02 outubro, 2015

Nem o Porto Canal quer saber da Regionalização

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Arq.Avelino Oliveira

Não faço suspense, a palavra a que me refiro é REGIONALIZAÇÃO. Como já estão divulgados os programas eleitorais dos principais concorrentes à governação, o do PS e o da coligação de direita, importa analisar, como sempre se faz aqui no Porto, a temática da regionalização. Devemos ler, linha por linha, o que ali se escreve, para melhor perceber as intenções. E numa coisa os dois programas são idênticos, a palavra REGIONALIZAÇÃO não aparece nenhuma vez. Na minha opinião, por razões bem diferentes, no caso do PS por pudor e para evitar divisões e no caso da coligação por profunda opção ideológica.
Ambos preferem utilizar o termo DESCENTRALIZAÇÃO. O PS usa-a 10 vezes, mas fá-lo essencialmente num subcapítulo chamado “DESCENTRALIZAÇÃO, BASE DA REFORMA DO ESTADO”, onde apresenta algumas propostas interessantes (embora discutíveis), como são as Áreas Metropolitanas eleitas por sufrágio universal, as CIM com mais competências, a reorganização dos serviços desconcentrados com alargamento da rede de proximidade através dos municípios e ainda a possibilidade de reversão da fusão de freguesias feita recentemente. A medida mais polémica é a proposta para que as CCDR’s sejam eleitas de modo indireto. Diz o texto que será votado o “respetivo órgão executivo por um colégio eleitoral formado pelos membros das câmaras e das assembleias municipais (incluindo os presidentes de junta de freguesia)”. Ou seja, a ideia de um governo regional com legitimidade dada pelo voto e por um programa político próprio desaparece, sendo substituída por esta reforma suave, que nem é carne nem é peixe, mas que me faz acreditar que poderá resultar em qualquer coisa. Pode ser apenas “wishful thinking”, como dizem os ingleses, mas, se o presidente regional for eleito com base num universo composto por todas as assembleias municipais, acho que vamos assistir a uma mudança significativa quando comparado com o que se passa atualmente.
No programa da coligação de direita, apesar das 12 referências à palavra descentralização, é difícil perceber o que querem dizer com isso. Desde logo pelo título do subcapítulo “APROFUNDAR O PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO”, que começa por nos tentar convencer que a dita já se iniciou neste mandato. Se o assunto não fosse sério até poderia dar vontade de rir, mas os exemplos dados são tão maus, tão maus, que retiram o bom humor a quem quer que seja. O texto fala da descentralização na área dos transportes (cujo processo é, como todos sabem, caótico) e continua sublinhando os projetos-piloto de descentralização municipal na educação, saúde e segurança social, o que ainda é pior, pois nem sequer os municípios da cor política do governo aderiram com afinco a tais iniciativas. Sobre novas propostas em termos de descentralização importa dizer que este programa da coligação é um “flop” total, tentando disfarçar com o programa Capacitar ideias tão pouco eficazes, e tão recorrentes, como são o “Erasmus autarquias” ou o “balcão único”. Conhecendo nós tantos sociais-democratas (e até um ou outro democrata-cristão) com pensamento consolidado nestes temas da reforma do Estado, ficamos com a convicção profunda de que este capítulo seguramente os embaraça.
A verdade é que tanto o PS como a coligação PSD/CDS fugiram da palavra REGIONALIZAÇÃO. Na minha opinião o PS não necessitava de o fazer, para não dizer que não devia fazê-lo, nomeadamente porque se se trocasse uma palavra por outra as propostas continuavam a fazer (algum) sentido.
Mas a ausência da palavra transformou a REGIONALIZAÇÃO num não-tema, num debate a evitar. E isso não pode ser. Haja coragem! Haja Porto!
(Porto24)

01 outubro, 2015

Do Chelsea para o Belenenses, o que irá mudar?


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Como é facilmente perceptível, tenho andado um tanto arredio da política e das campanhas eleitorais. Contrariamente àquilo que seriam as minhas prioridades naturais, enquanto cidadão, coloquei a luta pelos tachos nos partidos e no poder - a que alguns ingénuos chamam política -, num plano secundário. Para mim, a política é uma coisa demasiado séria que só deve ser encarada com seriedade se confiarmos nos políticos. Como deixei de acreditar neles já há alguns anos e não tenho motivos (até ver) para alterar essa posição, prefiro falar de futebol, não obstante a bandalheira que também o envolve, nomeadamente nos órgãos federativos e da Liga. 

É o que faz a contaminação negativa dos exemplos que nos chegam de quem tinha a obrigação de os dar pela positiva. Por isso (agora canto eu, menino Passos), que se lixem as eleições e os partidos! Até os pc's, os blocos e os marinhos não querem perceber o que se passa... Sim, porque esses, passados tantos anos, ainda não entenderam que o que falta a potenciais eleitores abstencionistas como eu, mais do que apresentar bons planos de governo, é a garantia da sua credibilidade. Votaria sim, no primeiro partido que percebesse isso, e que se comprometesse política, jurídica e pessoalmente (os partidos são agremiações de pessoas) com os eleitores. A palavra hoje não chega. Os bancos não financiam ninguém apenas com promessas e compromissos de palavra como garantia, e contudo, ainda há gente mais honesta que os bancos. Só que, os políticos não são honestos. Se acham que são, que o provem. Ponto final.

Falemos pois de futebol. Domingo o FCPorto joga em casa para o Campeonato com o Belenenses. No subconsciente dos portistas (de todos, diria sem risco de me enganar) paira ainda a expectativa de saber se é desta que a equipa de Julen Lopetegui vai arrancar solidamente para uma época de glórias e bom futebol. O jogo e a exibição com o Chelsea provaram outra vez que a bipolaridade da equipa está directamente ligada com as competições que disputa. Para consumo interno, a grande equipa que vimos jogar contra o Chelsea, encolhe-se e enfrenta os clubes pequenos como uma pequena equipa. Não ataca em profundidade, não pressiona nem cria dinâmicas. É uma pasmaceira. Para a Champions, veste (e bem) o fato de macaco, percebe que, para ganhar, tem de ir para a frente, tem de estar concentrada, acelerar à procura dos golos porque o relógio não perdoa. 

Ora, conhecendo o treinador do FCP a forma ultra-defensiva como os adversários jogam no nosso campeonato, será que ensaia nos treinos jogos (meínhos) com essas características? Dará ele instruções uma das equipas, depois de dividir o plantel, para jogar completamente fechada esperando erros do adversário, e explica à outra que ataca as dinâmicas ofensivas para ultrapassar o ferrolho? Se assim faz, não parece. Se não o faz, está errado.

É que, não há como contornar este dilema. Ou Lopetegui prova aos adeptos que percebeu finalmente o que se tem estado a passar (e isto já vem da época passada), determina dentro de portas instruções claras aos seus pupilos o que quer que eles façam - e também do que não quer -, e é assertivo a sentar no banco os que eventualmente não cumpram as suas ordens, ou insiste neste futebol lateralizado, lento e sem profundidade que tantos sustos nos tem pregado, e a ele próprio também. Tem de insistir em certos parâmetros comportamentais como quem instala um chip.

Mentalizar a equipa a procurar o segundo golo com a mesma intensidade que buscou o primeiro, convencê-los que um golo de diferença só serve para dinamizar o segundo, e não para o guardar como se fosse uma jóia adquirida. Está provadíssimo que sempre que o FCPorto segue essa regra, de defender o golinho com passes tímidos para trás e para o lado, roçando muitas vezes os pés dos adversários, o "ladrão" moraliza-se e acaba por marcar. 

Há que acreditar no talento dos nossos jogadores, porque eles têm-no, mas para isso, é imperativo criar rotinas de jogo com melhor proveito do tempo, ou seja, jogar com mais velocidade. Porque para consumo nacional ainda pode remediar (e nem sempre isso acontece), para consumo externo é uma pedra basilar. Basta recordar o fatídico jogo em Munique com o Bayern, onde a velocidade dos germânicos foi a chave mestra que construiu resultado tão volumoso (6-1).

Estaremos nós disponíveis para correr os mesmos riscos sem nos prepararmos já, para os enfrentar? 



29 setembro, 2015

Que hoje seja a aurora de uma temporada épica!

É preciso acreditar, temos de ser optimistas, hoje e sempre, mesmo que os dados dos últimos jogos nos deixem apreensivos.

Tenho a minha própria maneira de ser e reagir como adepto do FCPorto, e não escondo que neste momento, quando faltam menos de três horas para o jogo com o Chelsea, não sei como conciliar o lado muito afectivo de portista, com o frio racional de mero observador. Por vezes, o orgulho de portista parece sobrepor-se  ao de tripeiro, mas nunca me impediu de ter sido simultaneamente sócio do FCPorto, do Boavista e do Estrela e Vigorosa Sport. Para mim, tudo que se relacione com a minha cidade é respeitável, apesar das simpatias de portuenses de outros clubes da cidade se estenderem para latitudes distantes e muito pouco nortenhas...  

Como ia dizendo, ultimamente, a componente emocional do meu portismo,  não tem sido alimentada com a dieta a que estava habituado, que eram as victórias dentro (e quando necessário) fora do campo. Nos últimos tempos, vejo o meu FCPorto e o seu grande presidente, mais empenhados em evocar o passado que a intervir no presente para consolidar o futuro.  Noto um  excessivo discurso passadista e de saudade, que espero não ter qualquer vínculo com a perda de ambição. Há mais museu e menos futebol. Estávamos habituados a ouvir o Presidente, não só a falar com oportunidade, como a preparar activamente o futuro. Compreende-se, pela idade e pelos problemas de saúde que o têm acometido que  já não tenha o mesmo ritmo, não se compreende que não o queira reconhecer, e agir em conformidade. 

Mas se o lado emocional vive um jejum um tanto longo de sucessos desportivos (refiro apenas o futebol), o lado racional, também não convive lá muito bem sem eles. Racionalmente, tenho imensa dificuldade em acreditar que Lopetegui esteja mais seguro que eu (e um grande número de adeptos) com o tipo de futebol que apresenta. Essa insegurança está expressa no seu futebol bipolarizado, mas também na linguagem. Neste caso, só apreciei a que usou com os jornalistas quando se tratou de defender o clube. De resto, não noto diferença de linguagem nas conferências de imprensa antes dos jogos, quer vá jogar com o Arouca ou com o Chelsea. Não o dizendo textualmente, deixa sempre no ar a sensação que os adversários são todos melhores que o FCPorto. A palavra ambição é dita sem grande convicção. A ilusão e a esperança soam sempre a desejo impossível e deixam transparecer que a dúvida não consegue dar lugar à afirmação. 

Já não tenho idade para fantasias, para acreditar que expressões guerreiras ou apelos à garra podem resolver problemas de ordem técnica e táctica. Poder ajudar pode, mas o futebol tem de ter a objectividade que só a qualidade alcança. Não consinto por isso que nenhum portista se arrogue o direito de medir o portismo comigo só por duvidar que o rumo das coisas mude com estas oscilações exibicionais. Lopetegui até pode vencer hoje o jogo, e é isso o que desejo. Um jogo de futebol tem resultados imprevisíveis, mas um sistema de jogo errático, já não o é.

Se a victória possível de hoje significar o início do descer à terra do treinador e o FCPorto passar a ter uma postura em campo à Porto, com um futebol inteligente, solto, ofensivo e mandão, cá estarei para felicitar com o maior prazer e alegria Julen Lopetegui por ter finalmente percebido que mudar é também um sinal de inteligência. 

OXALÀ!

Nota pós-jogo:

como pudemos constatar esta noite, o FCPorto tem jogadores de grande qualidade (e garra), falta-lhe é a consistência e a determinação que hoje mostrou. Então no 2º.tempo foi irreconhecível em termos de objectividade. Jogaram como uma equipa, soltaram-se, gizaram finalmente belas jogadas de ataque e não de bola para trás. 
Apesar de privilegiar, como aqui tenho dito várias vezes, o jogo de ataque, é dever de justiça destacar aqueles que, na minha opinião, mais trabalharam: Aboubakar, André André, Ruben Neves (que gigante), Brahimi, Imbula, Maxi Rodrigues e Danilo. Todos os outros também estiveram bem, mas podem fazer melhor.  
Espero que Julen Lopetegui resolva de uma vez soltar mais a equipa e mentalizá-la psicologicamente para controlar o jogo quando se encontra em vantagem. Repito: quero que Lopetegui tenha êxito no FCPorto. Quero ter mais razões para gostar de o ver como treinador no FCPorto. Parabéns pela noite de hoje! Sigam-se outras.

27 setembro, 2015

Porto Canal, será autónomo? Ou (sobre)vive à custa do FCPorto?


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Quando alguém se lança num negócio - seja ele de que ramo fôr - e quer evitar cometer aqueles erros característicos da inexperiência, é prudente e até recomendável, que procure detectar o feedback do mercado potencial na  respectiva área. Não o fazendo, arrisca-se a afundar o negócio logo à nascença, que é a pior forma de arrancar com um negócio. É essa impressão que me deixa o negócio do Porto Canal, contraído entre o FCPorto Media e a sociedade Avenida dos Aliados, do grupo espanhol da Medialuso. 

Habituado que fui a ver o presidente do meu clube como um homem astuto, objectivo, pouco dado a aventuras sem retorno financeiro ou desportivo, agora que o FCPorto se envolveu numa área que não domina, custa-me a aceitar a ideia que Pinto da Costa ande distraído em relação ao que se passa no Porto Canal. No entanto, é cada vez mais consensual o decréscimo de rigor e qualidade daquela estação, o que me leva a suspeitar o que atrás referi, ou seja, que há um bizarro distanciamento do presidente face à produtividade do canal da Senhora da Hora. Sendo o FCPorto detentor de uma maioria substancial das quotas, é inconcebível imaginar que estas se valorizem quando a falta de qualidade é cada vez mais patente. Mas, como sobre este tema já me cansei de falar, sempre com a melhor das intenções, sempre com o intuito de projectar algum sentido crítico aos responsáveis, vou-me limitar a retratar algumas das suas incoerências.

Um destes dias, assisti a uma entrevista de Júlio Magalhães a Marinho e Pinto, candidato às legislativas pelo PDR (Partido Democrático Republicano), que a certo momento me despertou especial atenção. Dizia Marinho e Pinto, em forma de pergunta ao entrevistador, o seguinte: então o Júlio acha que faz algum sentido que a candidata Catarina Martins pelo BE, natural de Aveiro, se apresente como candidata pelo círculo do Porto? E deu outros exemplos semelhantes. Insistia Marinho e Pinto: então, aqui no Porto não haverá ninguém competente para ocupar o cargo? Isto faz algum sentido, repetia?

Perante estas questões pertinentes, interroguei-me se na cabeça de Júlio Magalhães teriam entrado outras igualmente pertinentes relacionadas com o Porto Canal. Será, que naquele instante as questões de Marinho e Pinto não o incomodaram? Não o fizeram corar de vergonha por saber que a jovem Maria Cerqueira Gomes (ignoro por ordem de quem) já fez mais entrevistas (repetidas) a pessoas de Lisboa que aos seus conterrâneos do Porto e do Norte? Fará essa opção também algum sentido, quando essas pessoas são por demais promovidas pelos 4 canais em sinal aberto (mais outros 6 ou 7 em sinal fechado), quando a Norte e no Porto há ainda tanta gente por descobrir? Não faz. Faria sim, se essa gente de Lisboa, ou de qualquer outro sítio, fosse novidade, e verdadeiramente interessante. 

Walter Hugo Mãe, tem-no provado, esse sim tem escapado às dinâmicas de provincianismo e de complexos de inferioridade nada condizentes com o estatuto próprio de uma cidade invicta, como espero que continue a ser o Porto. Ele sim, consegue fazer o que os colaboradores do canal não sabem (ou não querem), trás ao conhecimento do público gente nova, culta e interessante da região... Não tarda, vão ver, W. Hugo Mãe vai perceber que o Porto Canal não é o sítio certo para se mostrar ao mundo. A não ser que lhe paguem muito bem...

Sucede, que a mediocridade é tão ou mais contagiante quanto medíocre fôr o meio em que nos movemos. Alguns colaboradores, jovens como Ricardo Couto e Maria Cerqueira Gomes, a quem de início reconheci capacidades, têm enveredado, não sei se por moto próprio, se por imposição superior, por um caminho de ascensão populista, oportunista mesmo, ao estilo da Cristina Ferreira e Luís Goucha, o que não os enobrece em nada, embora lhes possa dar dinheiro considerando a escola de "valores" de um país como Portugal.  Ricardo Couto, convenceu-se depressa demais de um sentido de humor que não possui, e está cada vez mais parvo. Maria C. Gomes, anda perdida entre optar pelo jornalismo sério (digo eu), e ser apresentadora show-off. Seria bom que alguém lhe soubesse apontar o caminho certo antes que o talento se dilua em vulgaridade. A vulgaridade é a rampa mais rápida para bater no fundo.

Que não hajam dúvidas, se há empresa que parece viver à custa de outra, essa é o Porto Canal. Seria importante que os sócios do FCPorto indagassem em Assembleia-Geral convocada para o efeito, quais são os custos suportados pelo clube, com o Porto Canal. É que, exceptuando os conteúdos desportivos, ninguém pode afirmar, sem mentir, que o canal está a produzir o bastante para se auto-sustentar. Se o recurso continuado a gravações, uma, duas, três e quatro vezes, não termina, é porque não há dinheiro para fazer novos programas. E se não há conteúdos renovados, duvido, mas duvido mesmo que a publicidade aumente.