lhes mais realismo. Assim, fica-nos uma ideia de falso, de iniciativa forçada, encomendada.

Ninguém é perfeito, todos o sabemos, mas nos últimos tempos tornou-se quase viral ver certas figuras públicas mancharem o prestígio adquirido com erros infantis que acabam por arruinar tudo de positivo que conseguiram construir nas suas diferentes actividades. Foi assim com Mário Soares*, parece ser assim também agora com Pinto da Costa. Um homem que tanto fez de positivo pelo FCPorto, que tantas victórias nos deu, que tão perseguido foi, caluniado pelos media, empurrado para os tribunais, e que mesmo assim conseguiu tudo ultrapassar, é agora o seu oposto.

Pinto da Costa é hoje um homem frágil, omisso e permissivo. Age como um perdedor e o clube acompanha-o... Não se insurge contra os actos discriminatórios inflingidos ao FCPorto, quer na comunicação social, quer nos órgãos desportivos. Consente. O pior, é que nem se importa com o sentir dos portistas ao verem-no assim tão diferente, mas responde aos que o criticam.

Para sermos honestos, é com esta imagem bipolar que temos de olhar para Pinto da Costa, hoje. Há, o do passado, e do presente. São realidades distintas, embora no mesmo corpo. No Porto Canal olha-se para o passado, salta-se sobre o presente. Talvez de um órgão de comunicação social, queira transformar-se num museu. 

Mas, para isso, já há um, não precisamos de mais.
  

*foi em Mário Soares que votei logo após o 25 de Abril

11 janeiro, 2017

O Monstro

Resultado de imagem para o monstro
Benfiiiiiiica! 

Assisti ontem ao programa Universo Porto da Bancada no Porto Canal, onde, de novo, se debateram vários assuntos relacionados com o comportamento dos árbitros e a complacência do presidente da F. P. Futebol. Gosto do programa e dos intervenientes, particularmente dos depoimentos assertivos de Francisco Marques, responsável pelo Dragões Diário. Pena é, que só tenha surgido agora, malgrado estarmos a ser reiteradamente estorvados nos nossos objectivos desde o início da temporada, já tendo sido eliminados na Taça de Portugal (incluindo a desprezada Taça Liga), ainda que também por culpas próprias.

Há muito que vinha alertando para esta situação, e por isso me "zanguei" com Pinto da Costa e lhe perdi muita da consideração que tinha por ele, enquanto líder. Teria sido inteligente da sua parte que, reconhecendo as suas limitações físicas e intelectuais, decorrentes do desgaste de muitos anos de luta desigual, soubesse delegar poderes em alguém da sua confiança para o substituir na defesa do clube, ou então, que não se recandidatasse ao cargo que detém. Mas não foi isso que decidiu. Teimou, agarrou-se ao poder, aparentando uma inconsciência alarmante sobre as suas próprias capacidades, preferindo deixar os portistas entregues a si próprios, tristes e revoltados com o clima de impunidade permitido ao nosso principal rival e seus conhecidos colaboradores.

O caso do vídeo do vandalismo (ou pseudo-vandalismo) aos escritórios de Adelino Caldeira foi também abordado no programa. Com imagens e comentários, especulou-se o que para já só pode ser especulado. O caso é tão lamentável quanto bizarro, porque os dirigentes portistas com a sua política kamikaze, abriram uma grande oportunidade a este tipo de (re)acções passíveis de ser realizadas por diferentes intérpretes. Tanto pode ter sido uma habilidade do "polvo", como uma loucura de adepto descontrolado. Só depois de devidamente investigado o caso (se chegar a ser) é que poderemos falar com propriedade.  

O lado bizarro da coisa, é vermos agora os comentadores do Porto Canal apelarem à união dos portistas quando deviam saber tão bem quanto nós, que os maiores responsáveis por termos chegado a este ponto foram e são, Pinto da Costa e todo o corpo directivo do FCPorto. Os comentadores não pousaram no prato da balança da análise, o principal, que foi a atitude distante e displicente do presidente portista em termos de comunicação com os adeptos, quando eles mais precisavam. Aliás, é mesmo caso para perguntarmos por que razão só agora decidiram reagir a esta inusitada situação, ou se só agora tiveram ordens para o fazer, e da parte de quem. Se não nos esclarecerem, então temos legitimidade para considerar o Porto Canal co-responsável pelo que vem sucedendo. A verdade tem de ser dita, até há bem pouco tempo pareciam meninos de côro. Às vezes perguntava-me se havia sangue naquelas veias...  Okey, o momento não é para ressentimentos, é de união, concordo, mas é preciso haver mais coerência quando reclamamos aos outros aquilo que nós esquecemos de fazer.

Pouco importa agora saber quem foram os autores do vandalismo, até para não nos desviarmos do assunto em apreço (como alguns pretendem), e também porque continuando neste registo neutral outros "não casos" vão acontecer. O que interessa agora é combater o Monstro até às últimas consequências, porque fomos nós (o Presidente e demais administradores) quem o deixou crescer. Demos-lhe demasiado tempo para estender os tentáculos de modo a invadirem os organismos mais relevantes da sociedade civil e política que passam pela comunicação social,  até à esfera forense e desportiva. A teia é tremenda e poderosa, por isso será necessária muita coragem e determinação para os derrubar. Não nos podemos contentar com a denúncia. Em democracia (e os nossos governantes garantem-nos que é séria), temos todo o direito de nos defender, de exigir justiça, jamais pedí-la! Temos esse direito, porque é criminoso o que nos andam a fazer.  

Para já, devemos puxar pela língua ao presidente da Federação e exigir-lhe, não apenas uma resposta, mas uma tomada de posição clara e objectiva para com o que está a acontecer. Com os jornalistas a mesma coisa. Se querem entrar no nosso estádio para fazerem o seu trabalho, a prerrogativa é o respeito com o nosso clube, não só lá dentro, como nos jornais em que escrevem. Difamam-nos, não entram mais. Não pode haver umas normas para uns, e não haver para outros. Com a rádio e a televisão, a mesma coisa. Com a RTP exigimos tratamento igual pela parte dos seus colaboradores, ou podemos reclamar o direito de recusa ao pagamento de taxas por incumprimento de dever enquanto empresa do Estado. Enfim, não faltam no FCPorto advogados com experiência e argumentação jurídica suficientes para travar este Monstro, assim queiram eles.

Então, não é verdade que vivemos em Democracia? Sim, ou não? Então há, ou não há, justiça? Sim, ou não? Chegou o momento de fazermos o teste e de os pôr à prova! 

09 janeiro, 2017

De Mário Soares à Liberdade

Mário Soares
Sábado passado morreu Mário Soares, o guru da democracia em Portugal (opinam). Soares, a par de Álvaro Cunhal, foi um tenaz lutador contra a ditadura de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano, o que lhes custou vários anos de prisão e de exílio. Só por isso, merece o meu respeito, e naturalmente as minhas condolências. Sobre a sua perda não tenho mais nada a acescentar, porque não é preciso, depois da cobertura merecida, mas exagerada e um tanto cínica, que a comunicação social lhe tem dedicado.

Sendo certo que os regimes comunistas não são propriamente modelos de democracia, não me custa aceitar que se atribua quase por inteiro a Soares os louros de pai da democracia, em detrimento de Cunhal, embora me pareça aqui residir um equívoco. Pela experiência que a vida me tem dado, não estou assim tão seguro que democracia e liberdade sejam a mesma coisa, ou melhor, sejam uma espécie de irmãs gémeas siamesas. Deixem-me que me explique.

Sem liberdade não existe democracia, todos sabemos, agora o que parece ninguém querer saber é de que tipo de liberdade falámos. Aqui, já sei, entroncamos com a utopia  e os lugares comuns daqueles que, como Mário Soares, acham que a liberdade para manter esse estatuto, tem fatalmente de ser incondicional. Eu já não acredito nessa teoria. E digo , porque cheguei a acreditar nos primeiros anos de regime "democrático". E, se deixei de acreditar, dê-vo-o a Mário Soares. É verdade. Acho mesmo que um dos grandes erros de Mário Soares foi querer levar à letra a utopia da liberdade absoluta. Nesse aspecto, foi tudo menos pragmático. Foi um idealista sagaz, não foi um humanista convicto e realista, porque desautorizou a própria autoridade. Na altura, todos lhe achavam muita graça, e o caso do "ó senhor guarda desapareça" é um pequeno exemplo do que um país avesso à ordem não deve dar. E agora, o que é que temos?

Temos, uma comunicação social completamente dominada por agencias de informação constituídas por dirigentes políticos, gestores, dirigentes desportivos (ler o artigo mais abaixo de Marinho e Pinto), com um vasto número de jornalistas sem escrúpulos a serví-los e outros teoricamente contrariados, mas comodamente resignados, e sem fibra para reagir ao status quo. Pergunto: será este o comportamento de pessoas normais, numa democracia livre? Será este ambiente irrespirável, onde o medo se instalou e os corruptos proliferam, o país livre idealizado por Mário Soares? Penso que não. Contudo, Soares foi sempre demasiado permissivo com os corruptos e essa era a faceta que menos me agradava nele. Esse porreirismo, essa liberdade, dispenso. Nunca me hei-de esquecer quando contactava com empresários da região, por volta dos anos 80 me dizerem (insinuando com sorrisos) que, não sendo afectos ao PS, preferiam Soares no governo porque era mais "liberal". Era simples perceber por quê...

Mas, o que aqui está em causa já não é o currículo político de Mário Soares. Ele já cá não está e o que passou, passou. O que questiono é a ideia de liberdade onde a calúnia, a acusação pública, a infâmia são toleradas. Ora, é disto que falámos quando se trata de liberdade e de jornalistas. Estes, por força dos maus exemplos que se foram instalando através dos anos, já se acham intocáveis, nem sequer admitem "trabalhar" de outra forma que não através da difamação, da acusação gratuita e da impunidade.

Pessoalmente, estou disponível como cidadão para abdicar destas "liberdades", pela histórica razão/causa de mexerem com a liberdade dos outros. Ela vale tanto como as mensagens insultuosas de anónimos que nos entram na caixa de comentários cujo destino não pode ser outro que não o lixo. Pois foi esta a grande bandeira da liberdade que Soares içou, voluntária ou involuntariamente. Os valores da ética e da honradez foram desprezados em nome do vale tudo e da ganância. Não param de emergir casos e casos de enriquecimento ilícito, de políticos, conluiados com empresas financeiras e bancários. O oportunismo e a corrupção fazem escola sem cessar, nem pudor. Durão Barroso, Duarte Lima, Sócrates (este ainda sem acusação à vista...), são 3 espécies distintas, mas a pior imagem que se pode dar deste país. E muitos, muitos mais. Tudo nos diz que é neste regime de democracia "tolerante" que os oportunistas e criminosos se sentem melhor. Mas, não me interpretem mal, porque a última coisa que almejo é o retorno a qualquer ditadura, seja ela de esquerda, ou de direita.

Agora, o que considero perfeitamente possível coexistirem numa Democracia a valer, é a Liberdade recheada de respeito pelos bons valores e pela ética. E isso, é coisa que esta liberdade desregrada nunca nos dará.

   

07 janeiro, 2017

Sobre o jogo jogado e esquecendo o árbitro...

... chega-se à triste conclusão que não temos equipa para lutar pelo campeonato. Não me lembro de ver o FCPorto ter equipas tão previsíveis e fáceis de controlar como esta e as dos últimos 3 anos. O futebol praticado é por demais previsível e lento para surpreender os adversários. Os jogadores continuam a cometer muitos erros. 

Há um hábito que define as dificuldades dos nossos jogadores para provocarem desiquilibrios, que é jogarem com frequência de costas para a baliza adversária muitas vezes ainda no seu meio campo, o que os obriga a rodar para ver a quem devem passar a bola com o risco de a perderam por terem logo atrás um adversário para a roubar.

Por outro lado, e apesar das muitas correrias, para trás e para a frente, da posse de bola e do jogo afunilado, não se vêem desmarcações rápidas, o que facilita igualmente os defesas contrários. Acresce, evidenciar-se outra vez uma grande falta de confiança na concretização. Os jogadores quando chegam junto da áera adversária fazem-mo com tanta ansiedade que, ou não acertam na baliza, ou acertam nas pernas do adversário, ou enviam a bola para as mãos do guarda-redes. Sinal dessa ansiedade, é o maldito vício de colocarem as mãos na cabeça logo após efectuarem os remates. Estes gestos traduzem sobretudo uma manifesta falta de confiança e com um grande inconveniente, que é transmitir a negatividade ao resto da equipa (e até a nós, espectadores).

Que diabo, pelo menos que o NES saiba acabar com essa tremideira das mãos na cabeça, própria de perdedores, porque isso só é tolerável em jogadores que raramente falham, o que não é o caso dos nossos, infelizmente.

Como só vi o jogo a partir dos últimos 10 m da 1ª. parte, não sei se o árbitro deu as fífias a que estamos habituados, mas, por aquilo que vi, não foi por ele que não ganhamos. Por último, falta muita maturidade à equipa, falta-lhe sentido de oportunidade, enfim, aquela ratice dos grandes jogadores. 

Do treinador, só digo que estou cada vez mais decepcionado, tal como estou com o presidente.

Hipócritas!

Só mais um "detalhe" sobre a hipocrisia da comunicação social e da sua profunda falta de coerência. 

O JN começou estes programas sobre a escandaleira das arbitragens contra o FCPorto com a opinião de José Leirós que não disse mais do que a realidade. Foi honesto. Hoje, o JN foi procurar a opinião de um gajo (Cunha Antunes, um "especialista") que ninguém conhece de lado nenhum, mas que já vem repetir a ladaínha dos outros, ou seja, que a culpa é dos dirigentes (no plural), esquecendo-se que ao generalizar está a meter Pinto da Costa no pacote. Ora, isto é uma falácia, um acto da mais desprezível injustiça. 

Será que nós portistas andamos todos cegos a protestar há anos contra o silêncio do FCPorto e o nosso presidente tem-se fartado de protestar sem nunca darmos por ela? Não será ele ainda o dirigente-mor do FCPorto?

Grandes FDP!

Que terão a declarar os jornalistas honestos? O silêncio?

A miséria moral do jornalismo português



Clicar nas imagens para ampliar


Obs.-Este artigo ocupava 2 páginas do JN. As letras eram tão ridiculamente minúsculas que para as ler tive de recorrer a uma lente de aumento. É uma autêntica falta de respeito pelo autor.


Artigo extraído do JN de 29 de Dezembro de 2016

06 janeiro, 2017

A reacção não passarou :-), nem passará

Resultado de imagem para fontela gomes
Fontela Gomes, Presidente da APAF

Estão a ver? O polvo encarnado já se sente ameaçado, e ainda a procissão vai no adro. Se precisássemos de testar o poder de encaixe destes gangsters (sim, isto é um caso típico de gangsterismo) que dominam o futebol português, aí temos a resposta. Como vêem eles não perdem tempo quando se sentem controlados.

Enquanto fomos bons meninos, e nos mantivemos mudos e permissivos, não abriram a boca para se pronunciarem sobre a sucessão de penalties e golos anulados indevidamente ao nosso clube. Estava tudo bem, era o paraíso no futebol lisbonês. Agora que decidimos reclamar e vomitar a revolta contida, aqui del Rei que os coitadinhos dos árbitros precisam de ser protegidos, precisam de crescer (palavras de Fontela Gomes*) ! É preciso ter muita lata, não é? Pois é, se há atributo abundante na génese dos vigaristas, esse é a lata, juntamente com a espinha dorsal contorcida.  

Mas, a pouca vergonha não fica por aqui. A comunicação social portuguesa, incluindo a estatal, tem sido a principal guarda pretoriana do imperador Vieira que, louve-se-lhe a "ingenuidade", afirmou numa escuta, que tencionava fazer as coisas por outro lado. A verdade é que a táctica já deu resultados (3 campeonatos) com a estranha complacência dos dirigentes portistas, e ainda promete dar mais...

Como era de se esperar, todos os media fizeram côro sintonizado logo a seguir no sentido de perverter a verdade dos factos, e então toca a misturar o caso do FCPorto com o do Sporting, de colocar o odioso do complot por eles urdido sobre "os" dirigentes, generalizando assim as nossas legítimas reclamações, lançando a confusão, baralhando para dar de novo, como batoteiros profissionais. 

O que ocorre deste miserável comportamento dos árbitros, é serviço damasiado obsceno e abrangente para poupar os árbitros eventualmente mais sérios. Falo de serviço, em lugar de "trabalho", porque a sucessão de casos mal ajuizados contra o FCPorto é de tal modo profícua e repisada que ultrapassa a simples competência, é uma missão muito mal encapotada, um serviço sujo. Só pode. Pergunto: neste país de maus costumes, que juiz honrado terá coragem para olhar bem para o que se tem passado com o FCPorto e os árbitros, e achar tudo natural, tudo inocente? Será que o pretório vermelho já atingiu os juízes e lhes degradou o sentido da ética e da própria justiça que juraram respeitar?  Será possível terem batido tão fundo?

Agora, o FCPorto não pode voltar atrás, recuar é desistir de lutar por uma causa, mais do que justa, digna. Não queremos ser como eles, não precisamos de inventar, de conspirar, de distorcer, e omitir. Apenas precisamos de apresentar factos, e esperar que quem de direito, tenha a visão em melhor estado que a dos árbitros que nos têm calhado na rifa. Nada mais, e que a justiça seja regenerada e reposta no seu lugar.

Sei que a tarefa não vai ser fácil, há muita gente gorda importante envolvida nesta teia de interesses. Até aqui, sentiam-se protegidos pela impunidade do benfiquismo nem se dando ao cuidado de refinar a representação, já valia tudo, até provocar. A partir de agora, vão colocar em campo os legionários da comunicação social a trabalhar para eles, rebuscando casos, criando outros, frutas, apitos, tudo vai ser revolvido do baú da intriguice. Eles são assim, gente foleira, desonesta, intelectualmente prostituídos (SIC's, TVI's, RTP's e s/ derivados).

É assim, sem escrúpulos, que eles vão retaliar. Nada que nos espante. Portanto, agora é fazê-los engolir a Porta 18, os vauchers, a heroína, os almoços grátis. À força se preciso fôr. Sem dó nem piedade.  

*Presidente da APAF

PS-Amanhã tenciono publicar um artigo mais que esclarecedor de Marinho e Pinto sobre os jornalistas... 

Que vergonha para os raros, muito raros mesmo, bons profissionais da comunicação.

05 janeiro, 2017

O Porto Canal abriu finalmente os olhos?


Resultado de imagem para porto canal


Pelo  que vou   pesquisando  fiquei  com  a ideia que há um grande  numero de portistas  alheios ao que se faz de bom e de  mau, no Porto Canal.   Tenho  sido  bastante crítico com o  alinhamento  editorial e programático da estação portista, sobretudo    com   o   excesso   de   repetições   e  o   pouco protagonismo dado às questões das arbitragens pelas razões que todos conhecemos. Mas agora, verifico que há uns dias para cá, houve  uma ligeira  melhoria,  e a nível  desportivo começa  finalmente a  abordar-se  com outra frontalidade  a escandaleira das arbitragens com o FCPorto.         Já  é   um progresso. Tardio, sadicamente tardio, mas um progresso. 

Sem querer pôr-me em bicos de pés, ou insinuar que os comentários aqui plasmados acabaram por ter alguma influência na reviravolta da programação, a verdade é que o Porto Canal decidiu finalmente emitir programação desportiva onde o tema dos árbitros passou a ser encarado sem medos e com muito pragmatismo, tal como aqui tinha há muito sugerido. Ainda bem, como diz o povo, com ou sem o empurrão dos blogues, vale mais tarde que nunca...

Ontem, por volta das 22 horas, voltou-se a debater o tema do momento (ver aqui), agora com a participação do árbitro José Leirós (tal como aconselhei aqui), Francisco Marques do Dragões Diário, o ex-jornalista da RTP José Cruz, Bernardino Barros e o pivô Tiago Girão. Foi um excelente debate onde quase nada ficou por denunciar. Os erros grosseiros dos homens do apito, as imagens dos lances polémicos, as críticas ao silêncio do presidente da Federação, da Comissão de Arbitragem, da influência do Benfica na nomeação dos árbitros, do critério ilegal nas escolhas dos árbitros, em suma, praticamente tudo o que era preciso dizer. Enfim, fez-se o que já devia ter sido feito há uns 3 anos atrás, mais que não fosse para provar aos transgressores que não estávamos distraídos e que não íamos condescender com este tipo de golpes à Al Capone. 

Com este atraso excessivo, esta permissividade, perdeu-se a oportunidade de impedir que o trabalhinho sujo dos árbitros contribuisse activamente para que o FCPorto perdesse 3 campeonatos, e fosse já  nesta temporada arredado  da Taça de Portugal e da Liga. Não podemos garantir que se isso não acontecesse éramos campeões, mas também não podemos afirmar que não o éramos. Os únicos responsáveis neste contexto, são os árbitros e quem os intimou a realizar esta panelinha. Da parte do FCPorto, a quota que lhe cabe, é ter um presidente cansado e sem vontade de delegar em terceiros a responsabilidade para fazer o que lhe competia que era combater tenazmente contra esta pouca vergonha.

Resumindo: o que falta fazer agora não é apenas dar continuidade à programação delatora destas situações no Porto Canal, tem de haver a coragem de ir até onde for preciso para pôr fim a este clima mafioso, doa a quem doer. É imperativo EXIGIR uma resposta célere e idónea às reclamações portistas dos vários organismos federativos, e chamar à liça o próprio Governo que também se tem limitado a assobiar para o lado face aos acontecimentos. E nesse caso, ninguém mais indicado para o fazer que Pinto da Costa, porque é da sua competência e dever. Já chega de tanto silêncio e passividade, já é mais que tempo para falar de coisas sérias.

04 janeiro, 2017

Não tenho estofo para criticar os jogadores do FCPorto



Não sei que mais será preciso acontecer, para os dirigentes do FCPorto decidirem tomar medidas intransigentes e de repúdio contra esta saga de arbitragens miseráveis nos jogos do nosso clube. O que nos estão a fazer é simplesmente i-n-a-c-e-i-t-á-v-e-l! Uma vergonha para a nossa dignidade!

A avaliar pelas reacções do presidente, quase sempre tardias e irritantemente frouxas, arrisco-me a dizer que os árbitros (ou, o que quer que seja parecido com isso), já devem ter interpretado a complacência portista como uma "ordem" para continuarem a sangria anti-portista, ou mesmo, como é público e notório, para fazerem muito mais, e pior. A verdade é que era isto que há muito se previa. Sempre aqui disse que isto tudo não era inocente nem casual, e que a continuar a indulgência do presidente tudo tenderia a piorar. Serão necessárias mais provas? 

O que não pára de me espantar, é ainda ver o dedo acusador de alguns portistas virado para o treinador e jogadores, ora por jogarem mal, ora por não deixarem a pele em campo. Neste momento crítico, em que as arbitragens tendenciosas são mais que óbvias e graves, uma clara provocação, passar por cima disso, ou seja, atenuar a roubalheira como se fosse um pormenor e passar para os ombros do treinador e jogadores exigências que deviam ser cobradas em primeira instância aos dirigentes é ver um filme de trás para a frente. Essas coisas da garra, da boa atitude competitiva, do espírito combativo, da defesa do clube, têem naturalmente de ser inspiradas por quem manda. Não será assim? Porque teimam então em bater no ceguinho, quando o ceguinho principal é outro e não quer ver? Acham que os dirigentes portistas têm sido bons exemplos na defesa do clube, tanto para os atletas como para os adeptos? O problema chama-se Pinto da Costa, meus senhores! Por favor não se enganem também vocês nos trilhos a substituir! 

De resto, as intermitentes oscilações exibicionais da equipa levam-me a concluir que se calhar não temos um plantel tão equilibrado em qualidade e quantidade como desejaríamos, e o treinador também pode não ter o perfil ideal para as ambições do FCPorto, mas essa é outra questão que deve ser avaliada, primeiro, no contexto administrativo e só depois no desportivo. É preciso não esquecer que a escolha do treinador e do plantel, passou sempre pelo crivo aprovativo de Pinto da Costa, e por mais gratidão que lhe tenham, transferir para terceiros competências suas, é profundamente injusto.

Aos jogadores pede-se-lhes que joguem bem, ao treinador exige-se que os corrija e ensine a jogar. Se ambos não correspondem às expectativas, então é porque quem os contratou falhou na escolha. Como esta escala tem vindo a ser invertida o resultado não podia ser mais esclarecedor: os jogadores revoltam-se e despejam nos árbitro a sua revolta. E até nisso, os dirigentes do FCPorto têm tido muita sorte, porque os jogadores portistas tudo têm feito para não cometerem faltas, cientes que se entrarem mais duro (como querem os adeptos) os cartõezinhos vermelhos são a primeira prenda com que os árbitros imediatamente os brindam (como aconteceu ontem com Brahimi e Danilo). Ontem, aos 57 m de jogo (+ ou -), o Moreirense tinha 13 faltas e o FCPorto apenas 3, no entanto, quem acabou por levar 2 vermelhos fomos nós... Como é possível então insistir no empenho e na responsabilização dos atletas quando sabemos que os árbitros são implacáveis se forem os nossos a entrar mais durinho nos lances? Será assim tão difícil compreender isto?

É aos sócios que compete avaliar onde está o verdadeiro problema. Se ainda fosse sócio, sabia a quem pedir responsabilidades e não voltava a votar em Pinto da Costa, porque já não mostra capacidade para enfrentar os inimigos como outrora. Se estão à espera que ele saia pelo seu pé, sentem-se e preparem-se para mais tempos angustiantes. Ah, e não me contem histórias de arrepiar, com a treta de tudo isto ser uma estratégia para afastarem Pinto da Costa do FCPorto, porque o problema está mesmo nele.

Pela minha parte, primeiro estará sempre o clube e só depois se se justificar, quem o dirige. Não há insubstituíveis, sobretudo quando o que de melhor tinham se esfumou.
  

03 janeiro, 2017

A corrupção vulgarizou-se na política

Mariana Mortágua

Os segredos pouco secretos de Juncker

Conhecemos bem Durão Barroso. De primeiro-ministro corresponsável pela guerra do Iraque a presidente do Conselho de Administração da Goldmam Sachs foi um pulinho, e a Comissão Europeia fez as vezes de trampolim. Mas, para que saibamos bem quem manda numa das mais poderosas instituições da Europa, é justo conhecer também o sucessor de Barroso à frente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

Tal como Barroso, Juncker tem um passado como primeiro-ministro, neste caso do Luxemburgo, cargo que ocupou quase vinte anos, e que acumulou com o de ministro das Finanças. Foi durante esses vinte anos que o Luxemburgo, um país com pouco mais de meio milhão de habitantes, se tornou uma das mais ricas economias da Europa.

Em 2014, uma brutal fuga de informação, conhecida como LuxLeaks, revelou o segredo do sucesso económico de Juncker: pelo menos 548 acordos secretos entre o Luxemburgo e 340 multinacionais (Google, Ikea, Deutsche Bank, Laboratórios Abbott, Amazon, Apple, etc.). Nestes acordos, assessorados pela consultora PricewaterhouseCoopers, o Governo luxemburguês comprometia-se a permitir e validar esquemas agressivos de planeamento fiscal em que as empresas transferiam os lucros da sua atividade noutros países para o Luxemburgo, aí pagando menos impostos. Nalguns casos, as taxas cobradas chegavam mesmo a ser inferiores a 1%.

Bom, até aqui a história já é conhecida. A novidade está numa notícia publicada pelo "The Guardian", com base numa fuga de telegramas diplomáticos, segundo a qual Juncker foi uma peça essencial para travar legislação europeia contra práticas fiscais abusivas. Surpreendente? Não. Relevante? Sim.

Aparentemente, tudo se passou num grupo secreto a nível europeu, criado em 1998, para lidar com o tema da tributação das empresas. Nele, o Luxemburgo de Juncker liderou um pequeno grupo de países que permanentemente bloqueou quaisquer esforços para reforçar a troca de informação ou investigar esquemas de planeamento fiscal. Diz o "The Guardian", citando uma fonte anónima pertencente ao grupo, que "cada país está pronto para bloquear qualquer acordo. Mais que isso, cada país está pronto para negociar a sua política fiscal contra qualquer outro tema na UE".

A pequena notícia do "The Guardian" passou despercebida, mas não devia, porque nos revela duas coisas com muita clareza. A primeira é a hipocrisia e falta de transparência de uma União Europeia que permite que um país se declare publicamente contra o abuso fiscal, mas bloqueie políticas nesse sentido dentro de um comité secreto. A segunda é a hipocrisia e falta de transparência de uma União Europeia que premeia o primeiro-ministro desse país, escolhendo-o para presidente da Comissão.

(do JN)

Nota de RoP:

Decorreu tempo demais, desde Abril de 1974, para ter dúvidas sobre as muitas fragilidades da democracia, tal como a vivenciamos. Com a perda de valores éticos e educacionais, perdeu-se o sentido de responsabilidade e o respeito pelas leis, em prol do enriquecimento acelerado. As personagens que mais deviam regular-se pela ética e pela seriedade, são as que mais prevaricam, sem que a Justiça interfira salomonicamente, e em tempo útil. O crime, compensa (para os poderosos).

Resultado: a direita radical progride a passos largos. A culpa é de quem ainda nos quer convencer que a Liberdade em Democracia tem de ser ilimitada. Discordo. 

O que é preciso é (antes de lhes darmos o poder), escrutinar com muita perícia a integridade daqueles que a coberto de um qualquer mestrado nos parecem sérios.   

01 janeiro, 2017

José Leirós comenta as arbitragens desastradas com o FCPorto


Ver aqui.

Boa iniciativa esta, do Jornal de Notícias.

O Porto Canal devia aproveitar a boleia e fazer algo semelhante. É preciso, é fundamental continuar a pressionar aquela gentinha gentinha sem escrúpulos para, pelo menos, mostrarmos ao mundo que ainda estamos vivos, caso contrário comem-nos por parvos.

Façamos votos que o novo ano de 2017 abra a boa consciência a quem de direito, quer a nível federativo, quer dentro dos próprios clubes.

23 dezembro, 2016

Boas Festas!

Natal Engraçado Imagem 5

É nos pequenos gestos e atitudes do nosso dia-a-dia que devemos proporcionar o mínimo de alegria e compreensão aos que nos cercam. 

Que o espírito natalício ocupe os vossos corações para toda a vida (será possível?). 

Boas Festas e Feliz Ano Novo
aos leitores do Renovar o Porto, especialmente a todos os portistas!

21 dezembro, 2016

Sanguessugas

Pedro Ivo Carvalho
(JN)


Eles movem-se com um à-vontade inquietante. Parecem invisíveis até nos apercebermos do estrondo que fazem quando são notados. Germinam nos partidos de poder, saltitam de galho em galho, ora servindo uns, ora servindo outros. Alimentam-se dessa entidade gigantesca e frágil chamada Estado. Resistem a governos, ministros e ideologias. São as pessoas erradas nos lugares certos. Sempre que eclode mais um escândalo, revelam-se pela sagacidade dos métodos, pelo descaramento dos expedientes, pelo avultado, porque é sempre avultado, rombo que causam nas contas públicas, no dinheiro que é de todos, mas que eles acham que lhes pertence. Eles lá vão, aspirando os recursos à medida que se repetem, ano após ano, legislatura após legislatura, os debates muito sérios e muito estéreis sobre a necessidade de reformar a máquina da Administração Pública. As sangessugas são uma praga bíblica: podemos pensar que as exterminamos de cada vez que a Polícia Judiciária e o Ministério Público desembainham as espadas, mas há sempre uma subespécie que prevalece. E se multiplica.

Ter um Estado que está em todo o lado acarreta esta dimensão perversa de podermos estar a desviar o Estado dos locais onde verdadeiramente ele é necessário. O escândalo da Octapharma é revelador das formas de que o monstro se serve para se manter saciado. Uma grande empresa controla o negócio do plasma, derivado do sangue. Por vontade do Estado. Estabelecem-se teias espessas de cumplicidade e interesses comuns. Ajustes diretos justificados com a economia de mercado. Um empresário e lóbista, Lalanda de Castro, amigo de um médico, Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, assenhora-se, assim apontam os indícios, de um negócio que é, literalmente, um bem vital para o país. Um pequeno favor aqui, um fechar de olhos ali, com a mesma cadência sincopada com que um coração bomba sangue para o corpo.

E isto, além dos largos milhões de euros que podiam ter sido gastos em camas de hospitais, medicamentos, horas extraordinárias a médicos e a enfermeiros, é o que mais devia indignar-nos. E não me venham dizer que é demagogia. O dinheiro não voou. Podia e devia ter tido um destino de serviço público.

Na verdade, a corrupção a este nível num país que investe (e bem) tanto dos seus recursos numa área determinante como a saúde é a assunção de que já atingimos o grau zero da desfaçatez. Somos nós a aceitar que as sangessugas continuarão sedentas e rechonchudas perante aqueles que insistem em manter o monstro bem nutrido a pretexto do bem comum.

Nota de RoP:
Tudo isto é deplorável, revoltantemente tolerável, porque o povo não reage, como deve, a isto. Sabem por quê? Continua a votar. Apesar das abstenções.